Esqueça o velho mito de que gatos são distantes ou frios. A ciência moderna tem provado consistentemente que dividir a casa com um felino vai muito além da companhia: é uma questão de saúde pública. Novas análises indicam que a presença desses animais atua diretamente na redução do estresse, na proteção do coração e até na regeneração óssea.
Diferente do que se pensava antigamente, o benefício não vem apenas do carinho, mas de processos fisiológicos reais. Conviver com gatos altera a química do nosso cérebro e, segundo pesquisas, pode ser um fator decisivo para a longevidade.
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O “efeito felino” no coração e no estresse
Um dos dados mais impressionantes sobre a convivência com gatos vem da cardiologia. Pesquisadores do Instituto de Acidente Vascular Cerebral da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, acompanharam mais de 4.400 americanos durante uma década e apontaram que tutores de gatos têm cerca de 30% menos risco de morrer de ataque cardíaco em comparação com quem nunca teve o animal.

Isso acontece devido à regulação hormonal. Ao interagir com um gato – seja brincando ou apenas fazendo carinho –, o corpo humano reduz a produção de cortisol (o hormônio do estresse) e aumenta os níveis de oxitocina e dopamina.
Em outras palavras, o gato funciona como um “regulador emocional” biológico. Reforçando essa tese, um estudo da Washington State University demonstrou que apenas 10 minutos de interação com animais de estimação já são suficientes para produzir uma queda significativa nos níveis de estresse fisiológico.
A “biotecnologia” do ronronar
Talvez o aspecto mais fascinante para a ciência seja o ronronar. Não é apenas um som de satisfação; é uma frequência curativa.
Os gatos ronronam em uma faixa de vibração entre 20 e 140 Hertz (Hz). Segundo este artigo da Scientific American, essa frequência específica é clinicamente associada a benefícios terapêuticos em humanos, tais como:
- Regeneração óssea: frequências nessa faixa estimulam a densidade óssea e ajudam na consolidação de fraturas.
- Cicatrização de tecidos: a vibração auxilia na redução de edemas e inflamações musculares.
- Alívio da dispneia: o som rítmico pode ajudar a regular a respiração em momentos de ansiedade aguda.

Na prática, ter um gato ronronando no colo é como ter uma sessão de terapia vibracional de baixa intensidade, capaz de acalmar o sistema nervoso autônomo e baixar a pressão arterial.
Saúde mental e microbiota
Além da física, a saúde mental é a grande beneficiada. Psicólogos da Universidade de Groningen, na Holanda, identificaram que a percepção de propósito aumenta drasticamente em donos de gatos. Para quem mora sozinho ou sofre de isolamento social, o animal preenche a lacuna da “presença viva” sem a demanda social exaustiva de outras interações.

Outro ponto curioso, ainda em estudo, é a relação com a imunidade. Pesquisas preliminares sugerem que a exposição a animais domésticos desde cedo pode fortalecer a microbiota intestinal e reduzir a incidência de alergias futuras, treinando o sistema imunológico para não reagir exageradamente a alérgenos comuns.
Nem tudo são flores: cuidados necessários

Apesar dos “superpoderes” felinos, a convivência exige responsabilidade. A ciência alerta que os benefícios só existem em relações saudáveis.
A proteína Fel d 1, presente na saliva e na pele do gato, é um alérgeno potente. Pessoas sensíveis podem ter crises respiratórias que anulam o efeito relaxante do animal.
Além disso, doenças como a toxoplasmose exigem atenção, embora o risco seja mínimo em gatos que não têm acesso à rua e com higiene adequada da caixa de areia.
Por fim, gatos entediados podem desenvolver problemas comportamentais. Para ter os benefícios da companhia, o tutor precisa investir em “gatificação” (prateleiras, arranhadores e tocas).
Ou seja, se você busca uma vida com menos estresse, pressão arterial controlada e um companheiro que literalmente vibra para curar você, a ciência assina embaixo: adote um gato.
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