A segurança das crianças na internet só depende dos pais?

Esse é um trecho da newsletter Primeiro Olhar, disponível para assinantes do Clube Olhar Digital.
Ao longo das últimas semanas, trabalhei aqui na newsletter e no site do Olhar Digital o tema do ECA Digital. Vou resumir rapidinho, até para não ficar repetitivo aos leitores:

  • Em 17 de março de 2026, entra em vigor o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital).
  • A lei foi sancionada em 18 de setembro de 2025. O Brasil passará a dispor de um marco legal inédito voltado à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. 
  • A nova legislação traz obrigações para aplicativos, jogos eletrônicos, redes sociais e serviços digitais.
  • O ECA Digital amplia as responsabilidades das empresas que oferecem produtos e serviços digitais no mercado para sejam mais seguros quando são acessados por crianças e adolescentes. No caso do Brasil, não haverá banimento das redes sociais para alguma faixa etária.

Mas o que mudará nas redes sociais, então?

O ECA Digital destaca a supervisão parental. Será necessário vincular a conta da criança e do adolescente com menos de 16 anos à conta de adultos responsáveis. Além da supervisão parental nas redes sociais, é possível que sejam usadas diferentes maneiras de aferição de idade, como, por exemplo, a estimativa etária – algumas plataformas, inclusive, já usam esses métodos hoje. A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) definirá quais os métodos utilizados pelas plataformas para a aferição de idade.

A legislação será implementada gradualmente. Como imprensa, o Olhar Digital cumprirá seu papel de acompanhar as discussões e definições práticas. O discurso não pode ficar apenas no papel e precisamos ver diferenças na segurança digital.

Quando escrevi sobre esse tema, tive muitas trocas positivas com vocês – entre críticas e elogios. Mas, claro, sempre acaba sobrando alguma crítica menos construtiva. Muitos acabam se contaminando pelo “Fla x Flu” político e falam em “censura disfarçada de proteção às crianças”.

Dizem que tudo só depende dos pais. E que, assim, se os pais cuidarem direitinho do que os filhos estão fazendo na internet, nada de errado vai acontecer.

Hoje, vou argumentar que não é assim.

Acho que esse é um momento bastante oportuno para discutirmos esse assunto, especialmente depois do depoimento de Mark Zuckerberg na última quarta-feira. Lembrando que a Meta e outras big techs enfrentam processos judiciais nos Estados Unidos. Neste, em particular, o foco esteve na arquitetura das redes sociais. Afinal, elas foram criadas para viciar?

Temos ainda um movimento global ao redor do tema.

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou que a proteção de crianças contra os efeitos nocivos das redes sociais e da inteligência artificial será uma das prioridades do país na próxima cúpula do G-7 em 2026. Durante o AI Summit, em Nova Déli, na Índia, ele defendeu que não há razão para menores de idade serem expostos no ambiente online a conteúdos que são legalmente proibidos no mundo real. Macron busca formar uma “nova coalizão dos dispostos”.

A França lidera o movimento com a iniciativa de proibir redes sociais para menores de 15 anos, enquanto nações como Reino Unido e Alemanha avaliam medidas semelhantes devido ao caráter viciante das plataformas. O endurecimento regulatório reflete uma mudança de postura global frente aos impactos da tecnologia na saúde mental de jovens. A Austrália foi pioneira ao vetar, em 2025, o acesso de menores de 16 anos a plataformas como Facebook, Instagram e TikTok.

A seguir, elenquei alguns argumentos para explicar meu ponto de vista: juventude segura nas redes não depende só dos pais.

Argumento 1: a internet não é um ambiente seguro. E ponto!

Dados da Safernet apresentados no Dia da Internet Segura mostram que o mundo digital não é exatamente uma fortaleza:

  • Denúncias de crimes cibernéticos: a central recebeu 87.689 novas queixas, um aumento de 28,4% em relação a 2024.
  • A maior parte era relacionada a imagens de abuso e de exploração sexual infantil, com um total de 63.214 notificações. Essa é a segunda maior marca já registrada pela SaferNet, superada apenas em 2023 (71.867 notificações). Para a organização, as IAs têm contribuído para esse aumento.

