Os impasses envolvendo a usina nuclear Angra 3, em Angra dos Reis (RJ), prejudicam a conclusão das obras. Em entrevista exclusiva ao Olhar Digital, o presidente da ABEN – Associação Brasileira de Energia Nuclear, Carlos Henrique Silva Seixas, afirmou que a ausência de uma decisão clara sobre a usina gera um custo de cerca de R$ 1 bilhão por ano aos cofres públicos.
Com isso, a empresa de geração de energia Eletronuclear corre o risco de entrar em colapso financeiro já nas próximas semanas. A informação foi revelada pelo presidente interino da estatal, Alexandre Caporal, ao g1. Segundo ele, a companhia tem recursos em caixa apenas até meados de março.
A principal medida emergencial solicitada pela Eletronuclear é a suspensão temporária da cobrança de quase R$ 7 bilhões em dívidas relacionadas a Angra 3 junto a bancos públicos. A ideia é repetir a solução adotada em 2024, quando os credores concordaram em interromper as cobranças por seis meses, garantindo fôlego financeiro à companhia enquanto o tema permanecia sem definição.
Caporal defende que a continuidade dessa suspensão é fundamental para a sobrevivência da estatal até que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decida se a usina será concluída ou abandonada em definitivo. Ele comparou a situação aos Correios, estatal que também enfrenta crise financeira: “Se não houver uma solução, seremos os Correios amanhã”.
As obras de Angra 3 estão paralisadas há cerca de uma década, e a indefinição sobre o empreendimento se arrasta há anos. Em 2025, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, chegou a afirmar que o governo tomaria uma decisão até o fim do ano, o que não aconteceu.
Caporal afirmou que, neste momento, a Eletronuclear não solicita recursos diretos do Tesouro Nacional para honrar seus compromissos. Ainda assim, os custos são altos: apenas em 2026, a dívida de Angra 3 deve chegar a R$ 800 milhões. Contato os valores de manutenção do canteiro e das instalações, os gastos ultrapassam R$ 1 bilhão por ano.
Segundo o presidente interino, caso algo não mude, a empresa vai entrar em default com os fornecedores, interrompendo pagamentos, e até com os próprios bancos.

Angra 3 segue sem rumo
Para Caporal, medidas paliativas já não são suficientes para evitar o agravamento da crise. Ele defende que apenas uma decisão definitiva sobre Angra 3 poderá estabilizar a empresa no médio e longo prazo.
Sem essa definição, o risco é que a Eletronuclear chegue a um ponto de colapso financeiro que exija, mais para frente, um aporte emergencial do governo para conter danos ainda maiores.
Já Carlos Henrique Silva Seixas defende que a decisão sobre Angra 3 não se trata mais de ser “a favor ou contra”. Na avaliação dele, o país já ultrapassou o momento de debater se a usina deve ou não ser feita; agora, o único caminho coerente seria concluí-la, já que as obras seguem há décadas.
O principal problema está na origem dos recursos, já que o governo federal não consegue, sozinho, arcar com os valores necessários. Seixas vê como solução mais viável a adoção de um modelo de parceria público-privada, alternativa que já está em discussão no Congresso Nacional.
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