Um dos diretores do YouTube, Cristos Goodrow, explicou num tribunal que a plataforma não tenta viciar as pessoas. Em seu depoimento, ele afirmou que o verdadeiro objetivo da empresa é entregar conteúdo útil, não fazer com que os usuários assistam a vídeos sem parar.
Esse depoimento ocorreu no julgamento que pondera se Meta e Google (dono do YouTube) desenvolveram sistemas para prender a atenção de crianças e jovens de propósito. O resultado, esperado para março, pode mudar o rumo de milhares de outros processos que relacionam redes sociais a problemas de saúde mental.
Executivo do YouTube explicou por que o site não quer que usuários percam tempo procurando vídeos
O advogado que representa a acusação, Mark Lanier, mostrou documentos internos que falavam sobre a meta de alcançar um bilhão de horas assistidas por dia. Para ele, o YouTube focou no lucro em vez de cuidar da saúde dos jovens que usam o site. O advogado também destacou que o salário de Goodrow aumentava conforme o valor das ações da empresa subia, o que incentivaria a busca por mais tempo de tela.

Goodrow respondeu que o site não foi feito para segurar o usuário por tempo demais e que ver alguém rolando a tela sem parar é um sinal de erro. Segundo ele, o sucesso da tecnologia de recomendação é medido pela rapidez com que a pessoa encontra o que quer ver. Ele disse ao júri que, se o usuário precisa procurar muito, ele fica frustrado com a experiência na plataforma.
A acusação usou exemplos como o vídeo que começa sozinho e as sugestões personalizadas para dizer que o site “prende” as pessoas. Já o executivo lembrou que o YouTube tem ferramentas de segurança, como limites de tempo e avisos para o usuário fazer uma pausa. Ele também disse que crianças não deveriam perder horas de sono assistindo a vídeos e que a plataforma oferece recursos para evitar que isso aconteça.
O fim desse caso será importante para outras ações que acusam empresas de tecnologia de causar ansiedade e depressão. Uma jovem identificada pelas iniciais K.G.M., que usa redes sociais desde pequena, vai contar sua história no tribunal ainda esta semana. Outras empresas, como o TikTok e o Snapchat, preferiram fazer acordos e pagar indenizações antes mesmo de o julgamento começar.
(Essa matéria usou informações de AFP.)
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