No ano passado, noticiamos que denúncias de pedofilia na internet dispararam após o vídeo do influenciador Felca sobre adultização de crianças na internet. Nossa matéria de agosto, dizia:

“Criado para receber denúncias de violação de direitos humanos, incluindo crimes envolvendo pedofilia na internet, o serviço Disque 100 tem sido procurado como nunca antes — ainda reflexo do vídeo do influenciador Felca sobre adultização. Até então, o número médio de denúncias era de 15 por mês; em agosto, após a repercussão do vídeo, o canal registrou 50 casos em apenas um dia, segundo a Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo (SSP-SP)”.

Também na reportagem, trouxemos a palavra da delegada Ivalda Aleixo: “A gente passou a receber muitas denúncias depois que o assunto começou a ser explorado na última semana e é importante que as pessoas façam isso: denunciem. Temos aqui, no DHPP [Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa] uma equipe que trabalha 24 horas por dia para investigar casos de pedofilia”.

Esse exemplo reforça como é importante falar sobre o assunto.

No início de fevereiro, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, o Unicef, manifestou “crescente alarme” perante relatos de um aumento rápido no volume de imagens sexualizadas geradas por inteligência artificial.

A agência alertou que deepfakes, imagens, vídeos ou áudios criados ou alterados por IA para parecerem reais são cada vez mais usados para produzir material sexualizado envolvendo crianças.

Quem acompanha esse newsletter desde o início, se lembra das nossas primeiras edições, quando falamos muito sobre o Grok. A IA de Elon Musk inundou as redes sociais com deepfakes sexuais. Qualquer pessoa, a qualquer momento, poderia criar imagens sexualizadas de terceiros sem consentimento. A responsabilização de usuários e da empresa, inclusive, foi um assunto de bastante engajamento com vocês.

A internet, por si só, expõe crianças e adolescentes a inúmeros riscos. Com as IAs, essa exposição está aumentando.

Argumento 2: a arquitetura das redes sociais é um problema em si

A gíria “brain rot” descreve uma deterioração cognitiva e foi eleita a “palavra do ano” de 2024 pela Oxford University Press. Ao pé da letra, “brain rot” quer dizer “cérebro podre”. Resumindo, é aquela história de vários minutos passando pelo feed do Instagram ou assistindo a vídeos do TikTok – o famoso “scrolling”. Então, esses minutos viram horas…

Note: a prática não é exclusiva do público infantil ou juvenil. Mas, evidentemente, se tem mais prejuízos nessa faixa etária.

Nas palavras do Dr. Alvaro Machado Dias, professor da Unifesp e colunista do Olhar Digital News, “através da impulsividade, a gente vai preenchendo os momentos da nossa vida com checagens de coisas irrelevantes. E, através da compulsão, a gente passa horas e horas scrollando. Um movimento é de iniciação, o outro de continuidade. E na scrollagem entra esse fator perverso, pouco dimensionado em sua real importância, que é o scroll infinito. Ele tem um peso muito grande na experiência das pessoas porque dá a ilusão de que sempre existe espaço para mais. Conforme você scrolla, você sai da sua cadeia de interesses. E isso é perverso porque o que vai vir na sequência é aquele vídeo que está viralizando. Em outras palavras, a scrollagem infinita sempre termina numa espécie de estupidificação”.

Pesquisas reforçam esse ponto de vista

O hábito de assistir a vídeos curtos em dispositivos móveis está impactando negativamente o desenvolvimento cognitivo de crianças. Essa é a conclusão de pesquisadoras da Universidade de Macau.

Os trabalhos, liderados pelas especialistas Wang Wei e Anise Wu Man Sze, associam o consumo compulsivo desses conteúdos à falta de concentração, ansiedade social e insegurança, além de uma queda direta no desempenho e engajamento escolar.

As autoras conversaram com a Agência Lusa.

De acordo com a psicóloga educacional Wang Wei, o design dessas plataformas é especialmente perigoso para o público infantil. A natureza acelerada e estimulante dos vídeos curtos compete com as atividades offline.

O problema central reside no fato de que os algoritmos personalizados satisfazem necessidades psicológicas que deveriam ser supridas no mundo real, levando potencialmente ao uso patológico e ao vício.

Anise Wu Man Sze, professora de Psicologia na universisade, complementa que a superestimulação causada por esse formato prejudica o crescimento cognitivo saudável.

