A nova aposta da DeepSeek que pode incomodar o Vale do Silício

A DeepSeek está prestes a dar seu próximo passo. E ele mira no coração do mercado de inteligência artificial (IA). A startup chinesa prepara o lançamento do V4, modelo com foco quase obsessivo em programação, área que hoje funciona como régua prática para medir o valor real de uma IA no mundo corporativo. A estreia é esperada para meados de fevereiro, segundo o The Information.

O movimento acontece num momento em que a DeepSeek deixa de ser apenas uma curiosidade técnica e passa a operar em duas frentes ao mesmo tempo. De um lado, promete desempenho comparável (ou superior) aos líderes do Vale do Silício, com custos muito menores. De outro, avança com força no “sul global”, onde modelos gratuitos e de código aberto ajudam a acelerar a adoção de IA em países historicamente deixados para trás.

DeepSeek prepara modelo V4 para desafiar hegemonia do Vale do Silício em programação

O lançamento do V4 é técnico e coreografado. A DeepSeek planeja repetir a tática usada com o modelo R1, lançado às vésperas do Ano Novo Lunar. A lógica é aproveitar um momento de atenção máxima para dominar o debate global sobre IA. E, dessa vez, com um produto mais ambicioso.

Testes internos indicam que o V4 pode superar modelos como o GPT, da OpenAI, e o Claude, da Anthropic, especialmente ao lidar com prompts de programação extensos (Imagem: Tada Images/Shutterstock)

O foco declarado do V4 é programação. Programar virou o teste definitivo para IA porque expõe limites de raciocínio, memória e consistência. Não basta responder bem, é preciso entender sistemas complexos, lidar com exceções e manter coerência em longos trechos de código. É exatamente nesse ponto que a DeepSeek aposta alto.

Testes internos indicam que o V4 pode superar modelos como o GPT, da OpenAI, e o Claude, da Anthropic, especialmente ao lidar com prompts de programação muito extensos. Este é um gargalo para desenvolvedores que trabalham em projetos grandes. Se isso se confirmar na prática, o impacto vai além do marketing.

Em relação à arquitetura, o V4 surge como o sucessor de fato do núcleo da DeepSeek. O modelo V3.2, lançado em dezembro, trouxe ganhos pontuais, mas não representou uma virada estrutural. O novo sistema preenche essa lacuna e consolida a linha evolutiva iniciada com o R1, que colocou a empresa no radar global.

Tudo isso mantém um traço central da DeepSeek: eficiência de custo. Enquanto gigantes dos EUA despejam bilhões em infraestrutura, a startup chinesa sustenta que consegue resultados semelhantes com uma fração desse investimento (o Olhar Digital já explicou até que ponto essa conversa cola). 

Seja como for, essa equação já foi suficiente para provocar volatilidade no mercado, derrubando ações de fabricantes de chips no passado. E o V4 tende a reacender essa tensão na chamada corrida armamentista da IA.

Startup chinesa ganha terreno no ‘sul global’ ao reduzir barreiras de acesso à IA

O avanço técnico da DeepSeek acontece sobre um pano de fundo desigual. Um relatório da Microsoft mostra que a adoção global de IA chegou a 16,3% da população, mas com um desequilíbrio crescente: o norte global adota a tecnologia quase duas vezes mais rápido que o sul. É nesse espaço que a empresa chinesa encontra terreno fértil.

Estudo da Microsoft aponta que a DeepSeek virou um motor de inclusão tecnológica em regiões em desenvolvimento (Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock)

Segundo o próprio estudo, a DeepSeek virou um motor de inclusão tecnológica em regiões em desenvolvimento. Ao oferecer chatbots gratuitos e modelos de código aberto, ela reduz drasticamente as barreiras de entrada para países onde preço, infraestrutura e restrições comerciais pesam mais do que sofisticação técnica.

Os números ajudam a dimensionar esse avanço. A participação de mercado da DeepSeek chega a 89% na China e é expressiva em países como Belarus (56%), Cuba (49%) e Rússia (43%). Em partes da África e da Ásia, como Etiópia, Uganda e Irã, a adoção cresce mesmo em contextos onde o uso geral de IA ainda é baixo.

Em muitos desses mercados, a expansão não acontece por escolha ativa do usuário, mas por distribuição embutida. Chatbots da DeepSeek vêm pré-instalados em celulares de fabricantes chinesas, como a Huawei, o que transforma a IA em padrão de uso, não em produto premium.

Esse modelo também tem leitura geopolítica. Ao abrir o código e facilitar o acesso, a DeepSeek funciona como uma infraestrutura alternativa em países onde plataformas ocidentais enfrentam sanções, bloqueios ou barreiras regulatórias. O contraste é: enquanto a adoção permanece baixa na América do Norte e na Europa, sob alegações de risco à segurança e privacidade, a empresa consolida influência onde outros não conseguem operar.

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Em termos simples, a DeepSeek age como uma fabricante que entrega as ferramentas e os esquemas, em vez de vendê-los sob contratos caros. Isso permite que oficinas menores compitam com grandes fábricas. E coloca a China como fornecedora central do conhecimento técnico que sustenta essa nova etapa da IA.

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