A Razer é uma empresa que está acostumada a lançar produtos entusiastas, e quase sempre consegue entregar resultados bons e alinhados com o preço alto. Essa é uma boa descrição para o Razer Kraken V4, um headset gamer topo de linha da marca verde, que se tornou o meu favorito nos últimos tempos, apesar dos problemas sonoras que encontrei.
Durante os últimos três meses, o Razer Kraken V4 foi o meu headset de uso primário, e confesso que fiquei bem feliz com a experiência. Faz um bom tempo que um fone gamer não me surpreende no quesito de conforto, e esse modelo conseguiu agradar bastante, por mais que eu tenha ressalvas importantes para fazer.
Design e construção
Minha última interação com um produto da linha Razer Kraken deve ter sido entre 2014 e 2015, quando as primeiras gerações dessa linha começaram a se tornar uma febre no mercado de periféricos. O conforto, que era o principal atributo desta série, se manteve, o design passou por algumas modernizações.
O Razer Kraken V4 mantém um estilo bem parecido com o do seu antecessor, o V3, e traz algumas atualizações pontuais. A mais chamativa é o logo RGB iluminado em ambas as conchas, que embora já existisse no antecessor, agora é totalmente personalizável para os usuários que adoram as luzes piscantes típicas da Razer.

Construído em plástico de boa qualidade e que evita arranhões, o Kraken V4 até pode parecer ter um material meio básico demais. De fato, ao jogar alguma luz sobre ele, há uma sensação de um caráter menos premium, mas isso é apenas a sensação, já que ele é até bem durável — desde que você não seja um ogro.
As duas conchas podem ser rotacionadas para descansar o headset a uma superfície lisa ou simplesmente melhor acomodá-lo quando pendurado no pescoço. Há também um jogo lateral de encaixe das earcups, para encaixar na cabeça, e o clássico regulador de altura, que possui marcações em ambos os lados para não deixar o aparelho torto enquanto você usa.
A parte superior do aro possui um acabamento em courino, e espuma embaixo, na região que fica em contato com a cabeça. Esse material é o mesmo usado nas conchas, ou seja, uma espuma espessa e com grande foco no conforto e na ‘respiração’ desse material para evitar irritação e suor.
Essa é uma ótima adição para o Razer Kraken V4, que se diferencia dos rivais com o tradicional couro sintético. As almofadas auriculares têm essa malha mais fina, que se encaixa bem nas orelhas e diferente do que eu pensava, não pinica, então são mais favoráveis para ficar com o fone na cabeça por algumas boas horas.

Meu único ponto contra o Razer Kraken V4 é essa iluminação insistente nas conchas, que embora fique bonita nas fotos ou no setup para impressionar os amigos, é sempre inútil. Deixar essa funcionalidade ativada apenas come mais bateria e me tira horas preciosas que eu poderia estar utilizando o fone.
Botões e microfone
Algo que me incomoda profundamente em muitos headsets é a falta de botões e opções para configurá-lo. Felizmente, o Razer Kraken V4 é recheado de botões nas duas conchas e permite uma utilização simples, principalmente por algumas características básicas que muito headset high-end não tem.
Na earcup esquerda fica o botão liga/desliga, que possui acabamento parecido com uma lixa, para melhor identificação, uma roda de volume para ajuste sonoro, microfone retrátil, mute do microfone e o conector USB Tipo-C para carregamento. Já na direita o botão de game chat/ajuste sonoro, e um para trocar o modo de conexão.

Em outras palavras, quase todo o controle do headset está no próprio headset, e os botões de volume e liga/desliga texturizados ajudam muito a manter o senso de direção correto nos ajustes. Talvez, minha única adição seria a de inserir um botão para desligar as luzes da carcaça na earcup direita, já que isso só pode ser feito pelo app.
O microfone, por sua vez, me trouxe sensações mistas. Diferente de outros modelos retráteis e destacáveis, o Razer Kraken V4 guarda seu microfone no interior, e basta puxá-lo para fazer a peça funcionar. Eu achei essa ideia muito divertida e interessante, afinal de contas eu não preciso guardar a pecinha destacável, com risco de perder ou quebrá-la.
Por outro lado, a qualidade do microfone continua como o calcanhar de Aquiles para a série Kraken. A qualidade é suficiente para conversas com amigos durante sessões de jogos, mas deixa bastante a desejar, já que o pop filter embutido não funciona tão bem, e o áudio por vezes tem uma sonoridade levemente metalizada.