De forma geral, o acesso prático e gratuito a esses vídeos facilitam um “propósito funcional”: uma ferramenta de fuga de realidades desagradáveis, pressões cotidianas ou conflitos.

O estresse diário, o ambiente e até a genética contribuem para uma eventual dependência.

Ela destaca que a dependência se manifesta, principalmente, quando o uso começa a interferir em pilares básicos da saúde, como:

  • Negligência do sono e descanso.
  • Sacrifício de momentos de convivência em família.
  • Uso em momentos inadequados, como durante as aulas.

A estratégia é satisfazer as necessidades emocionais dos jovens no ambiente offline, ensinando-os a gerenciar o próprio tempo de tela.

Argumento 3: é muito fácil furar a bolha

Nesse cenário de “brain rot”, surgiram vídeos grotescos e aparentemente inofensivos feitos com inteligência artificial. Foram apelidados de “italian brain rot”, porque viralizaram inicialmente com personagens com sotaque italiano e alguns neologismos. Hoje, são várias vozes em diferentes línguas. Vamos conhecer alguns desses personagens, só para vocês terem alguma ideia do que estou falando:

  • Ballerina Cappuccina: uma bailarina que, no lugar da cabeça, tem uma xícara de cappuccino.
  • Tralalero Tralala: um tubarão de três pernas que usa tênis da Nike.
  • Bombardiro Crocodilo: meio crocodilo, meio bombardeiro militar.
  • Tung Tung Tung Sahur: um boneco de madeira.

Agora que você teve algum contexto, pode conferir “episódios” aqui, aqui e aqui.

Como disse, parece inofensivo. Parece feito para crianças. Mas, no meio das animações, há falas violentas em “esquetes” de traição, morte, assassinato, agressão…

Definitivamente, não é um conteúdo adequado para crianças de 2 anos. Certo?

Conversando com um casal de amigos, eles me relataram um caso que ilustra muito bem como a proteção das crianças, mesmo das mais novinhas, não depende apenas dos pais. Não vou identificá-los por nome, apenas compartilharei essa história. Vale destacar que é um casal que ainda não tinha permitido à filha acesso a telas. Zero!

Vamos começar com o depoimento da mãe:

“No final do ano passado, fomos à reunião de pais da escola da minha filha, que agora tem 3 anos. A professora e a coordenadora estavam preocupadas com o consumo excessivo de telas pelas crianças da turma. Fiquei tranquila naquele momento, já que ela ainda não tinha acesso a telas — com 3 anos, ela nunca tinha assistido TV, vídeos, desenhos ou filmes.

Mas, ao longo da reunião, começaram a citar frases que as crianças estavam reproduzindo em sala. Ficou evidente que não se tratava de conteúdos adequados para a idade delas. Comentaram de desenhos feitos por IA que estavam viralizando na internet e que, muitas vezes, apareciam misturados aos vídeos infantis no YouTube, sendo exibidos sem que os pais percebessem.

Cheguei em casa intrigada e fui pesquisar. Acabei descobrindo o universo do chamado “italian brain rot”, uma febre no TikTok que, até então, eu nunca tinha ouvido falar. Vi alguns vídeos, entendi do que se tratava e, com o passar dos dias, deixei o assunto de lado.

Até que, inesperadamente, ouvi minha própria filha — que não tem acesso a telas — repetir uma das frases mencionadas na reunião. Ela disse para a nossa gata: “vou te cortar, Amora”. Quando escutei aquilo, gelei.

Fiquei extremamente preocupada e levei o tema para a reunião do conselho da escola. Surgiu a sugestão de organizar uma palestra com uma das mães, que é psicóloga, para falar sobre o impacto das telas no desenvolvimento infantil. Fiquei animada com a iniciativa.

Duas semanas depois, chegou o dia da palestra. E, mais uma vez, senti frustração: apenas 10% dos pais da escola compareceram.

Como pode uma criança de menos de 3 anos ser influenciada por algo que ela nunca viu, nunca assistiu — apenas ouviu dos colegas? Aquilo me atravessou de um jeito profundo. Percebi que, mesmo quando protegemos nossos filhos dentro de casa, o mundo chega até eles por outros caminhos”.

