Nestes últimos dias de fevereiro, um alinhamento planetário pode ser observado em diversas regiões do planeta logo após o pôr do Sol. Mercúrio, Vênus, Saturno, Júpiter, Urano e Netuno estão distribuídos ao longo de uma mesma faixa do céu, formando um arco visível no começo da noite. O fenômeno pode ser observado sem necessidade de equipamentos especiais.
Eventos desse tipo costumam chamar atenção porque reúnem vários planetas visíveis ao mesmo tempo, algo que não ocorre com frequência. Além disso, a observação acontece em horário acessível, pouco depois do entardecer, o que facilita para quem deseja acompanhar sem precisar virar a noite.

Quando observar o “alinhamento planetário”
Embora o termo “alinhamento planetário” seja amplamente usado para descrever esse tipo de evento, os planetas não ficam verdadeiramente alinhados no espaço. Eles apenas parecem próximos quando vistos da Terra, já que orbitam o Sol quase no mesmo plano.
Segundo Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e colunista do Olhar Digital, a expressão “desfile de planetas” descreve melhor o que vai acontecer no fim de fevereiro.
Em resumo:
- Alinhamento planetário é um termo astronômico usado para descrever o evento em que vários planetas se reúnem, aparentemente próximos, em um lado do Sol ao mesmo tempo.
- Desfile planetário é um termo coloquial que significa, no sentido mais amplo, que vários planetas estão presentes no céu em uma noite.
Embora a principal data indicada para observação seja 28 de fevereiro, já é possível notar o alinhamento nos céus do Brasil esta semana, com a janela de visualização favorável até o início de março, variando conforme a posição geográfica de cada região.

Em muitas partes do mundo, dia 28 marcará o instante em que os planetas parecerão mais agrupados. Ainda assim, a latitude pode alterar ligeiramente o melhor período. Em alguns locais, a visualização ideal pode ocorrer dias antes ou depois.
No Hemisfério Sul, há desafios adicionais. Mercúrio e Vênus estarão imersos no brilho do crepúsculo, o que dificulta a visualização, especialmente de Mercúrio, que apresenta brilho mais discreto e permanece próximo ao horizonte.
Por aqui, o momento mais favorável começou na quinta-feira (19), quando Mercúrio atingiu seu maior afastamento aparente do Sol, cerca de 19 graus. De acordo com o guia de observação Starwalk.space, em cidades como São Paulo, o agrupamento tende a parecer mais compacto em torno de quarta-feira (25).
Quatro planetas podem ser vistos a olho nu. Vênus é o mais brilhante e fácil de identificar. Júpiter também se destaca como um ponto luminoso intenso no céu. Saturno terá brilho moderado e aparência estável. Mercúrio será o mais difícil de localizar, visível apenas por alguns minutos antes de desaparecer no horizonte. Por fim, Urano e Netuno exigem binóculos ou telescópio. Ambos têm brilho fraco e não se diferenciam facilmente das estrelas ao redor, tornando a observação mais desafiadora sem auxílio óptico.

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Onde olhar no céu
Logo após o anoitecer, os planetas estarão distribuídos de oeste para leste, formando um arco suave ao longo da eclíptica. No Hemisfério Sul, esse arco aparece inclinado com maior elevação voltada para a região norte do céu.
- Oeste / noroeste (baixo no horizonte): Mercúrio e Vênus
- Oeste / noroeste (um pouco mais alto): Saturno e Netuno
- Região norte do céu: Urano
- Leste / nordeste: Júpiter, próximo da Lua
Como o cenário muda ao longo da noite
Mercúrio e Vênus vão sumir no horizonte primeiro, seguidos por Saturno e Netuno. Urano permanece visível por mais tempo, enquanto Júpiter é o último a se pôr.
Por isso, a dica mais importante é iniciar a observação assim que o céu começar a escurecer. Com um horizonte desobstruído e condições meteorológicas favoráveis, será possível acompanhar um dos eventos astronômicos com maior impacto visual do período.
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