O Google anunciou o projeto America-India Connect nesta quarta-feira (18). É um plano para interligar os Estados Unidos, a Índia e outros três continentes. A ideia é usar novos cabos submarinos de fibra óptica para que a conexão internacional seja mais rápida e não sofra interrupções.
Isso faz parte de um investimento de US$ 15 bilhões (aproximadamente R$ 78 bilhões) que a empresa diz que vai fazer na infraestrutura de inteligência artificial (IA) da Índia nos próximos cinco anos.
O plano também quer espalhar melhor o tráfego de dados no país, transformando a cidade de Visakhapatnam (Vizag) numa nova porta de entrada para a internet mundial. Além dos cabos, o Google destinou US$ 60 milhões (cerca de R$ 312 milhões) para projetos de IA que ajudam serviços públicos e pesquisas científicas.
Google constrói rotas alternativas para garantir conexão entre países
O projeto cria três caminhos submarinos que ligam a Índia a Cingapura, África do Sul e Austrália. Isso diminui a dependência de conexões que já existem em cidades como Mumbai e Chennai, o que deixa a rede nacional mais segura e resistente. Com a cidade de Vizag no mapa, o Google oferece uma alternativa poderosa para levar e trazer dados mundo afora. Essas rotas conectam o Hemisfério Sul diretamente aos grandes centros tecnológicos situados no Hemisfério Norte.
Para ligar a costa leste dos EUA à Índia, o sinal passará pela África usando sistemas de cabos chamados Equiano e Nuvem. Já o lado oeste americano será conectado por meio do Oceano Pacífico, passando pela Austrália até chegar ao território indiano. Na costa oeste da Índia, o Google está fazendo um caminho entre Mumbai e a Austrália, usando outros conjuntos de cabos submarinos. Essa estrutura garante que os dados continuem a circular pelos quatro continentes mesmo se uma rota falhar.
A Alphabet, dona do Google, planeja gastar até US$ 185 bilhões (R$ 962 bilhões) ao longo de 2026 em infraestrutura tecnológica mundo afora. Esse investimento na Índia é a maior aposta financeira que a empresa já fez no país até o momento. O objetivo é fazer com que a tecnologia chegue a todos, evitando que a falta de conexão crie um “abismo de IA” entre as pessoas (discurso parecido ao de uma iniciativa da Microsoft anunciada no mesmo contexto, diga-se). Uma rede física forte e moderna é considerada essencial para que os sistemas de IA funcionem bem.
Além da parte física, uma parceria vai usar a tecnologia do Google para treinar 20 milhões de funcionários públicos indianos. Uma plataforma digital usará IA para traduzir materiais de ensino para 18 idiomas locais diferentes. E o braço social da empresa também vai apoiar cientistas que buscam descobertas por meio de modelos avançados. Assim, o Google une a construção de cabos com o ensino de habilidades digitais para a população.
(Essa matéria também usou informações de Bloomberg.)
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