O destino do cosmos ainda é incerto, mas os cientistas entendem que ele deve continuar existindo por um período que ultrapassa qualquer escala imaginável para a humanidade. Mesmo assim, estudar a evolução do universo ajuda a projetar cenários possíveis para o futuro distante.
O universo, explica Stephen DiKerby, pesquisador de pós-doutorado em Física e Astronomia na Michigan State University, em um artigo publicado no The Conversation, surgiu há cerca de 14 bilhões de anos em uma expansão rápida conhecida como Big Bang, evoluindo de um gás difuso para um conjunto complexo de estrelas e galáxias que continuam mudando ao longo do tempo.

Como cientistas tentam prever o futuro do cosmos
As previsões sobre o destino do universo partem de observações de galáxias distantes e do ciclo de vida das estrelas. Esses dados permitem traçar tendências de longo prazo, ainda que pesquisadores ressaltem os limites desse tipo de projeção.
No artigo, DiKerby lembra que “prever o futuro do universo por meio da extensão do que observamos hoje é extrapolação”, e que esse método pode falhar caso surjam fenômenos inesperados. A interpolação — conectar informações já confirmadas — oferece projeções mais seguras, mas também restritas.
Com o conhecimento atual, é possível estimar o comportamento do universo pelos próximos bilhões de anos. Em escalas ainda maiores, porém, as previsões se tornam mais incertas.
O que deve acontecer com as estrelas
O Sol ainda deve brilhar por bilhões de anos. Ele está aproximadamente na metade de sua vida, estimada em 10 bilhões de anos. Estrelas maiores e mais quentes duram menos; as menores e mais frias podem existir por trilhões de anos.

Em algumas galáxias, o gás necessário para formar novas estrelas está se esgotando. Quando a formação estelar cessa, as estrelas mais massivas explodem como supernovas. Bilhões de anos depois, estrelas médias como o Sol ejetam suas camadas externas, e as pequenas estrelas vermelhas seguem brilhando de forma modesta, até perderem luminosidade.
Com o passar de trilhões de anos, até mesmo essas anãs vermelhas desaparecerão, tornando o universo gradualmente mais escuro.
Como as galáxias devem evoluir
Galáxias crescem ao incorporar outras menores, processo que continuará no futuro. Em grandes aglomerados, centenas delas migram para um centro comum, onde ocorrem fusões que desfazem estruturas espirais e dão origem a galáxias elípticas.
Assim, tende a haver menos galáxias espirais ao longo do tempo. A Via Láctea e Andrômeda, por exemplo, devem se fundir daqui a alguns bilhões de anos. Apesar da escala envolvida, as estrelas não colidem, pois estão separadas por grandes distâncias.
Com a repetição desse processo, cada grupo galáctico deve se transformar em uma única estrutura elíptica gigante.

O que pode acontecer com o próprio universo?
A expansão iniciada pelo Big Bang continua em curso. A gravidade da matéria tende a frear esse movimento, mas observações recentes sugerem que a energia escura acelera a expansão.
DiKerby usa uma comparação simples ao explicar esse processo: “como passas se separando em uma massa que cresce”. Se essa aceleração persistir, galáxias distantes ficarão tão longe que não poderão mais ser observadas.
Nesse cenário, cada grande aglomeração galáctica se torna uma “ilha” isolada, cercada por um vazio crescente.
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Um futuro cada vez mais escuro
O cenário mais aceito hoje indica que:
- a formação de novas estrelas deve chegar ao fim;
- grupos de galáxias tendem a se fundir em grandes galáxias elípticas;
- a expansão acelerada isolará cada conjunto de galáxias do restante do universo.
O resultado é um cosmos que permanece, mas que se torna gradualmente mais escuro e silencioso ao longo de trilhões de anos.
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