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Ryan Coogler: conheça o diretor de Pecadores e Pantera Negra 3

by Fesouza
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Ryan Coogler se consolidou como um dos diretores mais influentes de Hollywood na última década. 

Responsável por Pecadores e pela franquia Pantera Negra, o cineasta de Oakland conquistou crítica e público ao combinar blockbusters de grande orçamento com narrativas profundas sobre identidade, cultura e comunidade negra. 

Sua trajetória impressiona não apenas pelos números de bilheteria, mas pela capacidade de transformar filmes comerciais em obras culturalmente relevantes.

Nascido em 23 de maio de 1986, em Oakland, Califórnia, Coogler cresceu em uma família que valorizava tanto a educação quanto a cultura. Sua mãe, Joselyn, era organizadora comunitária e cinéfila, enquanto seu pai, Ira, trabalhava como oficial de liberdade condicional em um centro de justiça juvenil de São Francisco. 

Essa combinação de influências moldou o olhar sensível do diretor para questões sociais que permeiam toda sua filmografia.

Com Pecadores quebrando recordes e se tornando o filme mais indicado da história do Oscar, além da expectativa crescente em torno de Pantera Negra 3, Ryan Coogler prova que é possível fazer cinema comercial sem abrir mão de profundidade artística e relevância cultural.

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Ryan Coogler já fez história em Hollywood com Pantera Negra e Pecadores (Foto: Gareth Cattermole/Getty Images).

Quem é o diretor Ryan Coogler

Ryan Coogler não seguiu um caminho tradicional até o cinema. Durante a juventude, ele era um talentoso jogador de futebol americano, recebendo uma bolsa de estudos para jogar como wide receiver no Saint Mary’s College of California. 

Inicialmente matriculado em química, com planos de seguir carreira na medicina, Coogler teve sua trajetória alterada quando uma professora de escrita criativa reconheceu seu talento para narrativas e sugeriu que ele considerasse o roteiro cinematográfico.

Quando o programa de futebol americano do Saint Mary’s foi encerrado após seu primeiro ano, Coogler transferiu-se para a California State University, Sacramento, onde continuou jogando e começou a fazer cursos de cinema

Após se formar em administração de empresas e finanças em 2007, ele ingressou na prestigiada School of Cinematic Arts da University of Southern California para um mestrado em produção de cinema e televisão.

Durante seus anos na USC, Coogler criou quatro curtas-metragens que foram exibidos em festivais de cinema e receberam prêmios estudantis. Três deles, Locks, Fig e Gap, conquistaram reconhecimento, sinalizando o surgimento de um talento promissor. 

Ele concluiu seu mestrado em 2011, já com uma visão clara do tipo de histórias que queria contar.

Como Coogler ganhou destaque em Hollywood

O primeiro longa-metragem de Ryan Coogler foi Fruitvale Station, lançado em 2013. O filme dramatiza as últimas horas de Oscar Grant, um jovem negro de Oakland que foi fatalmente baleado por um policial de trânsito na plataforma do metrô de Fruitvale na véspera de Ano Novo de 2009. 

O incidente chocou Coogler profundamente, e ele se dedicou a pesquisar extensivamente, entrevistando a família de Grant, seus advogados e pessoas que o encontraram nas horas antes da tragédia.

Para contar essa história com autenticidade, Coogler trabalhou como conselheiro no centro de justiça juvenil ao lado de seu pai enquanto desenvolvia o roteiro. 

O diretor Forest Whitaker e sua parceira de produção Nina Yang Bongiovi ficaram impressionados com a paixão de Coogler e assinaram como produtores. Foi através deles que Coogler conheceu Michael B. Jordan, que protagonizou o filme ao lado de Octavia Spencer.

Fruitvale Station estreou no Sundance Film Festival de 2013, onde conquistou tanto o Grande Prêmio do Júri quanto o Prêmio do Público para filmes de drama

O American Film Institute reconheceu a obra como um dos dez melhores filmes de 2013, elogiando sua capacidade de encontrar humanidade em uma manchete trágica. Esse sucesso imediato colocou Coogler no radar de Hollywood como um cineasta capaz de equilibrar relevância social com excelência cinematográfica.

Filmes da carreira de Ryan Coogler

A filmografia de Ryan Coogler é notável não apenas pela qualidade consistente, mas pela diversidade de gêneros que ele domina. 

