Cientistas descobriram que o gelo na superfície de Europa, uma das luas de Júpiter, consegue afundar e levar ingredientes essenciais para a vida até o seu oceano escondido. O estudo explica que esse processo ocorre igual um “gotejamento” lento, causado pelo acúmulo de sal na camada externa e gelada do satélite natural.
Essa descoberta ajuda a entender como o oxigênio, criado pela radiação na parte de fora da lua, atravessa a crosta de gelo, que é muito grossa. A pesquisa, publicada no The Planetary Science Journal nesta semana, sugere que o oceano de Europa tem mais chances de ser um lugar onde a vida possa sobreviver, o que orienta futuras missões espaciais.
Sal deixa o gelo mais pesado e cria caminho para material chegar ao oceano em lua de Júpiter
Pesquisadores da Universidade Estadual de Washington perceberam que quando o gelo da superfície tem muito sal, ele fica mais denso e pesado que o gelo comum ao redor. Por causa desse peso extra, esses blocos de gelo começam a mergulhar lentamente. Esse fenômeno funciona de forma parecida a uma escada rolante natural, que conecta a superfície sem vida à água líquida lá embaixo.

O sal não apenas deixa o gelo mais pesado, mas também o deixa mais “mole”, o que facilita a descida. Enquanto afunda, esse gelo carrega oxigênio e outros nutrientes gerados pelo contato da superfície com a radiação de Júpiter. Sem esse mecanismo de transporte, o oceano seria um ambiente isolado e teria muita dificuldade em sustentar qualquer tipo de ser vivo.
Cálculos feitos por computador mostram que esse material leva cerca de três milhões de anos para atravessar toda a camada de gelo. O estudo revela que o gelo puro, que tem pouco sal, continua rígido e serve como moldura que mantém as áreas de gotejamento no lugar. Esse sistema permite que grandes partes da superfície, com dezenas de quilômetros, se desloquem e afundem para renovar o interior da lua.
A pesquisa explica como a crosta de Europa se renova e como uma biosfera (ambiente com vida) poderia ser alimentada abaixo do gelo. Além disso, o modelo mostra como a energia química passa por uma barreira sólida para chegar ao oceano. Entender como esse ciclo funciona é o primeiro passo para que as sondas espaciais saibam exatamente o que procurar ao visitar o sistema de Júpiter.
(Essa matéria também usou informações da Universidade Estadual de Washington.)
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