Anvisa pode suspender produtos usados em preenchimento após morte de influencer

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi notificada na última sexta-feira (5) pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp). O órgão pediu a suspensão da distribuição e comercialização de produtos à base de polimetilmetacrilato, conhecido popularmente como PMMA e usado para realizar procedimentos de preenchimento após a morte da influenciadora Aline Maria Ferreira da Silva. O prazo para resposta terminou neste domingo (7), mas ainda não há um posicionamento público da Anvisa.

Anvisa vai analisar pedido de suspensão do uso da substância (Imagem: Crédito editorial: Brenda Rocha – Blossom / Shutterstock.com)

PMMA é considerado de “máximo risco”

PMMA é uma sigla para polimetilmetacrilato, um componente plástico com diversas utilizações na área de saúde e em outros setores produtivos. Segundo o Cremesp, ele não é recomendado para fins estéticos “em virtude do elevado risco de complicações graves, irreversíveis, e até óbito dos pacientes, especialmente se administrados em grandes quantidades”.

Apesar de considerar a substância de “máximo risco”, a Anvisa permite a venda de produtos à base de PMMA para preenchimento cutâneo e muscular com finalidade corretiva estética ou reparadora. Eles podem ser comercializados em diferentes concentrações e apenas profissionais treinados e habilitados podem aplicar o produto, com a dose usada dependendo de avaliação médica.

De acordo com o órgão, há registros de produtos para essa finalidade há mais de 10 anos no país. No entanto, eles só podem ser utilizados em duas situações: para correção de lipodistrofia (uma alteração no organismo que leva à concentração de gordura em algumas partes do corpo) provocada pelo uso de antirretrovirais em pacientes com síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS); ou para correção volumétrica facial e corporal, que é uma forma de tratar alterações, como irregularidades e depressões no corpo, fazendo o preenchimento em áreas afetadas por meio de bioplastia.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) não recomenda o uso de PMMA para fins estéticos por conta do risco de complicações graves como: necroses, cegueiras, embolias, o que pode levar à morte. A longo prazo, o PMMA pode causar danos no corpo de difícil reparação. Médicos explicam que ele não é reabsorvível pelo organismo e dura para sempre. Também é impossível retirar todo o PMMA do corpo sem causar um estrago grande.

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Influenciadora Aline Maria Ferreira morreu no DF após passar por um procedimento estético (Imagem: reprodução/redes sociais)

Aplicação da substância causou morte de influenciadora

As discussões sobre o uso do produto ganharam força após a morte da influenciadora Aline Maria Ferreira da Silva.

Ela tinha 33 anos e passou por um procedimento estético para aumentar o bumbum, com a aplicação de PMMA.

Aline recebeu aplicações de 30 ml da substância em cada glúteo em 23 de junho.

No dia seguinte, começou a ter febre.

Já no dia 26, cerca de 72 horas após o procedimento, a influenciadora começou a sentir um desconforto abdominal.

A família dela entrou em contato com a clínica responsável e recebeu como resposta que esta era um reação normal.

Aline acabou desmaiando e foi levada para um hospital particular, apresentando pressão baixa e batimento cardíaco acelerado.

A paciente chegou a ser entubada, teve uma parada cardíaca e foi reanimada no dia 29.

Já no dia 2 de julho, Aline faleceu.

A polícia também investiga o caso.

As informações são do G1.

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