O episódio final de Stranger Things, lançado pela Netflix no encerramento de 2025, era facilmente um dos eventos mais aguardados da história recente do streaming. Com mais de duas horas de duração e a promessa de fechar todas as pontas soltas, “The Rightside Up” chegou cercado de expectativas quase impossíveis de cumprir.
E, como costuma acontecer nesses casos, a reação foi imediata, e extremamente dividida. Parte do público se emocionou com o tom de despedida e com o foco nos laços entre os personagens no capítulo final.
Por outro lado, uma parcela do público ficou incomodada com decisões narrativas apressadas, explicações vagas e regras do próprio universo sendo convenientemente ignoradas. Nas redes sociais, fóruns e vídeos de análise, um tema se repetiu: os furos de roteiro.
A seguir, reunimos os principais problemas levantados por fãs após o final de Stranger Things 5. E fica aqui o aviso: há spoilers pesados a partir daqui.
1. Por que o governo simplesmente deixou todo mundo ir embora?
Após derrotarem Vecna e o Devorador de Mentes, os protagonistas são capturados pelo Exército — o que parecia indicar consequências reais. No entanto, em questão de minutos, todos são liberados, mesmo após invadirem instalações federais, matarem soldados e destruírem projetos secretos de anos.
Para muitos fãs, a decisão soa como um atalho de roteiro para garantir um “final feliz”, ignorando completamente a lógica do próprio governo dentro da série.
2. Como Hopper recuperou o cargo de chefe de polícia?
Hopper reassumir o posto de chefe de polícia de Hawkins foi visto como emocionalmente satisfatório, mas narrativamente absurdo. Oficialmente, ele estava morto desde a terceira temporada.
Além disso, seu histórico recente envolve crimes, confrontos armados e ligação direta com uma fugitiva do governo. Ainda assim, não só ele volta ao cargo, como consegue outra posição ainda melhor pouco tempo depois — tudo sem grandes explicações.
Talvez seja uma recompensa por ter colaborado com a salvação do mundo, mas o perdão foi realmente grande, mostrando que não existem consequências para os heróis da série.
3. Will jamais virou alvo do governo, mesmo sendo uma “anomalia”
Durante o início da última temporada, Will demonstrou controle e influência sobre criaturas dentro de uma instalação monitorada pelo exército. Isso deveria, em tese, transformá-lo em prioridade máxima para os militares, mas nada acontece.
Nenhuma investigação, nenhuma vigilância mais rígida: o personagem segue a vida normalmente, com apenas Onze sendo um alvo dos militares. O que poderia ter sido um arco importante acaba tratado apenas como trauma infantil.
4. Mortes e destruição não geram consequências reais
Dentro do núcleo dos militares, diversos soldados morrem ao longo da temporada final, mas o epílogo age como se isso fosse irrelevante. Não há luto, repercussão política ou impacto social visível.
Hawkins segue em frente quase intacta, criando uma sensação estranha de desconexão entre o caos mostrado antes e a calmaria do final.
5. Onde estavam todos os demogorgons na batalha final?
O confronto no “Abismo” deveria ser o ápice da ameaça do Mundo Invertido, mas acontece quase sem resistência. Os demogorgons, que sempre foram apresentados como o exército de Vecna, simplesmente desaparecem.
Considerando que materiais oficiais já estabeleceram que essas criaturas vivem justamente ali, a ausência total soa como um esquecimento conveniente — ou um corte para simplificar a cena. Alguns fãs apontam que os monstros foram usados para montar o corpo do Devorador de Mentes, mas, pelo jeito, todos os recursos do Abismo foram para o grande vilão.
6. A fraqueza dos vilões
Falando nos vilões, outro ponto recorrente nas críticas é a forma como os grandes vilões são derrotados. Vecna, teoricamente mais poderoso do que nunca, não impõe o mesmo terror visto na quarta temporada.
Já o Devorador de Mentes sucumbe a armas comuns, sinalizadores e até estilingues — algo difícil de engolir quando criaturas menores já haviam se mostrado quase imunes a balas no passado. Após vermos os vilões tocando o terror em outras temporadas e até episódios da parte final, fica difícil acreditar que tudo foi tão simples de se resolver.
7. A linha do tempo congelada do Mundo Invertido nunca é explicada
Uma das maiores dúvidas deixadas pela série envolve o próprio Mundo Invertido. Por que ele replica Hawkins em uma data específica? Se Vecna existe há décadas, por que o “espelhamento” só acontece naquele momento?
O tema é citado, mas nunca realmente explorado, deixando uma das maiores regras do universo completamente em aberto. A série Tales from 85 retornará para Hawkins, o que pode ser uma chance para mais explicações sobre o assunto.
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8. A pedra que corrompeu Henry surge… e some
O artefato que teria influenciado Henry Creel aparece como peça-chave da mitologia, mas nunca recebe uma grande explicação dentro do final de Stranger Things. De onde ele veio? Como foi encontrado? Qual é sua real função?
O objeto parece existir apenas para mover a trama, servindo mais como um aparato de roteiro e abertura para a expansão do universo. Além de já ter aparecido em uma peça de teatro da franquia, os criadores confirmaram que a pedra será ponto-chave em um spin-off de Stranger Things que chega futuramente. Ou seja, quem busca repostas terá que esperar e ver outra série.
Mesmo com todas essas críticas, Stranger Things se despede como um dos maiores fenômenos da cultura pop moderna. Mas o debate após o final mostra que, para muitos fãs, emoção não substitui qualidade de roteiro e coerência.
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