Desde dramas baseados em fatos reais até blockbusters de super-heróis e filmes de terror sobrenatural, o diretor demonstra versatilidade sem perder sua voz autoral característica.

Fruitvale Station: o início de tudo

Fruitvale Station permanece como uma das obras mais impactantes de Coogler, não apenas por marcar sua estreia como diretor de longas-metragens, mas pela forma sensível e humanizada como aborda um tema doloroso. 

O filme reconstrói as últimas 24 horas de vida de Oscar Grant III, um jovem de 22 anos que foi assassinado por um policial na estação de metrô Fruitvale, em Oakland, na madrugada de 1º de janeiro de 2009. 

Em vez de focar apenas na tragédia, Coogler escolheu celebrar a vida de Grant, mostrando suas relações com a namorada Sophina, a filha Tatiana e a mãe Wanda, além de suas lutas para encontrar emprego estável e se manter longe de problemas. 

Michael B. Jordan entrega uma performance tridimensional que estabeleceu sua parceria duradoura com Coogler, enquanto Octavia Spencer brilha como a mãe de Oscar. 

O filme é um retrato íntimo e devastador que funciona tanto como um grito contra a brutalidade policial quanto como um estudo de personagem profundamente humano, provando desde o início que Coogler tinha um talento raro para equilibrar relevância social com excelência cinematográfica.

Creed: A Lenda de Rocky

Mesmo enquanto filmava Fruitvale Station, Coogler já estava desenvolvendo a ideia de revitalizar a franquia Rocky. Parcialmente motivado pelo amor de seu pai pela série, ele eventualmente convenceu Sylvester Stallone a deixá-lo coescrever e dirigir Creed, lançado em 2015. 

O filme acompanha Adonis Johnson, interpretado novamente por Michael B. Jordan, filho do rival e depois amigo de Rocky, Apollo Creed, enquanto é treinado pelo próprio Rocky Balboa.

Creed foi um sucesso crítico e comercial, rendendo a Stallone uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante e estabelecendo a reputação de Coogler como um cineasta capaz de lidar com projetos de grande orçamento com a mesma habilidade que demonstrou em filmes independentes. 

O filme arrecadou quase 174 milhões de dólares globalmente e deu início a uma nova trilogia.

Pantera Negra e Wakanda Forever

Após o sucesso de seus dois primeiros longas, o chefe da Marvel Studios, Kevin Feige, confiou a Coogler a direção de Pantera Negra, lançado em 2018. 

O filme se tornou um fenômeno cultural sem precedentes. Para se preparar, Coogler viajou pela África Austral por três semanas, absorvendo insights sobre geografia, pessoas e cultura que informariam cada aspecto da produção.

Pantera Negra arrecadou 1,35 bilhão de dólares mundialmente, tornando-se o filme de maior bilheteria dirigido por um cineasta negro. Recebeu sete indicações ao Oscar e venceu três, as primeiras vitórias da Marvel Studios na premiação. 

Foi também o primeiro filme de super-herói a receber uma indicação de Melhor Filme. A obra explora temas de colonialismo, isolacionismo e identidade negra através da história de T’Challa e seu rival Killmonger, criando um dos antagonistas mais complexos do cinema de super-heróis.

A sequência, Pantera Negra: Wakanda Forever, lançada em 2022, enfrentou circunstâncias extraordinariamente difíceis após a morte de Chadwick Boseman em 2020. 

Coogler teve que reescrever completamente o roteiro, transformando o filme em um tributo ao ator falecido enquanto passava o manto para Shuri, irmã de T’Challa. Apesar dos desafios, o filme arrecadou 859,2 milhões de dólares globalmente e recebeu cinco indicações ao Oscar, consolidando o legado da franquia.

Pecadores: originalidade e ousadia

Pecadores, lançado em 2025, marca a primeira história completamente original escrita, dirigida e produzida por Coogler. 

O filme de terror e ação ambientado na era Jim Crow acompanha irmãos gêmeos que retornam à sua cidade natal no Delta do Mississippi para abrir um juke joint, apenas para enfrentar uma horda de vampiros mortais.

Pecadores é o melhor filme do ano de 2025 segundo muitos críticos, e sua recepção comprova isso. O filme arrecadou cerca de 370 milhões de dólares globalmente e se tornou um dos filmes de maior bilheteria em 15 anos, superado apenas por A Origem, de Christopher Nolan. 

A música blues permeia tanto a trilha sonora quanto a narrativa, refletindo a história familiar de Coogler e sua conexão com a cultura negra do sul dos Estados Unidos.

