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O “superpoder” do olhar humano explicado pela ciência

by Fesouza
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A cor branca da esclera, parte visível ao redor da íris nos olhos humanos, pode estar ligada à forma como a espécie se comunica visualmente. Estudos científicos apontam que essa característica facilita identificar rapidamente para onde outra pessoa está olhando, o que influencia interações sociais no dia a dia.

Por muito tempo, pesquisadores associaram esse traço a um tipo de “superpoder” humano: a capacidade de transmitir informações apenas com o olhar, de maneira clara e imediata. No entanto, investigações mais recentes indicam que essa habilidade não é exclusiva da nossa espécie e também pode estar presente em outros primatas.

Foco no olho verde de uma pessoa
A cor branca dos olhos humanos fornecem um “superpoder” de comunicação (Imagem: LuckyStep / Shutterstock.com)

Contraste visual facilita a leitura do olhar

A principal explicação científica para esse “superpoder” está no contraste entre a esclera clara e a íris mais escura, o que torna a direção do olhar mais evidente. Durante anos, pesquisadores apontaram esse fator como uma vantagem evolutiva importante, permitindo uma comunicação não verbal mais eficiente.

Na prática, isso significa que humanos conseguem identificar rapidamente mudanças sutis no olhar de outra pessoa, como desvios de atenção ou reações emocionais. Esse tipo de leitura visual teria contribuído para interações sociais mais complexas ao longo da evolução.

Estudos mostram que outros primatas também têm essa habilidade

Apesar dessa vantagem aparente, pesquisas mais recentes vêm relativizando a ideia de exclusividade. Em 2019, um estudo com mais de 150 indivíduos, incluindo humanos, chimpanzés e bonobos, mostrou que mesmo com escleras mais escuras, esses primatas ainda conseguem acompanhar o olhar uns dos outros.

Os resultados indicam que o contraste entre claro e escuro nos olhos desses animais também é suficiente para permitir esse tipo de comunicação visual, ainda que de forma menos evidente para observadores humanos.

Segundo Juan O. Perea-García, da Universidade Nacional de Singapura, o acompanhamento do olhar é parte importante de comportamentos considerados tipicamente humanos, o que sugere que essa habilidade pode estar presente em outras espécies.

“O acompanhamento do olhar é um componente importante de muitos comportamentos considerados caracteristicamente humanos”, afirmou o pesquisador em um comunicado.

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Esclera branca não é tão rara quanto se pensava

Outro estudo, publicado em 2023, reforça essa mudança de perspectiva. Os pesquisadores observaram que quase 1 em cada 6 chimpanzés de um grupo específico apresentava esclera total ou parcialmente branca em pelo menos um olho.

O “superpoder” do olhar humano explicado pela ciência
O que antes se achava que era uma exclusividade humana, é na verdade algo dividido com outros primatas, mesmo que em escala menor (Imagem: Dean Drobot/Patrick Rolands/Shutterstock.com)

Além disso, mesmo pequenas áreas claras já seriam suficientes para tornar a direção do olhar mais perceptível, especialmente quando os olhos estão desviados. Isso indica que o “superpoder” associado à esclera branca pode existir em diferentes níveis entre primatas.

Assim, embora os humanos se destaquem pela visibilidade desse traço, a comunicação por meio do olhar parece ser uma habilidade mais compartilhada do que se imaginava.

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