Vamos agora ao depoimento do pai:

“O que me parecia mais preocupante nesse momento é que a tela, por si só, é usada em detrimento de outras atividades. Ela é passiva, sedentária, não estimula raciocínio, criatividade e linguagem. O uso da tela nesse sentido era minha maior preocupação: de não usar essa muleta e explorar mais atividades ao ar livre e criativas.

Eu nem imaginava que o outro ponto da tela já seria uma preocupação agora: o conteúdo. Quando a gente fala em acesso a telas, é uma infinidade de possibilidades: jogos, filmes, YouTube, desenho animado, qualquer coisa.

Ela teve acesso a conteúdos que vêm dessas telas, sem passar por nós, sem a gente ter esse esse controle. E esse conteúdo é super perigoso, falando de algo terrível para uma criança de 2 anos na época, de morte, de violência, enfim… terrível.

Você não tem controle nenhum e isso é o mais preocupante. Na sociedade atual, que você precisaria ter uma atenção maior com esse tema, as pessoas negligenciam. Ou acham que é um exagero ou não têm o cuidado ativo de entender o que está passando, o que as crianças estão vendo”.

Esse é apenas um exemplo de como é impossível controlar tudo o que chega do universo online às crianças. Imagine o susto de ver a sua filha pequena reproduzindo frases violentas que, teoricamente, ela nunca tinha ouvido!

E essa não é uma crítica a pais que liberam telas mais cedo. É um alerta de que existem conteúdos fantasiados, aparentemente inofensivos, que não são próprios para a idade. Mesmo com supervisão, muita coisa pode passar.

E, uma vez que o filho ou filha cai no scroll infinito de tela, o próximo conteúdo é uma incógnita. E a rede social não liga para quem está do outro lado. Se o algoritmo identificar que algo prendeu a atenção – seja do pai, seja da criança com o celular do pai -, vídeos daquele tipo vão se repetir num primeiro momento. Depois, seja o que o algoritmo quiser.

Argumento 4: se com supervisão temos desafios, imagine sem!

Uma situação comum: um jovem na faixa dos 10 anos tem um celular para se comunicar com os pais, colegas, amigos e navegar na internet. Teoricamente, ele ainda não teria idade para estar nas principais redes sociais.

Mas aí é aquela coisa… se algum colega estiver nesse sedutor mundo de entretenimento, fica difícil resistir – mesmo que receba orientações em casa.

Você já teve essa idade, sabe do que estou falando! E falo como alguém que foi jovem nos primórdios das redes sociais. Saudades do ICQ, do MSN e do Orkut?

Até porque, hoje, é muito fácil burlar esse baixo muro das plataformas aos mais novos.

Quarta-feira, no depoimento de Mark Zuckerberg, tivemos um diálogo interessante.

Durante a sessão, foram apresentados documentos internos indicando que a Meta estimava que cerca de 4 milhões de crianças menores de 13 anos usavam o Instagram em 2025, embora os termos da rede social proíbam contas nessa faixa etária. Zuckerberg afirmou que o cadastro exige concordância com as regras, mas reconheceu que nem todos os usuários informam dados corretos.

“Há um conjunto de pessoas que mentem sobre a idade para usar os serviços”, disse o executivo. Em seguida, o advogado da autora, Mark Lainer, fez um questionamento direto: “Você espera que uma criança de nove anos leia termos e condições?”.

Recentemente, conversei com Ricardo Lins Horta, Secretário Nacional Interino de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Você acompanhou alguns trechos aqui na newsletter. Vamos conferir mais uma fala que dialoga com o que estou argumentando:

“Agora, a conversa que a gente tem que estimular e que a gente quer que ocorra é que as famílias tenham consciência de que o mundo digital é muita coisa. Eu posso, na internet, ter vários usos muito interessantes, educativos, eu posso ter jogos eletrônicos que ajudam a desenvolver habilidades, eu posso fazer trabalhos escolares na internet, eu posso conectar com amigos, tudo bem. Mas a gente precisa que tenha uma consciência de que a autonomia da criança e do adolescente é progressiva. Se eu dou um celular para a criança, para que ela possa comunicar com o pai ou a mãe, que são separados e vivem em lares distintos, por exemplo, é muito ruim que junto com essa funcionalidade protetiva venha junto todo o risco associado da internet em ambientes que são projetados para adultos.