Bateria
Um dos pontos que mais chamam a atenção no Razer Kraken V4 é a sua bateria bem robusta, e que desbanca até mesmo seu irmão maior, o Razer Kraken V4 Pro. O modelo que analisei teoricamente chega a 70h de bateria contínua com os efeitos RGB apagados, e suporta cerca de 35h com essa iluminação ativa.
Nos meus testes práticos, com as luzes apagadas, afinal de contas o RGB não me deu FPS adicional, eu consegui ficar cerca de 20 dias sem carregar o Kraken V4. Como eu alterno com minha caixa de som do PC, e não escuto conteúdos em volume máximo, penso que essa autonomia poderia se aproximar de um mês sem grandes dificuldades.

Conectividade
Como já era esperado de um headset topo de linha, o Razer Kraken V4 não fica atrás no quesito das conexões. O tipo de conectividade primária é naturalmente realizada por um dongle de 2,4 GHz que tem um excelente alcance, e permite com você o utilize mesmo ao se afastar por alguns cômodos do computador.
Há também o clássico Bluetooth, que nesta versão opera na protocolo 5.3, e a possibilidade de utilizar o aparelho de forma cabeada, com um USB Tipo A. É um leque de conectividade robusta, mas que ainda fica atrás da linha Astro da Logitech, em especial o Astro A30, que analisamos nos últimos meses.
Apesar disso, vale ponderar que o Kraken V4 Pro é o mais completo desse portfólio da Razer, já que acompanha um belo hub para conectividade. Inclusive, a versão Pro possui conexão simultânea entre os dispositivos, algo que o V4 base não possui.
Som e experiência de uso
Até aqui, o Razer Kraken V4 consegue ser um headset bastante proveitoso, e tem pouquíssimas questões a serem discutidas. Porém, é na qualidade sonora que as coisas ficam um pouco mais nebulosas, e preciso confessar que os padrões de sonoridade desse headset não me surpreenderam muito.
É um bom áudio? Sim, é, mas eu esperava mais. A sonoridade que eu sinto com esse produto parece uma linha reta, sem pontos impactantes. É como uma comida que funciona no dia a dia, mas feita por um restaurante que cobra caro, e você não sente o gosto dos temperos direito.

Para os gamers, isso não é uma notícia tão boa, afinal de contas eu também não senti bem a presença dos graves, então o Kraken V4 pode não ser a escolha ideal para jogadores de FPS. Talvez o ponto que mais tenha destaque é o dos médio-agudos, que na parte musical eu sinto um pouco mais das vozes e um pouco da bateria.
No software da companhia, há como ativar também o THX Spatial Audio, que aprimora o som de forma tridimensional. Em muitos fones as mudanças são pequenas, mas no Kraken vale a pena ativar, já que há uma sensação de preenchimento legal.
Aplicativo
Eu não queria falar muito sobre o Razer Synapse, o software oficial da fabricante para o Kraken V4 e seus outros produtos, mas é preciso. Por um lado, essa foi uma das melhores implementações que já usei, pois há muitas opções de customização e é bem simples entendê-lo.

Por outro, a Razer precisa melhorar o Synapse. As minhas configurações simplesmente não salvam, a cada dia eu preciso habilitar novamente o áudio espacial, ou algum perfil sonoro. Mas o que mais me irrita é o fato do app sempre ativar a iluminação do headset, e me fazer alguma porcentagem de bateria preciosa.
Vale a pena comprar o Razer Kraken V4?
O Razer Kraken V4 é um bom headset gamer sem fio, como eu já esperava, e se destaca primordialmente pelo seu conforto e bateria de longa duração. Esse produto tem valências importantes, mas peca no principal, que é a qualidade sonora sem muita presença e impacto.

Com uma bateria que pode durar mais de 20 dias, o headset vale a pena para quem almeja um fone que fique muito tempo longe da carga. As espumas nas conchas e earcups são bem confortáveis, então é um periférico que não cria incômodo na cabeça. Porém, a questão da sonoridade será decisiva para os compradores.
O Razer Kraken V4 estará disponível oficialmente no Brasil pelo preço sugerido de R$ 1.699 bem breve, mas por esse preço é difícil recomendá-lo com afinco. Por uns R$ 400 ou R$ 500 você encontra o Astro A30 e o Logitech G Pro X 2 Lightspeed, que possuem características similares.
Esse é um bom headset que vai funcionar bem para quem não exige uma qualidade de áudio grandiosa e se importa mais com conforto e autonomia de bateria.
