Pesquisadores da Sapienza University of Rome, na Itália, publicaram em agosto de 2025 um estudo descrevendo um sistema experimental capaz de identificar pessoas por meio de sinais de Wi-Fi, mesmo com paredes no caminho. A tecnologia, chamada de WhoFi, analisa como o corpo humano distorce as ondas sem fio e transforma essas variações em uma espécie de assinatura biométrica única.
Segundo os pesquisadores, o sistema alcançou uma taxa de acerto de 95,5% ao diferenciar indivíduos em ambientes internos, independentemente de iluminação ou visibilidade. A explicação está no fato de que sinais de Wi-Fi interagem não apenas com a superfície do corpo, mas também com estruturas internas como ossos e tecidos, gerando padrões específicos para cada pessoa.
Na prática, isso significa que roteadores comuns, combinados com algoritmos avançados de aprendizado de máquina, poderiam identificar e acompanhar movimentos humanos sem o uso de câmeras. Os autores do estudo argumentam que, por se tratar de um método não visual, a tecnologia seria menos invasiva do que sistemas tradicionais de vigilância.
Especialistas em privacidade, no entanto, veem o avanço com cautela. Em um cenário já repleto de câmeras, sensores e rastreamento digital, a possibilidade de monitoramento invisível dentro de casas levanta novos debates éticos. O projeto continua restrito ao ambiente acadêmico, mas segue a tendência de tecnologias que começam como pesquisa e acabam chegando ao mercado.