O ECA Digital vem para acabar com isso. Se eu começo a exigir controles etários, se eu tenho mecanismos de supervisão parental ativa melhores, os pais e as mães podem fazer no ambiente digital aquilo que sempre fizeram no ambiente físico. No ambiente offline, pais e mães, avós, tios, tias sempre tiveram que decidir: a partir de qual idade meu filho pode sair sozinho na rua? A partir de qual idade pode dormir fora de casa? A partir de qual idade pode viajar com o amiguinho? São escolhas que as famílias sempre tiveram que fazer. No fundo, antes do ECA Digital, o que estava acontecendo é que o ambiente digital estava desempoderando as famílias, porque elas não tinham sequer a oportunidade de exercer esse poder familiar. Agora, a gente vai ter mecanismos e ferramentas para que os pais e as mães consigam separar o joio do trigo, separar onde as crianças podem estar, que são ambientes desenhados para serem seguros, de outros onde elas não deveriam estar porque não foram projetadas para serem seguras para esse público”.

Se a gente define com quem, quando, como e onde as crianças podem ir no mundo físico, por que não termos o mesmo cuidado no mundo digital?

Aqui, o desafio é um pouco diferente porque o perigo está na tela. O jovem corre riscos dentro de seu próprio quarto, passando uma falsa sensação de segurança.

As crianças vão para para escolas, clubes, escolinhas de futebol, buffets, aulas de inglês, aulas de dança, coral, natação… E cobramos responsabilidade de todos esses espaços/profissionais.

Crianças e adolescentes navegam nas redes sociais e não vamos cobrar responsabilidades desses provedores de serviço? Por que eles são blindados?

Atualmente, se uma criança quiser usar uma rede social sem o conhecimento dos pais, ela é capaz de usar. E não acho que deveria ser assim.

Dando um exemplo batido, se uma criança quer ir a uma balada e sai de fininho de casa, ela será barrada na porta. Não?

O mundo digital não demanda presença em carne e osso. Demanda uma tela e poucos minutos de desatenção para que alguém se coloque em perigo.

Os pais não conseguem ter 100% de controle 100% do tempo. E caso o jovem comece a usar redes sem qualquer supervisão/orientação, mergulhará em um universo que não foi feito para ele. E que aliás, está ficando cada vez mais conturbado até para nós, adultos, com tantos crimes digitais. A diferença é que o impacto será muito maior para crianças e adolescentes.

Para fechar…

Como as redes estão hoje, não é possível ter 100% de controle sobre o que as crianças e adolescentes acessam. A partir do momento em que têm acesso ao celular ou ao computador, o mundo digital está aberto.

Diante desse cenário, há quem defenda proibir essas plataformas para crianças e adolescentes. Como vimos lá no começo, vários países vão nesse sentido. Não é o caso do Brasil, com o ECA Digital.

E aí, a alternativa me parece clara: barrar a entrada de quem não deveria estar ali sem autorização/supervisão dos responsáveis. Tendo a autorização/supervisão, é preciso se certificar de que públicos distintos terão acesso a conteúdos distintos.

Lembrando a fala do secretário Ricardo Lins Horta, “pela Constituição brasileira e pela legislação vigente, o cuidado de criança e adolescente é uma responsabilidade compartilhada. É obrigação das famílias cuidar das crianças e adolescentes, é obrigação do Estado — o poder público tem que fazer políticas públicas — mas também é da sociedade em geral, incluídas as empresas. Então, o que o ECA Digital basicamente fez foi ampliar as responsabilidades daquelas empresas que posicionam produtos e serviços digitais no mercado para que estes sejam mais seguros quando são acessados por crianças e adolescentes”.

O maior poder da família passa por uma rede social que permita a supervisão e que permita separar o que é destinado a cada faixa etária. Isso fortalece os pais, não o contrário.

O Brasil escolheu sua receita. Agora, é preciso observar atentamente para que governo, autoridades reguladoras e empresas cumpram seus papéis.

Entendo quem pensa que outras soluções sejam melhores. Espaço aberto para diálogo! Mas, ao meu ver, o que não dava mesmo era para ficar parado.

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