Home Variedade Vovó gamer viraliza jogando Resident Evil Requiem aos 73 anos: “Nem é assustador”

Vovó gamer viraliza jogando Resident Evil Requiem aos 73 anos: “Nem é assustador”

by Fesouza
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Resident Evil Requiem chegou ao PC e consoles recentemente e está fazendo sucesso, com mais de 5 milhões de cópias vendidas em poucos dias. Entre as pessoas que estão aproveitando a jornada de Leon e Grace, uma jogadora em especial está se destacando nas redes sociais: a “vovó gamer” Maria de Lourdes de Souza.

Aos 73 anos, ela possui mais de um milhão de seguidores nas redes sociais e está publicando vídeos com o novo game da Capcom. No entanto, um detalhe chama a atenção: ela não sente medo dos horrores enfrentados por Grace Ashcroft no começo da jornada, o que garante momentos engraçados.

Em entrevista ao Voxel, a idosa contou como está sendo a experiência com o game, além de trazer detalhes sobre a sua rotina como criadora de conteúdo nas redes sociais.

Dona Maria gostou de Requiem, mas ainda busca jogo realmente assustador

Apesar de estar se divertindo com o novo capítulo da franquia da Capcom, dona Maria admite que ainda espera encontrar um jogo capaz de realmente assustá-la. Segundo ela, Resident Evil Requiem é divertido, mas não chega a provocar sustos de verdade.

“Eu tô gostando, mas não é muito assustador”, contou durante a entrevista. “Eu queria assustar, levantar da cadeira correndo ou dar um grito, sei lá. Mas eu não consigo, eu sou tranquila.”

A criadora de conteúdo explica que até leva pequenos sustos em alguns momentos, mas nada que a faça parar de jogar. “Acontece alguma coisinha que seria o susto na hora, mas eu não levo susto. Só penso: ‘Ah, esse aqui foi o susto que eu tinha que tomar’”, brinca.

Do interior do Paraná para a internet

A história de dona Maria começou bem longe das redes sociais. Natural de Apucarana, no Paraná, ela vive atualmente em Ilha Solteira, no interior de São Paulo, onde construiu grande parte da vida.

“Eu sou paranaense, tenho 73 anos, tenho um filho e neto nenhum até agora”, contou, rindo, em entrevista ao Voxel. “Só tenho os netos da internet mesmo.”

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Antes da fama digital, a rotina foi marcada por muito trabalho. Ela explica que começou cedo e teve poucas oportunidades de estudo. “Eu trabalhei desde os 6 anos de idade. Morei no meio do mato até os 15 anos e estudei pouco”, relembra. 

Ao longo da vida, Maria atuou em diferentes funções, como trabalho doméstico, reciclagem e serviços na prefeitura. Hoje é dona de casa e cria conteúdo na internet com a ajuda do filho, Lucas, o que mudou a sua vida na terceira idade.

A pandemia mudou tudo

A virada para o mundo dos games aconteceu durante a pandemia, quando dona Maria perdeu o emprego e começou a buscar novas atividades para ocupar o tempo. “Eu sempre joguei paciência no computador, mesmo trabalhando. Mas na pandemia eu não tinha mais nada para fazer”, explicou.

Inicialmente, ela chegou a criar um canal de culinária no YouTube, mas o projeto acabou não engrenando. Foi então que o filho teve a ideia de começar a gravar vídeos com ela jogando. “Meu filho me ensinou. A gente começou no YouTube, mas lá é meio devagar”, conta.

A mudança para o TikTok foi decisiva. “Foi lá que deu certo. Desde o primeiro dia a gente viu que estava funcionando. Graças a Deus deu tudo certo”, lembra a criadora de conteúdo.

De Roblox até Red Dead 2

Hoje, dona Maria joga uma grande variedade de títulos nos vídeos publicados nas redes sociais. Em uma breve zapeada pelo seu perfil no TikTok ou no Instagram, é possível conferir títulos que vão desde grandes lançamentos, como Nioh 3 e o já mencionado Resident Evil Requiem, até clássicos como GTA.

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Entre os favoritos estão jogos populares entre diferentes gerações de jogadores, mostrando que não existem barreiras para a diversão. “Eu gosto muito de Roblox, é bem gostoso. Também tem Fortnite, Free Fire… tem tantos que às vezes eu nem lembro”, contou.

Durante a conversa, ela também citou Red Dead Redemption 2 como um dos preferidos. Segundo dona Maria, o “jogo do cavalo” é ótimo por causa da ambientação. “Eu adoro ver o espaço grande, muito capim, muito mato, árvore, casas velhas… eu gosto muito disso.”

“Videogame é para quem quiser jogar”

Além de divertir o público, dona Maria acredita que sua presença nas redes sociais ajuda a quebrar um estereótipo ainda comum: o de que videogames seriam apenas para jovens.

Para ela, a resposta é simples. “Eu acho que videogame é de todo mundo. De criança, de jovem e de idoso também. Para quem gosta, para quem quer”, afirmou.

Segundo a criadora de conteúdo, o mais importante é que a atividade faça bem para a pessoa. “Se o idoso gosta de jogar, acha engraçado e se sente feliz, quer o quê mais? Eu sou feliz jogando, pronto, acabou.”

“Às vezes a pessoa tem vontade, mas tem vergonha por causa da idade. Não precisa disso.”

Dona Maria também deixou uma mensagem para outras pessoas mais velhas que têm curiosidade sobre videogames, mas ainda sentem vergonha ou receio de começar. “Às vezes a pessoa tem vontade, mas tem vergonha por causa da idade. Não precisa disso”, aconselhou. 

“Se tiver alguém que ajude, vai aprendendo aos poucos, vai gostando cada vez mais.” Para ela, experimentar coisas novas pode trazer descobertas inesperadas. “Vai vendo um jogo aqui, outro ali, e vai se identificando. Eu acho muito bacana.”

A rotina além dos games

Apesar da popularidade na internet, a rotina de dona Maria vai muito além dos videogames. No dia a dia, ela divide o tempo entre a casa, atividades físicas, idas na igreja e cursos na própria cidade. “Eu faço hidroginástica três vezes por semana e faço exercícios também, tipo academia”, contou.

Além disso, ela também participa de atividades culturais e educacionais, para não ficar só na frente do computador. “Eu já fiz curso de xadrez, gosto de jogar dama, dominó… gosto muito dessas coisas.”

Mesmo com a vida movimentada, Dona Maria nutre um grande apreço pelas pessoas que a acompanham online e também deixou uma mensagem para os seus netos da internet. “Eu amo todos eles de coração mesmo”, disse. “Adoro quando me chamam de vovó.”

Segundo ela, a comunidade criada em torno dos vídeos é parte fundamental da motivação para continuar produzindo conteúdo. A idosa também deseja que todos sigam aproveitando o mundo dos games, independente da idade. “Se está sendo bom, então continuem jogando.”

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