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Golpe do ‘Tribunal de Justiça’ usa CPF vazado para roubar PIX

by Fesouza
3 minutes read

Uma campanha de phishing em larga escala está se passando pelo Sistema Judicial Federal brasileiro para extorquir dinheiro de cidadãos através do PIX. A operação combina mensagens SMS fraudulentas, um banco de dados massivo de CPFs vazados e uma infraestrutura técnica internacional para criar um golpe extremamente convincente.

O ataque começa com mensagens SMS que alertam sobre irregularidades no CPF da vítima, ameaçando bloqueio de bens e contas bancárias. Os links levam a sites falsos como “pagamento-seguro.pro” que imitam páginas oficiais do Poder Judiciário.

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Mensagens de phishing em nome do Tribunal de Justiça levam vítima para site falso do Sistema Judiciário Federal. Imagem: unpack64/X.

Banco de dados vazado valida o golpe

A sofisticação real da operação está no uso de dados roubados. Quando a vítima insere seu CPF no site fraudulento, o sistema consulta automaticamente um banco de dados hospedado em Nova Jersey (EUA). Essa API retorna nome completo e data de nascimento reais da pessoa.

Ao ver seus próprios dados corretos na tela, a vítima acredita na legitimidade da cobrança. O site então exibe um número de processo judicial falso (0042074-92.2024.8.26.0000) e uma multa específica de R$ 846,23, acompanhada de um temporizador de 10 minutos para criar urgência artificial.

Infraestrutura de pagamento rotativa

Os criminosos implementaram um sistema de rotação entre dois processadores de pagamento PIX. O FusionPay (api.fusionpay.com.br) direciona pagamentos para “PAGNACIONALLTDA” em Brasília, enquanto o FusionPayBR/7Trust (api.fusionpaybr.com.br) usa “HICONEX_TECNOLOGIA_E_PAGA” em Goiânia.

A rotação entre processadores serve para distribuir riscos e dificultar o rastreamento. Caso uma conta seja bloqueada, a outra continua operando normalmente.

Erro operacional expõe a fraude

Os operadores deixaram logs do servidor publicamente acessíveis. Isso permitiu que pesquisadores identificassem vítimas sendo processadas em tempo real, além de chaves de API e registros completos de transações.

O domínio principal “pagment-seg.me” foi registrado através da Hostinger com proteção de privacidade, dificultando a identificação dos responsáveis. A infraestrutura internacional e o uso de dados vazados em massa indicam uma operação criminosa bem estruturada.

Carnaval se torna período crítico para fraudes digitais

Especialistas alertam que golpes como este tendem a se intensificar durante o período de Carnaval. Com a população em modo de férias, mais distraída e utilizando redes públicas de Wi-Fi em viagens, os criminosos aproveitam a janela de vulnerabilidade. 

A urgência criada pelo temporizador de pagamento se torna ainda mais eficaz quando a vítima está longe de casa, sem acesso fácil a documentos ou pessoas de confiança para consultar. Além disso, o receio de ter contas bloqueadas justo durante o feriado prolongado pressiona muitas pessoas a pagarem sem questionar a legitimidade da cobrança.

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