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Sol produz a terceira erupção mais poderosa dos últimos tempos em domingo agitado

by Fesouza
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Neste domingo (1), o Sol foi tomado por intensa agitação. Observações registraram 26 erupções solares em sequência, com destaque para um evento X8.1 – extremamente poderoso. Essa foi uma das cinco explosões de classe X (o nível máximo de energia) detectadas no período, além de 21 de classe M (moderado). 

A maioria dos episódios ocorreu na região ativa AR4366, um grupo de manchas que surgiu recentemente no lado leste do disco solar e cresceu de forma acelerada, tornando-se quase 10 vezes maior que a Terra. Esse processo deixou a área extremamente instável, favorecendo a ocorrência de explosões intensas e sucessivas.

Sol produz a terceira erupção mais poderosa dos últimos tempos em domingo agitado
Agrupamento de manchas solares AR4366, que acaba de se formar no lado do Sol voltado para a Terra e rapidamente se tornou a principal produtora de erupções solares do último dia. Crédito: NASA/SDO via EarthSky.org

Vamos entender:

  • O Sol tem um ciclo de 11 anos de atividade;
  • Ele está atualmente no que os astrônomos chamam de Ciclo Solar 25;
  • Esse número se refere aos ciclos que foram acompanhados de perto pelos cientistas;
  • No auge dos ciclos solares, o astro tem uma série de manchas na superfície, que representam concentrações de energia;
  • À medida que as linhas magnéticas se emaranham nas manchas solares, elas podem “estalar” e gerar rajadas de vento;
  • De acordo com a NASA, essas rajadas são explosões massivas do Sol que disparam jatos de plasma e campos magnéticos (também chamados de “ejeção de massa coronal” – CME) e partículas carregadas de radiação para fora da estrela;
  • As explosões são classificadas em um sistema de letras – A, B, C, M e X – com base na intensidade dos raios-X que elas liberam, com cada nível tendo 10 vezes a intensidade do anterior;
  • A classe X denota os clarões de maior intensidade, enquanto o número fornece mais informações sobre sua força;
  • Um X2 é duas vezes mais forte que um X1, um X3 é três vezes mais forte, e, assim, sucessivamente;
  • Como o Sol dá uma volta em seu próprio eixo a cada 27 dias, as manchas solares desaparecem de vista por determinado período, voltando em seguida a ser visíveis para a Terra.
Sol produz a terceira erupção mais poderosa dos últimos tempos em domingo agitado
Erupção solar de classe X8.1, a terceira mais poderosa do Ciclo Solar 25, ocorrida no domingo (1). Crédito: NASA/SDO

Surto de erupções solares causa apagão de rádio na Terra

Antes da grande explosão, a AR4366 já dava sinais claros de instabilidade. No início da madrugada de domingo (1º), a região produziu uma erupção de longa duração, marcada por três picos sucessivos. O evento começou com uma explosão M7, seguida por uma X1 e depois por uma M6, somando mais de seis horas de liberação contínua de energia.

De acordo com a plataforma de observação astronômica EarthSky.org, essa sequência prolongada chamou a atenção de especialistas em clima espacial, pois costuma indicar acúmulo de energia suficiente para eventos posteriores ainda mais intensos. A expectativa se confirmou às 20h44 (horário de Brasília), com a ocorrência da poderosa erupção de classe X8.1, a terceira maior já observada durante o Ciclo Solar 25 (que iniciou em dezembro de 2019).

Os efeitos na Terra foram imediatos, provocando um apagão de rádio de nível R3, considerado forte, em toda a face do planeta iluminada pelo Sol naquele momento. O evento causou interrupções generalizadas nas comunicações, sobretudo nas transmissões de alta frequência (HF). Setores como aviação, navegação marítima e radioamadores enfrentaram falhas de sinal, com impacto maior em áreas do Pacífico, leste da Austrália e na Nova Zelândia.

Sol produz a terceira erupção mais poderosa dos últimos tempos em domingo agitado
Mapa mostra locais afetados pela radiação solar emitida pela sequência de erupções do domingo (1). Crédito: Spaceweather.com

A causa do apagão foi a intensa radiação ultravioleta extrema liberada pela erupção, que ionizou fortemente a parte superior da atmosfera terrestre, absorvendo sinais de rádio abaixo de 20 megahertz e dificultando a propagação das transmissões por várias horas.

Menos de uma hora depois, às 21h42, a mesma região solar voltou a entrar em erupção, desta vez com um evento de classe X2.9. A nova explosão atingiu praticamente o mesmo local da atmosfera, reforçando os impactos nas comunicações já afetadas.

Embora o campo geomagnético da Terra permaneça relativamente estável, a sucessão de erupções manteve os especialistas em alerta máximo. Após esses eventos, ainda foram registrados vários flashes de classe M e mais uma erupção de classe X1.7.

Sol produz a terceira erupção mais poderosa dos últimos tempos em domingo agitado
Imagem da atividade solar – com as regiões mais ativas identificadas – à meia-noite (horário de Brasília) do dia 2 de fevereiro de 2026. Crédito: NASA/SDO e equipes científicas da AIA, EVE e HMI

Ainda não há confirmação sobre o disparo de CMEs em direção à Terra. Imagens iniciais da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e do Observatório Solar e Heliosférico (SOHO), missão conjunta da Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço (NASA) com a Agência Espacial Europeia (ESA), indicam que as CMEs observadas não parecem estar diretamente direcionadas ao nosso planeta. 

Leia mais:

Erupção solar, tempestade de radiação e tempestade geomagnética 

Conforme explicado acima, as erupções solares (explosões no Sol) são classificadas de acordo com a intensidade: A, B, C, M e X (ordem das mais fracas às mais violentas). Semelhante à escala Richter para terremotos, cada letra representa um aumento de dez vezes na produção de energia.

Uma das consequências para a Terra é quase imediata: a radiação liberada pelos eventos pode chegar até nós em poucos minutos. As tempestades de radiação são classificadas de S1 (fraco) a S5 (extremo), dependendo da potência com que atingem o planeta.

Já as tempestades geomagnéticas resultam de grandes nuvens de plasma e campos magnéticos do Sol (CMEs), que levam de um a três dias para alcançar a Terra. Ao interagir com a magnetosfera, esse material pode ocasionar perturbações que se classificam entre G1 e G5. As tempestades G1 e G2 costumam provocar efeitos leves, como pequenas oscilações em sistemas de navegação e auroras mais intensas em altas latitudes. Eventos G3 já podem afetar comunicações por rádio e exigir ajustes em satélites. Nos níveis G4 e G5, os impactos se tornam mais sérios, incluindo riscos de apagões elétricos, falhas generalizadas em GPS e aumento significativo do arrasto atmosférico sobre satélites, além de auroras visíveis em regiões incomuns do planeta.

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