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Don’t Stop Girlypop mostra como seria um jogo da Barbie no estilo DOOM: Review

by Fesouza
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O gênero de jogos de tiro conhecido como boomer shooter já tem uma longa história e reúne alguns dos nomes mais emblemáticos dos videogames, quase sempre associados a brutamontes armados até os dentes, cenários infernais e uma estética agressiva — Doom segue sendo o exemplo mais fácil de lembrar. Ainda assim, o mercado indie segue mostrando que há muito espaço para experimentação dentro desse formato clássico, e Don’t Stop Girly Pop é a prova mais recente disso.

Lançado no dia 29 de janeiro, o jogo desenvolvido pela Funny Fintan Softworks, um pequeno estúdio australiano formado por apenas duas pessoas, subverte completamente a estética tradicional do gênero. Em vez de sangue, demônios e tons de cinza, aqui tudo é rosa, brilhante e carregado de referências à cultura pop dos anos 2000. O projeto, basicamente, mostra como seria um DOOM protagonizado pela boneca Barbie.

Em Don’t Stop Girly Pop, o jogador controla uma criatura rosa que parte para salvar um mundo distante usando “tiros de amor”, disparando corações, estrelas e outros projéteis tão fofos quanto destrutivos. A vibe pode até parecer “paz e amor” à primeira vista, mas não se engane: por baixo da camada estética maximalista existe um boomer shooter extremamente frenético, exigente e, definitivamente, não pensado para agradar todo mundo.

História é whatever, mas gameplay conquista

Oficialmente, Don’t Stop Girlypop apresenta uma narrativa com forte viés anticapitalista e ambientalista. A história gira em torno da corporação de mineração Tigris Nix, que está drenando todo o “Amor” do planeta — uma força natural que mantém aquele mundo vivo. 

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O objetivo do jogador é destruir os drones robóticos da empresa para restaurar o Oásis e devolver essa energia vital ao ambiente. Na prática, porém, a história é totalmente esquecível e funciona mais como um fio condutor para levar o personagem de uma arena a outra. 

O texto e os elementos narrativos cumprem seu papel, mas dificilmente vão ficar na memória depois que os créditos sobem. Felizmente, o mesmo não pode ser dito do gameplay, que é o verdadeiro motivo para continuar jogando.

O jogo aposta em uma filosofia agressiva de velocidade, incentivando o jogador a nunca parar de se mover. Quanto mais veloz você é, mais dano causa aos inimigos e mais se cura, criando um ciclo de risco e recompensa que torna cada combate intenso. 

O arsenal também ajuda a manter a experiência interessante. Há desde um shotgun rosa que claramente remete ao clássico de Doom, além de uma arma gravitacional que lembra Portal e até uma espada, todas com disparos alternativos e sinergias entre si. 

 A metralhadora automática, por exemplo, conta com um sistema de bolhas, que grudam nos inimigos e permitem disparos fora da linha de tiro. Esse sistema de armas cria momentos caóticos e, às vezes, surpreendentemente complexos, especialmente quando combinado com o sistema de movimentação.

Falando nele, o movimento é um dos grandes diferenciais do jogo. O salto progressivo, por exemplo, mistura bunny hopping clássico com pulo duplo, disparadas e impactos no chão, permitindo atingir velocidades altas e causar dano. 

No geral, o ciclo de gameplay lembra bastante Mullet Madjack, mas aqui o neon dá lugar a uma explosão de rosa — e isso muda completamente o tom da experiência.

Visual é um grande diferencial, mas também uma barreira

Visualmente, Don’t Stop Girlypop é impossível de ignorar. Inspirado diretamente na estética Y2K, o jogo aposta pesado em tons de rosa, brilhos exagerados e referências claras aos anos 2000, incluindo até um celular flip usado como elemento narrativo. 

Até os menus seguem essa identidade retrô, reforçando a sensação de que tudo faz parte de uma mesma proposta artística. Logo ao abrir o jogo, você dá de cara com elementos transparentes e que causam certa dificuldade em enxergar coisas básicas.

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Esse visual maximalista torna o jogo imediatamente reconhecível e ajuda a diferenciá-lo de praticamente qualquer outro boomer shooter disponível no mercado. Ao mesmo tempo, ele também funciona como uma barreira clara para parte do público. 

Nem todos os inimigos e cenários conseguem manter o mesmo nível de criatividade, o que acaba deixando a experiência visual um pouco repetitiva conforme as horas passam. Além disso, em momentos de ação mais intensa, a tela pode ficar bastante carregada.

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Corações voando, bolhas rosas pelo cenário, partículas brilhantes e o jogador se movendo em altíssima velocidade criam um verdadeiro bombardeio visual. Por aqui, eu precisei dividir as sessões de gameplay e jogar uma ou duas fases por dia, já que a experiência pode ser mentalmente cansativa após longos períodos.

Ainda assim, para quem curte esse tipo de estímulo visual e consegue embarcar na proposta, o jogo acerta bem na combinação entre exploração, tiroteio e movimento. É uma experiência que exige adaptação, mas que pode ser recompensadora para o público certo.

Vale a pena?

Don’t Stop Girlypop chega custando R$ 54,99 e entrega uma experiência divertida e diferente pelo preço cobrado — desde que você esteja preparado para segurar o verdadeiro “rajadão” que é seu gameplay. Para fãs de boomer shooters focados em velocidade, habilidade e domínio de mecânicas, o jogo tem tudo para agradar, mesmo com alguns visuais repetidos e uma interface propositalmente carregada.

Felizmente, uma demo gratuita está disponível na Steam, o que torna a decisão muito mais fácil. Testar o jogo antes da compra é altamente recomendado, já que sua proposta estética e seu ritmo acelerado podem afastar parte do público. 

No fim das contas, Don’t Stop Girlypop é inovador, pessoal e cheio de identidade, mas definitivamente não é um jogo para qualquer um. Afinal, o que torna o jogo diferente também é uma grande barreira para quem curte seu estilo.

Nota do Voxel: 75

Pontos positivos (prós):

  • Gameplay extremamente frenético e viciante, focado em velocidade e movimentação constante
  • Estética Y2K maximalista que diferencia o jogo
  • Arsenal variado e divertido de armas

Pontos negativos (contras):

  • História pouco memorável
  • Visual carregado pode cansar mentalmente
  • Alguns inimigos e cenários têm design visual repetitivo

Don’t Stop Girlypop já está disponível para jogar no PC. Uma cópia do game foi cedida para a realização da review. 

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