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Como chimpanzés ficam ‘bêbados’ na floresta, segundo estudo

by Fesouza
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Chimpanzés selvagens em Uganda ficam embriagados com frequência. É o que pesquisadores da Universidade da Califórnia confirmaram, por meio de testes de urina. O estudo, publicado na revista científica Biology Letters nesta quarta-feira (25), detectou a substância etil glicuronídeo (rastro deixado pelo álcool no corpo) em 17 de 20 amostras analisadas no Parque Nacional Kibale.

Os dados revelam que esses primatas consomem uma quantidade de etanol comparável a duas doses padrão de bebida alcoólica humana num período de 24 horas. Essa descoberta dá peso à “hipótese do macaco bêbado”, sugerindo que o hábito de comer frutas fermentadas é uma característica da evolução dividida entre humanos e grandes primatas.

Testes laboratoriais comprovam a presença de metabólitos de etanol em primatas selvagens

O que deixa os chimpanzés embriagados é a maçã-estrela africana (Gambeya albida), fruta que sofre fermentação natural enquanto ainda está na árvore. Embora as frutas sozinhas tenham pouco álcool, parte dos chimpanzés analisados chegam a comer 4,5 kg de polpa por dia. Além disso, o estudo apontou que machos adultos apresentaram resultados positivos com mais frequência do que fêmeas e jovens.

Chimpanzé em árvore comendo fruta que deixa ele bêbado
Por dia, chimpanzés analisados comem quase 5 kg de maçã-estrela africana, cuja fermentação natural deixa eles embriagados (Imagem: Aleksey Maro/UC Berkeley)

Testes em laboratório serviram para comprovar a presença desses restos de álcool nos animais. O trabalho de campo ocorreu em agosto de 2025, liderado pelo pesquisador Aleksey Maro, que monitorou 19 chimpanzés da espécie Pan troglodytes.

  • Coleta: Foram usadas hastes com bolsas plásticas para pegar a urina diretamente ou de poças no chão;
  • Substituição: Esse método foi utilizado porque o uso de bafômetros é impossível em ambiente selvagem;
  • Análise: Os cientistas usaram tiras reagentes comerciais, parecidas com as aplicadas em testes toxicológicos para trabalhadores de profissões de risco.

Os exames mostraram que 85% dos chimpanzés testados tinham níveis de álcool superiores a 300 nanogramas por mililitro. Essa alta concentração prova que o organismo dos animais realmente processa o álcool.

Implicações evolutivas

Pesquisas futuras agora devem checar se o álcool altera o comportamento agressivo ou os ciclos de fertilidade nas comunidades de primatas. Segundo Robert Dudley, coautor do estudo, as concentrações achadas superam limites usados em análises médicas e criminais para humanos.

Ainda é preciso descobrir se os animais escolhem de propósito as frutas com mais álcool. A descoberta também abre caminho para estudar o consumo em outras espécies, como os morcegos frutívoros

No geral, o estudo reforça a teoria de que o interesse pelo álcool tem raízes biológicas ligadas à procura por comidas ricas em energia. Essa ligação pode explicar por que humanos têm predisposição para fabricar bebidas fermentadas.

(Essa matéria usou informações de Biology Letters e Universidade da Califórnia.)

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