Pecadores: o maior indicado ao Oscar 2026

Pecadores capturou impressionantes 16 indicações ao Oscar, estabelecendo um novo recorde e superando marcas anteriores. 

Entre as indicações estão Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original para Coogler, além de reconhecimentos técnicos em categorias como fotografia, design de produção, figurino e trilha sonora original.

Como o filme Pecadores pode revolucionar Hollywood é uma questão que vai além dos números. Coogler negociou um acordo único com a Warner Bros., estipulando que os direitos de propriedade do filme serão transferidos de volta para ele 25 anos após o lançamento. 

Esse tipo de acordo coloca Coogler ao lado de autores cinematográficos como Quentin Tarantino e Jim Jarmusch, que mantêm controle criativo sobre suas obras.

Temas e impacto cultural

Pecadores lida com temas de exploração, apropriação cultural e a mercantilização da arte negra, especialmente o blues. Coogler descreveu o filme como uma história sobre ecos (ecos de exploração, de música, de trauma histórico) que colidem no presente. A narrativa usa vampiros como metáfora para a extração sistemática da cultura e do trabalho negro ao longo da história americana.

O filme também representa uma celebração da resiliência e da criatividade da comunidade negra. Coogler incluiu até mesmo filmagens da festa de 40 anos de sua esposa, Zinzi, mostrando seus descendentes dançando e se divertindo, criando um paralelo visual com os frequentadores do juke joint do filme em seus momentos mais felizes.

Pantera Negra 3: o que esperar

Com Pantera Negra 3 confirmado, as expectativas são altíssimas. Embora detalhes da trama permaneçam em segredo, qual personagem Denzel Washington vai interpretar em Pantera Negra 3 é uma das especulações mais quentes entre os fãs. 

O veterano ator confirmou sua participação no projeto, gerando teorias sobre qual papel ele assumirá no universo de Wakanda.

Representatividade e identidade cultural

A franquia Pantera Negra sempre foi mais do que entretenimento de super-heróis. Coogler transformou esses filmes em explorações profundas sobre identidade africana e afro-americana, colonialismo, responsabilidade global e o papel da tecnologia na sociedade. 

Wakanda se tornou um símbolo cultural poderoso, representando uma visão aspiracional de excelência negra não tocada pelo colonialismo.

Para o terceiro filme, espera-se que Coogler continue expandindo o universo de Wakanda enquanto explora novas dimensões da mitologia que ele ajudou a criar. 

Olhos de Wakanda, a série animada do Disney+, já começou a expandir esse mundo, preparando o terreno para novas histórias cinematográficas.

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A habilidade de fazer filmes culturalmente impactantes de Ryan Coogler o elevou em Hollywood (Foto: Scott Garfield/Warner Bros/IMDb).

Os futuros projetos de Ryan Coogler

Além de Pantera Negra 3, Coogler tem vários projetos em desenvolvimento através de sua produtora Proximity Media, fundada em 2018 com sua esposa Zinzi e o produtor Sev Ohanian. A empresa já apoiou filmes aclamados como Judas e o Messias Negro e Space Jam: Um Novo Legado.

Coogler também está desenvolvendo Wrong Answer, uma colaboração com Michael B. Jordan sobre um escândalo de fraude em testes padronizados em Atlanta em 2013, com roteiro do escritor de quadrinhos de Pantera Negra, Ta-Nehisi Coates. O projeto demonstra o compromisso contínuo do diretor em contar histórias que exploram questões sociais complexas.

Sua parceria criativa com Michael B. Jordan permanece uma das mais produtivas de Hollywood. Jordan estrelou todos os cinco longas-metragens de Coogler, uma colaboração que lembra duplas lendárias como Martin Scorsese e Robert De Niro, ou Spike Lee e Denzel Washington. 

Jordan creditou Coogler por lhe dar a autoconfiança para assumir a direção ele mesmo, dirigindo Creed III em 2023.

Ryan Coogler representa uma nova geração de cineastas que provam que blockbusters podem ser simultaneamente lucrativos e culturalmente significativos. Sua habilidade de equilibrar espetáculo visual com profundidade emocional e comentário social o coloca entre os diretores mais importantes do cinema contemporâneo. 

Com Pecadores quebrando recordes e Pantera Negra 3 no horizonte, o futuro de Coogler em Hollywood parece mais brilhante do que nunca.

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