Os mercados de energia começaram a segunda-feira (9) sob forte pressão, com movimentos intensos nos preços do petróleo em meio à escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A combinação de cortes de produção por grandes produtores do Oriente Médio e temores de interrupções no transporte marítimo elevou a tensão entre investidores e operadores do mercado.
Nesse cenário, os contratos futuros do petróleo registraram altas expressivas, impulsionados principalmente pelo risco de bloqueios logísticos na região do Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde transita cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo.

Disparada do petróleo em meio à escalada do conflito
O petróleo Brent, referência global do mercado, subiu US$ 15,51 (16,7%), chegando a US$ 108,20 por barril, movimento que colocava o contrato a caminho do maior salto diário já registrado. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência dos Estados Unidos, avançou US$ 14,23 (15,7%), para US$ 105,13 por barril.
Em determinados momentos do pregão, os ganhos chegaram a ser ainda maiores. O WTI subiu até 31,4%, alcançando US$ 119,48 por barril, enquanto o Brent avançou cerca de 29%, para US$ 119,50. Na semana anterior, antes da nova disparada, o Brent já acumulava alta de 27%, enquanto o WTI havia subido 35,6%.
A valorização ocorre após reduções de produção e dificuldades logísticas na região do Golfo, agravadas pela guerra. Interrupções no transporte de navios-tanque e riscos de segurança no transporte marítimo já começaram a desacelerar atividades comerciais, afetando principalmente compradores asiáticos que dependem do petróleo do Oriente Médio.
Riscos logísticos e cortes de produção no Oriente Médio
As tensões no entorno do Estreito de Ormuz aumentaram o receio de interrupções prolongadas no fluxo global de petróleo. A região tornou-se um ponto central da crise, elevando a volatilidade nos mercados de energia.

Alguns produtores já começaram a reduzir sua produção. Iraque e Kuwait iniciaram cortes na extração de petróleo, somando-se às reduções anteriores de gás natural liquefeito do Catar, em um contexto em que o conflito vem dificultando embarques na região.
Analistas também avaliam que Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita podem ter de reduzir a produção em breve, já que a capacidade de armazenamento de petróleo nesses países estaria se aproximando do limite.
Além disso, a escalada do conflito já afeta a infraestrutura energética. A Bapco, do Bahrein, declarou interrupção por força maior após um ataque ao complexo de refinarias da companhia. O Escritório de Mídia de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, informou que um incêndio atingiu a zona industrial petrolífera da cidade após a queda de detritos.
Na Arábia Saudita, o Ministério da Defesa afirmou na rede social X que interceptou um drone que se dirigia ao campo petrolífero de Shaybah.
Medidas emergenciais e tentativas de conter a alta
Apesar da disparada inicial, os preços reduziram parte do avanço depois de relatos sobre possíveis medidas emergenciais. Segundo o Financial Times, ministros das Finanças do G7 e a Agência Internacional de Energia discutiriam uma liberação conjunta de reservas estratégicas de petróleo.
Outro fator que ajudou a aliviar temporariamente a pressão foi a decisão da Saudi Aramco de oferecer fornecimento imediato de petróleo bruto por meio de licitações.
Mesmo assim, analistas veem risco de continuidade da alta. Vasu Menon, diretor-gerente de estratégia de investimentos da OCBC em Singapura, afirmou à Reuters que a tendência dependerá da evolução do conflito.
“A menos que os fluxos de petróleo pelo Estreito de Ormuz sejam retomados em breve e que as tensões regionais diminuam, é provável que a pressão de alta sobre os preços persista”, disse.
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Contexto político no Irã influencia expectativas do mercado
O cenário político iraniano também contribuiu para aumentar a tensão entre investidores. O país anunciou a nomeação de Mojtaba Khamenei como sucessor de seu pai, Ali Khamenei, na liderança suprema do Irã, uma decisão vista como sinal de continuidade da linha dura no poder.
A indicação ocorre uma semana após o início do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel, e foi interpretada por parte do mercado como um fator que pode prolongar a crise regional.
Satoru Yoshida, analista de commodities da Rakuten Securities, disse à Reuters que a mudança política também influenciou o comportamento dos investidores. “Com a nomeação do filho do falecido líder, o objetivo do presidente dos EUA, Donald Trump, de mudança de regime no Irã tornou-se mais difícil”, afirmou.
Segundo ele, essa percepção acelerou compras no mercado, diante da expectativa de que o Irã continue fechando o Estreito de Ormuz e atacando instalações de outros países produtores de petróleo, como ocorreu na semana anterior.
O analista avalia que, nesse cenário, o WTI poderia atingir US$ 120 e até US$ 130 por barril em um período relativamente curto.
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