A IA se comporta como psicopata? Chris Pratt e Kali Reis, de Justiça Artificial, falam sobre o avanço da tecnologia

Quais são os limites da inteligência artificial? Essa questão permeia muitas das discussões atuais sobre o avanço dessa tecnologia, e o filme Justiça Artificial resolveu ir até o limite dessa questão. O longa dirigido por Timur Bekmambetov apresenta o tribunal Mercy, que conta 100% com IA. Nesse caso, a tecnologia é representada pela juíza Maddox, que, como vemos muito hoje em dia, parece exatamente com uma pessoa real.

A narrativa acompanha Chris, interpretado por Chris Pratt, enquanto ele tenta provar a sua inocência para o tribunal em apenas 90 minutos. Ao final da contagem, Maddox decide se ele vive ou morre. A principal contradição está no fato de que Chris foi um dos responsáveis por implementar essa tecnologia. O personagem conta com a ajuda de Jaq, uma policial interpretada por Kali Reis, que investiga o caso de maneira remota com ele. O Minha Série teve a oportunidade de conversar com os dois atores sobre o papel da IA na sociedade. Confira abaixo a conversa com os atores:

A perspectiva sobre IA mudou depois do filme

Kali Reis interpreta a policial Jacqueline “Jaq” Diallo em “Justiça Artificial”.

Quem não trabalha majoritariamente de forma online ou até diretamente com tecnologia, talvez não tenha ciência da velocidade do avanço da IA. Para Kali Reis, a evolução ficou clara por conta do momento em que a ferramenta estava quando o filme foi gravado e onde ela se encontra agora durante o lançamento.

“Nós lemos o roteiro e filmamos esse filme há quase dois anos. Agora, sentar aqui e falar sobre IA, sabendo onde ela estava quando filmamos e onde está hoje, realmente abriu meus olhos. Eu sabia que a tecnologia e a IA estavam avançando rápido, mas está avançando numa velocidade absurda. Foi algo muito revelador e me fez perceber o quanto precisamos estar mais atentos e aprender mais sobre isso. Com certeza abriu mais os meus olhos”, explicou a atriz.

IAs são capazes de sentir emoções?

Rebecca Ferguson interpreta a juíza de IA, Maddox.

Ao longo do filme, Maddox entra em conflito com sua própria programação. Quando questionados sobre a possibilidade da IA possuir algum sentimento similar às emoções humanas, Chris fez uma comparação um tanto quanto inesperada, mas bem justa.

“Acho que a IA entende todos os comandos necessários. Alguém perguntou uma vez ao ChatGPT o que ele faria se fosse humano, e a resposta foi algo como ‘olhar para o céu’. Existe uma teoria sobre psicopatas: eles veem algo terrível acontecer, como um acidente, observam as reações das pessoas ao redor e depois, em casa, praticam essas expressões no espelho para simular emoções que eles não conseguem sentir. Eu acho que a IA é parecida com isso. Ela não tem a capacidade real de sentir emoções. Emoções são humanas, fazem parte da nossa criação.” disse o ator.

Eu estou confinado a uma cadeira que vai me matar ao final de 90 minutos se eu não provar minha inocência. Então, todo o peso emocional do filme recai sobre mim.

Kali ainda complementou: “A IA pode fingir e simular emoções, aprendendo com a forma como nós reagimos, observando o comportamento humano e tentando parecer o mais humana possível para se conectar conosco”.

Pena de morte decidida por IA

Chris e Jaq são parceiros em “Justiça Artificial”.

Para finalizar, falamos sobre o ponto mais polêmico do filme: a decisão entre vida ou morte. Há muitos debates recentes sobre IA e ética, e o filme vai além ao incluir a pena de morte, com a decisão final sendo tomada pela ferramenta. Felizmente, ambos os atores foram completamente contra a proposta apresentada no filme.

Pratt brincou: “Ah, precisamos de mais tempo para essa pergunta… Não, brincadeira. Vamos matar mais pessoas com IA! Não estamos matando pessoas suficientes com IA!”. Em seguida continuou, em tom sério: “Acho que o sistema de justiça pode ser otimizado e se tornar mais eficiente com o uso da IA, mas não podemos terceirizar tudo para ela — e isso certamente inclui a pena de morte”.

Um papel diferente para Chris Pratt

Chris Pratt teve que atuar majoritariamente apenas por suas expressões e falas, com poucas cenas de ação corporais.

Acostumado com cenas de ação intensas, Chris Pratt é protagonista da trilogia dos Guardiões da Galáxia no MCU e de mais três filmes da franquia Jurassic World. Em “Justiça Artificial”, o ator precisou encarar o desafio de interpretar apenas com suas expressões faciais e sua voz, já que seu personagem passa a maior parte do filme em uma cadeira enquanto enfrenta seu julgamento. Desafio que foi enfrentado com maestria pelo ator.

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“Isso foi um verdadeiro desafio. Nos filmes que fiz antes, havia momentos de conflito emocional interno misturados com cenas de ação como lutas, coreografias, movimento físico. Havia um equilíbrio. Neste filme também existe esse equilíbrio, mas o meu papel é diferente. Eu estou confinado a uma cadeira que vai me matar ao final de 90 minutos se eu não provar minha inocência. Então, todo o peso emocional do filme recai sobre mim”, expressou o ator.

Ainda assim, a experiência foi recompensadora para Pratt, que ainda teve a chance de abordar um gênero diferente também, mostrando um lado seu menos conhecido.

“Foi incrível. Foi um grande desafio e o tipo de trabalho que eu mais gosto de fazer. Eu nunca tinha trabalhado no gênero de suspense de ficção científica antes. Trazer essa parte de mim para a tela, sem danças, piadas ou sequências de ação, foi algo difícil e que eu estava muito animado para encarar”, Chris relatou.

“Justiça Artificial” já está nos cinemas e é o filme ideal se você está procurando uma história descomplicada, mas ainda assim interessante. O longa equilibra bem o gênero clássico “whodunnit” enquanto adapta a investigação para uma ficção científica sobre inteligência artificial.

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