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Dependência de chips de Taiwan coloca EUA sob alerta econômico

by Fesouza
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A forte concentração da produção global de chips avançados em Taiwan está levando autoridades dos Estados Unidos a intensificar alertas e medidas para reduzir a dependência do país em relação à ilha. Desde 2021, integrantes da Casa Branca, líderes militares e executivos do setor discutem os impactos econômicos de um eventual bloqueio ou conflito na região, cenário que, segundo avaliações oficiais, poderia afetar diretamente a indústria de tecnologia e o crescimento econômico americano.

O tema ganhou novo fôlego após declarações recentes e negociações envolvendo subsídios, tarifas e investimentos bilionários em fábricas nos Estados Unidos, como mostra uma reportagem do New York Times. Relatórios encomendados pela própria indústria também passaram a dimensionar possíveis perdas econômicas em caso de interrupção prolongada no fornecimento de semicondutores produzidos em território taiwanês.

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Concentração da produção global de chips em Taiwan preocupa os Estados Unidos (Imagem: Kinek00 / Shutterstock.com)

Concentração produtiva e projeções econômicas

Autoridades americanas afirmam que cerca de 90% dos chips de ponta são fabricados em Taiwan. Em janeiro, no Fórum Econômico Mundial em Davos, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou que 97% dos chips de alta performance estariam concentrados na ilha, número que ele próprio reconheceu como ligeiramente superior às estimativas do setor.

Um relatório confidencial encomendado em 2022 pela Semiconductor Industry Association, sob incentivo de integrantes do governo de Joe Biden, projetou que a interrupção do fornecimento poderia provocar a maior crise econômica no país desde a Grande Depressão. Segundo o estudo, o PIB dos Estados Unidos cairia 11%, enquanto a economia chinesa recuaria 16%.

O documento também aponta que muitas empresas americanas teriam estoque de semicondutores suficiente para operar por alguns meses antes de sofrer paralisações mais severas. Outras análises, como a da Bloomberg Economics, estimam que um conflito poderia custar mais de US$ 10 trilhões à economia global.

CHIPS Act e dificuldades na adesão

Em março de 2021, o almirante Philip S. Davidson afirmou ao Comitê de Serviços Armados do Senado que a ameaça envolvendo Taiwan poderia se concretizar ainda nesta década, possivelmente até 2027, embora parte de analistas de defesa veja esse prazo com ceticismo.

No ano seguinte, Biden sancionou o CHIPS Act, destinando US$ 50 bilhões em subsídios para incentivar a produção doméstica. Empresas como Taiwan Semiconductor Manufacturing Corporation (TSMC), Intel e Samsung anunciaram projetos bilionários em estados como Arizona, Ohio e Texas.

fabricação chips
Os Estados Unidos destinaram investimento bilionário para incentivar a produção nacional de chips (Imagem: SweetBunFactory / iStock)

Apesar disso, executivos do setor apontam que chips fabricados nos Estados Unidos custam mais de 25% a mais, além de, em alguns casos, utilizarem tecnologia considerada uma geração atrás da aplicada em Taiwan. A adesão de grandes compradores tem sido limitada, o que levou o governo a reduzir em US$ 2,3 bilhões os subsídios combinados previstos para Intel e Samsung, após dificuldades no cumprimento de exigências contratuais.

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Tarifas, pressão política e participação acionária

Com o retorno de Donald Trump à presidência, a estratégia passou a incluir pressão tarifária. Em determinado momento, o governo anunciou tarifa de 32% sobre Taiwan, mas informou que os semicondutores seriam excluídos inicialmente e teriam taxas definidas separadamente.

O secretário de Comércio, Howard Lutnick, estabeleceu como meta transferir 40% da produção taiwanesa de semicondutores para os Estados Unidos. Em reuniões com executivos, o governo indicou que empresas deveriam comprar 50% de seus chips de fábricas americanas, sob risco de tarifas de até 100%.

Durante esse processo, a Intel enfrentou dificuldades financeiras, incluindo um prejuízo de US$ 2,9 bilhões em julho. Posteriormente, o governo anunciou que a empresa concederia ao Estado 10% de participação acionária, em troca dos US$ 8,9 bilhões prometidos pelo CHIPS Act, sem necessidade de cumprir determinados marcos financeiros.

Logo da TSMC na fachada de um prédio
TSMC aumentou investimentos e planeja novas fábricas (Imagem: Fiers / Shutterstock.com)

A TSMC, por sua vez, anunciou aumento de US$ 100 bilhões em investimentos e planos para novas fábricas até 2028, além da compra de terrenos adicionais no Arizona. Taiwan também prometeu US$ 250 bilhões em garantias de crédito para apoiar a transferência de produção.

Mesmo com os avanços, parte da cadeia produtiva segue dependente da ilha. Chips de inteligência artificial fabricados nos Estados Unidos ainda precisam ser enviados a Taiwan para a etapa de packaging, etapa final necessária para integrá-los a outros componentes.

Segundo John Neuffer, presidente da Semiconductor Industry Association, a posição americana hoje é mais robusta do que há alguns anos, mas a reorganização da cadeia global de semicondutores exige tempo devido à complexidade e ao custo de construção de novas fábricas.

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