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Missão da NASA chega ao local ideal no espaço para descobrir a forma do Sistema Solar

by Fesouza
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Após décadas de avanços na exploração espacial, ainda pouco se sabe sobre os limites do Sistema Solar. Mas, uma nova missão da NASA está prestes a fornecer informações cruciais para os cientistas desvendarem esse mistério.

O que já está claro é que a Terra e os demais planetas estão inseridos na heliosfera, uma espécie de bolha criada pelo vento solar, formada por partículas constantemente lançadas pelo Sol. 

Fora dessa bolha começa o espaço interestelar, dominado por partículas vindas de outras partes da galáxia. A transição entre esses dois ambientes ocorre em regiões-chave: a heliopausa, onde o vento solar perde força, e a onda de choque, onde há uma interação intensa entre o material solar e o interestelar.

Missão da NASA chega ao local ideal no espaço para descobrir a forma do Sistema Solar
Onde termina o Sistema Solar e começa o espaço interestelar? Sonda da NASA pode descobrir. Crédito: Sergey Nivens – Shutterstock

IMAP está em ponto onde forças gravitacionais da Terra e do Sol se equilibram

Para estudar essas fronteiras invisíveis, a NASA lançou, em setembro do ano passado, a missão Interstellar Mapping and Acceleration Probe, conhecida pela sigla IMAP. A sonda chegou recentemente à sua posição final de operação, o chamado Ponto de Lagrange 1 (L1), localizado a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, na direção do Sol.

O L1 é um local especial do espaço onde as forças gravitacionais da Terra e do Sol se equilibram. Essa condição permite que a espaçonave mantenha uma posição estável, acompanhando o movimento do Sol ao longo do ano, sem gastar muito combustível para correções de rota.

Embora esteja relativamente próxima do centro do Sistema Solar, a IMAP consegue estudar as bordas graças à tecnologia a bordo. A missão foi projetada para detectar átomos neutros energéticos (ENAs), que se formam quando o vento solar colide com partículas do meio interestelar.

Esses átomos funcionam como mensageiros naturais das regiões mais distantes da heliosfera. Ao analisá-los, os cientistas podem mapear a forma dessa bolha solar e observar como ela muda ao longo do tempo, especialmente em resposta à atividade do Sol, que varia em ciclos.

Missão da NASA chega ao local ideal no espaço para descobrir a forma do Sistema Solar
Representação artística da missão IMAP ilustrando a heliosfera, bolha protetora inflada pelo vento solar contra o meio interestelar. No centro da estrutura circular está o Sol, cujas partículas colidem com o fluxo galáctico, gerando átomos neutros energéticos que permitem mapear as fronteiras do nosso sistema. Crédito: NASA

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Sonda da NASA terá visão 360° da heliosfera

A partir do L1, a IMAP tem uma visão completa de 360 graus da heliosfera e uma observação contínua do Sol. Além da pesquisa científica, a missão também terá um papel prático importante ao monitorar o clima espacial ao redor da Terra.

Com isso, a sonda poderá emitir alertas com até 30 minutos de antecedência sobre a chegada de radiação solar intensa. Esse tipo de aviso é fundamental para proteger satélites, sistemas de comunicação, redes elétricas e até missões tripuladas no espaço.

A missão começou oficialmente no domingo (1), mas os testes iniciais já indicavam sucesso. Segundo David McComas, pesquisador da Universidade de Princeton e líder da missão, os primeiros dados coletados são claros e consistentes, sinalizando um início promissor.

Até hoje, apenas as sondas Voyager 1 e 2 cruzaram a heliopausa e entraram no espaço interestelar, fornecendo medições diretas dessas regiões extremas. Ainda não existe uma missão planejada para observar o Sistema Solar de fora, mas os resultados do IMAP podem reforçar a importância de um projeto desse tipo no futuro.

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