Pesquisadores da China revelaram a descoberta de um novo procedimento para extrair metais como o ouro de eletrônicos usados. A técnica é descrita como mais rápida, barata e eficaz do que formas atualmente utilizadas na indústria.
O estudo publicado com os resultados foi liderado por Xiaoyue Zhou e é um trabalho conjunto do Guangzhou Institute of Energy Conversion, da Chinese Academy of Sciences e da South China University of Technology.
Se colocado em prática, o processo pode agilizar e baratear um processo importante de recuperação de metais que seriam descartados no chamado lixo eletrônico. Esse é o termo usado para o descarte de celulares, computadores e placas de circuito impresso de eletrônicos no geral.
O país asiático tem um interesse especialmente alto nesse tipo de processo, já que é uma das regiões que mais gera lixo eletrônico no mundo e também uma das fabricantes atuais de maior destaque na indústria.
Como funciona o método de extração de ouro em aparelhos
A extração de metais preciosos de eletrônicos é uma atividade feita tanto a nível industrial quanto individual. Neste último caso, a prática é chamada de “mineração urbana” e é considerada trabalhosa, já que é necessário desmontar e remover componentes de muitos aparelhos até se obter uma quantia lucrativa do material.
O mercado vê esse tipo de técnica com bons olhos especialmente em aspectos financeiros e sustentáveis — o preço desses componentes tende a ser alto e o uso dos materiais reciclados pode ser vantajoso para fabricantes.
- A técnica chinesa utiliza uma solução aquosa de peroximonosulfato de potássio e cloreto de potássio para fazer a extração dos materiais. Isso é possível em temperatura ambiente e sem a necessidade de um catalisador externo, como na modalidade atual: os próprios metais ajudam no processo de iniciar a dissolução;
- Se usados na quantidade certa, os íons dessas substâncias reagem entre si e geram outras duas: a molécula conhecida como oxigênio singleto e ácido hipocloroso. Elas são as responsáveis por “quebrar” os átomos dos metais na solução, permitindo que eles sejam isolados e posteriormente recuperados facilmente;
- Resultados publicados no estudo indicam que o método tem 98,2% de eficácia na obtenção de ouro reaproveitável e 93,4% no caso do paládio. O processo dura em torno de 20 minutos;
- Na prática, isso significa que é possível reciclar 1,4 g de ouro de um total de 10 kg de placas de circuitos impressos a um custo de US$ 72 (cerca de R$ 387 em conversão direta de moeda). Esse valor é o mais eficiente já registrado até hoje em um processo de reciclagem;
Por enquanto, ainda não há uma previsão para que a técnica seja escalada e aplicada na prática na China.
