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Maior integração com vizinhos pode fazer do Brasil uma potência militar

by Fesouza
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A guerra entre Rússia e Ucrânia está provocando um movimento de rearmamento global. Países da Europa que antes gastavam pouco com o setor militar agora mudaram de estratégia em razão das crescentes ameaçadas de novas invasões russas na região.

Um exemplo foi o anúncio da compra conjunta de cerca de mil blindados por Suécia, Noruega e Lituânia. Uma negociação que também sinaliza uma nova etapa na cooperação europeia em defesa e que poderia ser utilizada também pelo Brasil.

Estratégia nacional de defesa precisa ser repensada

  • Em artigo publicado no portal The Conversation, o professor da Universidade Internacional de La Rioja, Armando Alvares Garcia Júnior, explica como ocorre esta compra conjunta.
  • Segundo ele, mais do que um acordo logístico, trata-se de uma tentativa de racionalizar custos, acelerar entregas e fortalecer cadeias produtivas regionais.
  • Para o Brasil, que possui uma base industrial de defesa relevante, isso pode ser encarado como uma oportunidade de repensar sua estratégia de aquisições militares.
  • Atualmente, o país conta com uma parceria com a Suécia para a produção do caça Gripen.
  • Outro destaque é o blindado Guarani, desenvolvido em parceria com a Iveco e fabricado em Sete Lagoas (MG), que já está sendo exportado para países como Ghana, Argentina e Filipinas.
Maior integração com vizinhos pode fazer do Brasil uma potência militar
Brasil conta com uma base industrial de defesa relevante (Imagem: Tenente Edvaldo/Exército Brasileiro)

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Brasil precisa assumir posição de liderança

Apesar disso, o especialista aponta que o modelo brasileiro de aquisição de defesa ainda é marcado por descontinuidade, dependência orçamentária e ausência de coordenação regional. Para ele, faltam planejamento de longo prazo e estratégias integradas com outros países sul-americanos.

A consequência é que os ganhos de escala são limitados, os custos por unidade tendem a ser elevados e a sustentabilidade da base industrial nacional permanece vulnerável a ciclos políticos e cortes de verba. Em vez de apostar em soluções fragmentadas, o Brasil poderia liderar iniciativas regionais de cooperação em defesa, tanto na aquisição de equipamentos quanto no desenvolvimento conjunto de tecnologias. A América do Sul, como bloco, carece de articulações robustas nesse setor, e o Brasil tem massa crítica suficiente para impulsionar esse tipo de agenda.

Armando Alvares Garcia Júnior, professor da Universidade Internacional de La Rioja

Maior integração com vizinhos pode fazer do Brasil uma potência militar
País tem desafios importantes, como a defesa das fronteiras e a proteção da Amazônia (Imagem: sweet_tomato/Shutterstock)

O professor ainda lembra que, para o Brasil, os riscos e as ameaças são menores em relação aos europeus, mas não inexistentes. O país possui fronteiras extensas, atua em missões de paz e precisa proteger a Amazônia.

Por conta disso, uma maior integração regional e a previsibilidade nos investimentos em defesa são elementos-chave para garantir autonomia tecnológica, sustentabilidade industrial e presença geopolítica ativa. O nosso país tem uma tradição diplomática importante, mas não pode deixar as questões militares de lado.

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