A Ubisoft anunciou nesta terça-feira (21) uma das maiores reestruturações de sua história recente. A publisher francesa confirmou o cancelamento de seis projetos em desenvolvimento — incluindo o aguardado Prince of Persia: The Sands of Time Remake —, o adiamento de outros sete jogos e o fechamento de dois estúdios.
As mudanças fazem parte de um “reset” interno que busca reposicionar a empresa em um mercado cada vez mais competitivo. Além dos cortes em projetos e equipes, a Ubisoft também revelou uma profunda reformulação em seu modelo operacional.
A partir de agora, a companhia passará a organizar sua produção em cinco grandes divisões chamadas de “Creative Houses”, cada uma responsável por franquias específicas, com autonomia criativa, editorial e financeira. Segundo a empresa, o objetivo é aumentar a qualidade dos lançamentos, acelerar decisões internas e focar em segmentos considerados estratégicos, como jogos de mundo aberto e experiências live service (jogos como serviço).
Prince of Persia: Sands of Time Remake é oficialmente cancelado
Entre os seis jogos cancelados, a Ubisoft confirmou publicamente apenas um nome: Prince of Persia: The Sands of Time Remake. O projeto, anunciado originalmente em 2020, já havia passado por atrasos, mudanças de estúdio e até um reboot completo no desenvolvimento, mas agora foi definitivamente encerrado.

De acordo com a empresa, o remake não atingiu os novos padrões de qualidade definidos após uma revisão interna realizada entre dezembro e janeiro. Além dele, outros cinco jogos foram cancelados, incluindo três novas IPs, um título mobile e um projeto ainda não anunciado.
A Ubisoft afirma que a decisão faz parte de uma estratégia de “refoco do portfólio”, priorizando menos jogos, porém com equipes mais robustas e maior potencial comercial.
Sete jogos adiados e possível impacto em Assassin’s Creed Black Flag
Além dos cancelamentos, a Ubisoft confirmou o adiamento de sete jogos que estavam previstos para os próximos meses. A publisher não revelou oficialmente os títulos afetados, mas confirmou que um jogo planejado para ser lançado antes de março de 2026 foi adiado para o próximo ano fiscal, ou seja, até março de 2027.
Segundo apuração do IGN, esse título seria o remake ou remaster de Assassin’s Creed IV: Black Flag, projeto que ainda não foi anunciado formalmente, mas vinha sendo amplamente comentado nos bastidores da indústria. A companhia não comentou oficialmente sobre o game.

A empresa apenas afirma que os adiamentos têm como objetivo garantir que os jogos cheguem ao mercado com “níveis aprimorados de qualidade”, especialmente em um cenário descrito como “mais seletivo e competitivo do que nunca”.
Ubisoft fecha estúdios e amplia cortes de custos
Como parte da reestruturação, a Ubisoft confirmou o fechamento completo de dois estúdios: Ubisoft Stockholm e Ubisoft Halifax. O estúdio sueco havia colaborado recentemente em Avatar: Frontiers of Pandora, enquanto Halifax atuava principalmente em projetos mobile.
Além disso, reestruturações adicionais estão em andamento em outros escritórios, incluindo Ubisoft Abu Dhabi, RedLynx (responsável por Trials) e Massive Entertainment, estúdio por trás de The Division. A empresa não divulgou números exatos de demissões, mas admitiu que haverá mais desligamentos.
A meta da Ubisoft é reduzir seus custos fixos em €200 milhões adicionais ao longo dos próximos dois anos, somando-se a cortes anteriores. No total, a companhia espera diminuir seus custos em cerca de €500 milhões até 2028.
Nova estrutura divide Ubisoft em cinco “Creative Houses”
O ponto central de tantas mudanças é a criação de cinco Creative Houses, que funcionarão como unidades de negócio independentes, reunindo produção, publicação e responsabilidade financeira sob um mesmo comando. A ideia é descentralizar decisões e tornar o desenvolvimento mais ágil, segundo a companhia.

A primeira dessas divisões, chamada Vantage Studios, já havia sido anunciada anteriormente e concentra as maiores franquias da empresa: Assassin’s Creed, Far Cry e Rainbow Six. Ela inclui estúdios como Montreal, Quebec, Barcelona e Sofia, além de ter participação minoritária da Tencent.
As demais Creative Houses foram detalhadas agora pela primeira vez, cada uma focada em um gênero ou perfil de jogos.
- A Creative House 2 será dedicada a experiências de tiro competitivas e cooperativas, reunindo franquias como The Division, Ghost Recon e Splinter Cell.
- Já a Creative House 3 cuidará de jogos live service mais “enxutos”, como For Honor, The Crew, Riders Republic, Brawlhalla e Skull & Bones.
- A Creative House 4 ficará responsável por universos narrativos e de fantasia, incluindo Anno, Might & Magic, Rayman, Prince of Persia e Beyond Good & Evil. Apesar dos rumores recorrentes, a Ubisoft afirma que Beyond Good & Evil 2 segue em desenvolvimento.
- Por fim, a Creative House 5 terá foco em jogos casuais e familiares, com marcas como Just Dance, UNO, Hungry Shark, títulos da Hasbro e experiências mobile como Idle Miner Tycoon.
Retorno obrigatório aos escritórios e impacto financeiro
Para apoiar o novo modelo, a Ubisoft também confirmou que todos os funcionários deverão retornar ao trabalho presencial cinco dias por semana, com uma cota anual limitada para home office. Segundo a liderança, a medida visa estimular colaboração, criatividade e eficiência em projetos AAA.

Do ponto de vista financeiro, o impacto será significativo. A empresa revisou suas projeções e agora espera receitas líquidas de cerca de €1,5 bilhão no ano fiscal, uma queda de €330 milhões em relação às estimativas anteriores. Além disso, a Ubisoft projeta um prejuízo operacional de aproximadamente €1 bilhão em 2026, decorrente de cancelamentos, adiamentos e cortes em parcerias estratégicas.
Apesar do cenário turbulento, o CEO Yves Guillemot afirma que o “reset” é necessário para garantir a sustentabilidade da empresa no longo prazo. Segundo ele, a Ubisoft entra agora em uma nova fase, com a ambição de recuperar sua liderança criativa e entregar jogos de maior impacto em um mercado cada vez mais exigente.
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