O Banco Central do Brasil informou nesta quarta-feira (18) a liquidação oficial do Banco Pleno (antigo Voiter) e de sua corretora Pleno DTVM, que eram controlados pelo ex-CEO e ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima. A decisão afeta inúmeros clientes que deixaram saldo na conta-corrente e aplicados nos investimentos. Mas por que motivo o banco foi liquidado? Entenda mais a seguir.
O que motivou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno?

Na data de hoje (18/02), o Banco Central pegou vários correntistas de surpresa após publicar o seguinte anúncio:
A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil.
— Banco Central do Brasil
Trocando em miúdos, esse jurisdiquês significa isso aqui:
- Não havia dinheiro disponível no banco, a curto prazo, caso todos os clientes decidissem realizar saques ou transferências — e, para um banco, isso não pode acontecer;
- O patrimônio era insuficiente para pagar todas as dívidas que a instituição adquiriu;
- Houve descumprimento de normas obrigatórias do sistema financeiro, que exigia capital mínimo para o funcionamento saudável da instituição, dentre outras obrigações regulatórias.
Com todos esses entraves, o banco entrou em processo de encerramento sem precisar de uma decisão judicial, ou seja, passou direto para o Banco Central. Agora, todo o capital será retido e a venda de bens será decretada para pagar todas as dívidas e devolver o dinheiro dos correntistas e investidores, obedecendo aos requisitos do FGC.
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Qual o impacto no mercado?

Embora o Pleno seja classificado na categoria S4 — representando apenas 0,04% dos ativos totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN) —, sua queda expõe fragilidades em modelos de captação agressivos.
Assim como o Banco Master, o Pleno adotava uma estratégia de oferecer rendimentos em CDBs bem acima da média de mercado para atrair investidores. Conforme a colunista Mariana Barbosa do Uol, essa tática acelerou a necessidade de intervenção do FGC, que já destinou R$ 36 bilhões para garantir depósitos do Master e outros R$ 6,3 bilhões para o digital Will Bank.
Um dos maiores ativos do Banco Pleno é o Credcesta, um programa de cartão consignado amplamente utilizado por servidores públicos e aposentados, especialmente na Bahia. O modelo, que concede exclusividade para ofertar crédito retido em folha de pagamento por até 15 anos, foi a base do crescimento do antigo grupo de Lima.
Com a liquidação extrajudicial, o destino desse contrato e a continuidade dos serviços financeiros para esses servidores permanecem incertos. O BC afirmou que “continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais”, o que pode resultar em sanções administrativas e comunicações criminais aos órgãos competentes.
Linha do tempo: do Indusval ao Banco Pleno
- 1991 – A origem (Banco Indusval): A instituição assume o nome de Banco Indusval, focando em crédito corporativo e agronegócio. Por décadas, foi um banco médio tradicional no mercado brasileiro.
- 2019 – A primeira grande mudança (Voiter): após anos de prejuízos, o banco passa por uma reestruturação e recebe um aporte de quase R$ 400 milhões. Em 2020, ele é rebatizado como Banco Voiter, com o objetivo de se tornar um banco de negócios mais digital e ágil.
- Fevereiro de 2024 – A entrada do Grupo Master: O Banco Master, de Daniel Vorcaro, anuncia a compra do Voiter. A ideia era reorganizar o banco dentro do conglomerado que estava em rápida expansão.
- Maio de 2024 – A saída de Augusto Lima: Augusto Ferreira Lima, então sócio de Vorcaro no Master, desliga-se do grupo para seguir carreira solo, levando consigo alguns ativos, incluindo a operação do Credcesta.
- Julho de 2025 – O nascimento do Banco Pleno: Após autorização do Banco Central, Augusto Lima assume oficialmente o controle do antigo Voiter. O banco é rebatizado como Banco Pleno, focando agora em crédito consignado e adotando taxas agressivas de CDB para captar recursos.
- Novembro de 2025 – Crise no Master: Enquanto o Pleno tentava se estabilizar, o Banco Master (seu antigo “irmão”) sofre uma liquidação. O Pleno escapa por ter se separado juridicamente do grupo três meses antes.
- 18 de Fevereiro de 2026 – O fim (liquidação): O Banco Central decreta a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno DTVM. O motivo: falta de liquidez, descumprimento de normas e a deterioração da situação financeira sob a gestão de Augusto Lima.
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