A série da Netflix Emergência Radioativa voltou os holofotes para uma das maiores tragédias radioativas do Brasil e do mundo: o incidente com Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987. A produção, dividida em cinco episódios, reconta como o acidente aconteceu, suas consequências para a população e as reações das pessoas que tiveram contato com o material.
Na trama, é apresentada a história do manuseio incorreto de um aparelho radiológico do Instituto Goiano de Radiologia, que acabou indo parar em um ferro-velho. Dentro da cápsula radioativa, os responsáveis pelo local encontraram um pó branco que emitia um brilho azul.
Sem saber do que se tratava e impressionado com o fenômeno, o irmão do dono do ferro-velho levou o material para casa e o compartilhou com familiares — o que agravou ainda mais as consequências do acidente.
Por que reatores nucleares brilham?
A coloração azul característica do núcleo de reatores nucleares é resultado de partículas eletricamente carregadas se movendo em altíssima velocidade — maior do que a velocidade da luz naquele meio. Esse fenômeno é conhecido como efeito Cherenkov.
Em 2023, o TecMundo visitou o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), localizado no campus da Universidade de São Paulo (USP), e conversou com o Frederico Genezini, gerente do Centro do Reator de Pesquisas, sobre esse efeito de radiação. No caso da USP, o elemento utilizado é o urânio, e não o césio 137. Porém, a coloração azulada é parecida nos dois compostos. E na verdade, Genezini explica como acontece esse fenômeno visual.
“Não é a piscina que fica azulada, mas ao redor do núcleo há uma névoa azulada. Os produtos de fissão têm uma quantidade muito grande de nêutrons, eles são instáveis e tendem a querer voltar à estabilidade fazendo transformações radioativas. Nessas transformações, eles emitem elétrons de altíssima energia — elétrons de velocidades relativísticas”, argumenta.
Ele complementa dizendo que “na água, esses elétrons têm velocidade maior que a velocidade da luz, maior do que a própria luz que emite, e aí gera esse efeito de luz azulada”.
A consequência dessa interação é uma espécie de “boom luminoso”, comparável ao som gerado por um avião ao ultrapassar a barreira do som. Nesse caso, trata-se de uma quebra da “barreira da luz”, que resulta na emissão do brilho azulado, contou o cientista.
Por que azul?
Esse tipo de radiação emite mais energia nas frequências mais altas da luz visível, que correspondem à faixa do azul. Para o olho humano, o efeito se manifesta como uma coloração azul ou violeta no espectro eletromagnético.
Não é apenas o urânio ou césio-137 que apresentam esse comportamento. Outros materiais radioativos, como o Rádio, também podem emitir brilho visível em determinadas condições.
Há um reator nuclear no meio de São Paulo
O Ipen está localizado no campus da USP, no bairro Butantã, na capital paulista. O espaço mantém um reator nuclear desde 1957, o IEA-R1. Ele serve para realização de pesquisas científicas e a produção de radiofármacos.
Para saber mais sobre a visita do TecMundo a unidade, você pode conferir o material na íntegra abaixo:
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