A Amazon lançou a Alexa em 2014. O dispositivo se tornou um verdadeiro sucesso e adentrou as casas dos consumidores. Já em 2022, o lançamento do ChatGPT trouxe a inteligência artificial para mais perto do público e fez com que a big tech tivesse que mudar sua estratégia para manter a assistente popular num mercado de tecnologia cada vez mais competitivo.
Uma das apostas foi a Alexa+, versão da assistente com IA anunciada em 2025, e o site da Alexa, lançado este ano. Mas a Amazon quer ir além e busca novas formas de tornar a assistente um item indispensável capaz de não apenas tocar música e dar lembretes, mas também entrar no dia a dia das pessoas.
Executivos da empresa detalharam a nova estratégia da Alexa em entrevista à CNN durante a CES 2026.

Amazon quer popularizar Alexa (de novo)
O lançamento do ChatGPT criou um boom de IA. OpenAI, Google, Apple e Microsoft são algumas das empresas que estão nessa corrida. A competição forçou a Amazon a rever sua estratégia.
A big tech resolveu recuperar o tempo perdido focando na Alexa. O objetivo é resgatar o impacto que a assistente tinha anos atrás, mostrando que não se trata de uma tecnologia antiga com meras atualizações.
Segundo Panos Panay, chefe de dispositivos e serviços da Amazon, o diferencial da Alexa não está apenas em comandos simples, como ligar eletrodomésticos ou tocar música, mas na capacidade de entender o contexto entre dispositivos e serviços. Para a empresa, a Alexa+ faz parte de uma aposta maior: a inteligência artificial como próxima grande plataforma de computação.
Um dos movimentos nessa direção é o lançamento do site Alexa.com, que permite ao usuário interagir com a assistente pelo navegador e continuar a mesma conversa em outros dispositivos, como as caixas Echo e o aplicativo da Alexa. A proposta lembra iniciativas recentes de empresas de IA que buscam integrar chatbots à navegação na web. O Olhar Digital deu os detalhes sobre o site aqui.

Foco da Alexa é no dia a dia
A Amazon não quer entrar na disputa para ter o modelo de IA mais avançado. De acordo com Panay, a prioridade é aplicar a tecnologia a situações práticas do dia a dia, explorando o ecossistema de dispositivos e serviços da empresa.
Ele citou dois exemplos em que a Alexa antecipa necessidades. Em um deles, ele disse à assistente que precisava de uma nova coleira para seu cachorro. Ele saiu para passear com o pet e, quando voltou, recebeu sugestões personalizadas no Echo Show.
Em outro, Panay descreveu uma ocasião em que ele e a família não conseguiram decidir um restaurante para jantar. Ele perguntou à Alexa os cinco melhores lugares onde eles gostariam de ter comido da última vez que procuraram um restaurante. A assistente deu recomendações com base nos lugares que eles já tinham visitado (e gostado) e se ofereceu para fazer uma reserva.
Ou seja, a Amazon está apostando na integração da Alexa ao dia a dia. O segredo para isso está na memória, já que o sistema consegue lembrar do contexto das perguntas e solicitações. Segundo Panay, quanto mais a assistente souber sobre você, melhor.

Estratégia deu resultado – mas tem desafios
De acordo com a Amazon, a nova versão da assistente já apresenta resultados: usuários estariam mantendo o dobro de interações em comparação com a Alexa anterior.
Porém, o desafio vai além do engajamento inicial. Dados de agosto da empresa de pesquisa Consumer Intelligence Research Partners mostrou que, mesmo depois de uma década do lançamento do primeiro Echo, as pessoas ainda usam esses dispositivos principalmente para ouvir música. Ou seja, será preciso ampliar a percepção do público sobre a utilidade da Alexa.

Levar a Alexa para fora de casa
Outro foco da Amazon é levar a Alexa para fora de casa:
- Daniel Rausch, vice-presidente das divisões de Alexa e Echo, afirmou que a empresa pretende ampliar a integração com dispositivos vestíveis, como os Echo Frames, óculos inteligentes com a assistente embutida;
- A aquisição da startup Bee, que desenvolve uma pulseira capaz de registrar conversas e gerar resumos, lembretes e sugestões, também é um passo na direção de mais conexão fora de casa;
- Segundo Rausch, funcionalidades ligadas aos dispositivos vestíveis devem ser incorporadas à Alexa nos próximos anos.
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E a privacidade? Nesse sentido, a Amazon já enfrentou críticas no passado com a pulseira Halo, descontinuada após preocupações sobre a coleta e análise de dados sensíveis.
Questionado sobre esses riscos e sobre a possibilidade de a Alexa+ ser vista como mais uma ferramenta para impulsionar compras na Amazon, Panay afirmou que a empresa oferece controles ao usuário, como a definição do tempo de armazenamento de gravações e transcrições. Para ele, a disposição do consumidor em compartilhar dados tende a aumentar quando a tecnologia entrega valor real.
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