Desde que foi descoberto, o objeto interestelar 3I/ATLAS vem chamando a atenção da comunidade científica por oferecer uma oportunidade rara de se estudar um cometa vindo de fora do Sistema Solar.
Esse corpo celeste foi observado em 1º de julho pelo Deep Random Survey, um grupo de astrônomos amadores no Chile. Depois, cientistas encontraram registros anteriores, mostrando que ele já havia sido captado em 14 de junho pelo Sistema de Último Alerta para Impacto de Asteroides com a Terra (ATLAS, na sigla em inglês), da NASA, que monitora objetos que possam representar risco de colisão com o nosso planeta.

A confirmação de que se trata de um objeto interestelar – ou seja, um “visitante” de passagem pelo Sistema Solar – veio no dia seguinte, quando também se determinou sua natureza cometária. Ele recebeu então duas designações, C/2025 N1 (ATLAS) e 3I/ATLAS, que significam:
- C/: cometa não periódico (ou seja, que não tem órbita conhecida de curto período ou não volta em intervalos regulares de menos de 200 anos);
- 3I: terceiro objeto interestelar;
- 2025: o ano em que o cometa foi descoberto;
- (ATLAS): nome do projeto, telescópio ou equipe que fez a descoberta.

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Qual é o tamanho deste cometa?
De acordo com observações do Telescópio Espacial Hubble, da NASA, feitas quando o objeto estava a 446 milhões de km da Terra, o tamanho do núcleo deste cometa é estimado entre 320 metros e 5,6 km de diâmetro. Essa é a medição mais precisa, mas outras análises sugerem valores variados.
Imagens captadas pelo Observatório Vera C. Rubin, no Chile, apontam que o diâmetro poderia chegar a 11,2 km. Já o controverso astrônomo Avi Loeb, da Universidade de Harvard, cita a medida aproximada de 46 km, com base em dados da missão SPHEREx, da NASA – uma análise contestada dentro da comunidade científica.

Veja 8 curiosidades sobre o objeto interestelar 3I/ATLAS
- Este cometa é o terceiro objeto interestelar conhecido a passar pelo Sistema Solar;
- Ele se move cerca de duas vezes mais rápido e é significativamente maior que os dois anteriores: o asteroide ‘Oumuamua, em 2017, e o cometa 2I/Borisov, em 2019;
- A possível origem deste objeto é o “disco espesso” da Via Láctea, região mais antiga e “inchada” da galáxia, que contém estrelas mais velhas. Já o Sistema Solar está localizado em um braço espiral chamado Braço de Órion, que faz parte do disco “fino”, a meio caminho entre o centro galáctico e sua periferia;
- Considerando essas informações, ele é mais velho do que o Sistema Solar;
- É também o cometa mais antigo já observado;
- Este cometa está expelindo poeira na direção do Sol, diferentemente da maioria dos objetos desse tipo. Isso chama atenção porque o vento solar costuma empurrar o material para o lado contrário, formando caudas brilhantes;
- Sua composição química é bastante incomum. De acordo com o Telescópio Espacial James Webb (JWST), ele é composto por dióxido de carbono, água e outros gases – com proporção muito maior de CO2 em relação à água, algo que nunca havia sido registrado em um cometa;
- Observações do Very Large Telescope (VLT), uma instalação do Observatório Europeu do Sul (ESO) no Chile, apontam que o objeto está liberando níquel atômico, o que desafia os padrões naturais de cometas e, segundo especulações, poderia reforçar a ideia de uma provável origem tecnológica.
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