Artemis: três anos depois, estamos mais perto da Lua?

O ano de 2024 começou e terminou com dois baldes de água fria para a exploração espacial: o adiamento da missão Artemis 2. Primeiro para setembro de 2025, e agora, para abril de 2026, mais de três anos após a primeira missão do projeto. Mas o que devemos esperar do programa três anos após a missão que começou tudo? O Olhar Digital responde nesse especial.

O programa Artemis

Em linhas gerais, o programa Artemis visa estabelecer a presença humana na Lua novamente, mais de 50 anos depois da última missão lunar tripulada da história. 

Faz parte dos objetivos colocar a primeira mulher na Lua, já que o programa Apollo contou apenas com astronautas homens. Aliás, é daí que vem o nome da missão, já que na mitologia grega, a deusa Artemis era a irmã gêmea do deus Apollo.

Outro objetivo é colocar a primeira pessoa negra no nosso satélite natural, criando a tripulação mais diversa já vista na Lua.

Na parte científica, o principal é conseguir criar missões mais viáveis para a Lua, reduzindo os custos e criando uma presença humana constante por lá. Isso levará a construção de uma base fixa, com moradias e instalações.

Artemis III será primeira missão a levar astronautas à Lua após décadas de hiato (Imagem: Vadim Sadovski/Shutterstock)

Além disso, essa base e a experiência adquirida nas missões serão usadas para futuras missões à Marte, que seguindo o planejamento da NASA, devem começar na década de 2030.

Apesar da primeira decolagem recente, a história do programa é bem antiga. O projeto deriva do ano de 2004, mas foi cancelado diversas vezes e foi afetado pelos cortes no programa de ônibus espaciais feitos pela NASA. Foi apenas em 2017 que a Artemis entrou em desenvolvimento ativo.

Mas o caminho até aqui foi e é cheio de percalços. A NASA vem tendo problemas com orçamento e diversos atrasos e adiamentos da missão. O plano original era pousar na Lua até este ano, 2024, mas a pandemia e outros fatores causaram um adiamento, e agora a expectativa é que isso aconteça a partir de 2027.

Já deu para ter uma ideia que o programa Artemis vai muito além do que apenas colocar astronautas novamente na Lua né? Basicamente, se depender da NASA, o projeto vai moldar o futuro da explosão espacial das próximas décadas.

Durante a decolagem da missão Artemis 1, tanto o foguete quanto a plataforma de lançamento foram danificados. Imagem: NASA/Keegan Barber

Artemis 1

Para falarmos da Artemis 2, precisamos falar da missão que deu início ao programa Artemis, a 1, que ocorreu no final de 2022, e colocou a cápsula Orion e o foguete Space Launch System (SLS) juntos pela primeira vez, levando a capsula para a órbita da Lua.

Após mais de dez anos desde que começou a ser desenvolvido, o SLS foi lançado rumo à Lua no dia 16 de novembro de 2022. Formado pelo propulsor de mesmo nome e a cápsula de tripulação Orion, o megacomplexo veicular de 98 m de altura decolou da plataforma LC-39B, do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, às 3h47 (pelo horário de Brasília), dando início a tão aguardada missão Artemis 1.

Alguns dias depois ela voltou para o ponto mais próximo da Lua, onde usou a força gravitacional do satélite para voltar à Terra. No dia 5 de dezembro, a Orion realizou uma queima de motores de 207 segundos, a maior de toda missão Artemis 1, para realizar a manobra de retorno ao planeta. No mesmo dia ela registrou todos os 6 pontos da Lua visitados por humanos. 

Uma das versões do foguete SLS, da NASA, o modelo Block 1B, que será usado na missão Artemis 4, prevista para 2028, tem representado um grande desafio para a agência. Crédito: NASA

Em seu terceiro dia de missão, ela liberou as primeiras imagens da Lua. A espaçonave estava a 350 quilômetros da Terra, e 150 quilômetros da Lua. Na manhã do sexto dia, a missão Artemis 1 fez seu sobrevoo mais próximo do satélite a 100 quilômetros de distância. O momento foi transmitido pela NASA e rendeu muitas imagens da Terra vista da Lua. 

Alguns dias depois ela voltou para o ponto mais próximo da Lua, onde usou a força gravitacional do satélite para voltar à Terra. No dia 5 de dezembro, a Orion realizou uma queima de motores de 207 segundos, a maior de toda missão Artemis 1, para realizar a manobra de retorno ao planeta. No mesmo dia ela registrou todos os 6 pontos da Lua visitados por humanos.

O principal objetivo desse voo não tripulado foi testar tecnologias essenciais para todas as outras missões do Programa Artemis, como o foguete e a cápsula em si, além dos sistemas de comunicação e de suporte de vida. Estavam a bordo da espaçonave três manequins humanoides (dois femininos e um masculino) para verificar os efeitos que a exposição excessiva à radiação pode gerar no organismo humano em uma missão lunar de longa duração.

NASA disponibiliza site que acompanha a cápsula Orion em tempo real durante toda a missão Artemis 1. Imagem: Track Artemis / NASA

Artemis 2

Segundo o planejamento do Programa Artemis, a NASA vai testar uma ampla gama de novas tecnologias, sistemas e procedimentos durante a missão Artemis 2, assim como fez com a Artemis 1.

Muito disso nunca foi testado em um ambiente de voo espacial real, assim, a agência considerou um voo circunlunar a melhor e mais segura opção para a primeira missão tripulada Artemis.

Em termos gerais, Artemis 2 será semelhante à missão Artemis 1, utilizando o SLS e a espaçonave Orion em uma jornada com destino à e ao redor da Lua. Com uma tripulação a bordo, o voo ajudará a testar os sistemas centrados no ser humano, como suporte de vida, comunicações e controles de voo.

“O perfil exclusivo da missão Artemis 2 se baseará no teste de voo não tripulado Artemis 1, demonstrando uma ampla gama de capacidades do SLS e da Orion necessárias em missões espaciais profundas”, disse Mike Sarafin, gerente do projeto Artemis da NASA, em um comunicado. “Essa missão provará que os sistemas críticos de suporte à vida da Orion estão prontos para sustentar nossos astronautas em missões de longa duração à frente e permitir que a tripulação pratique operações essenciais para o sucesso de Artemis 3″.

A tripulação da Artemis II, que, pela 1ª vez, terá entre astronautas que vão em missão à Lua uma mulher e um homem negro. — Foto: NASA/DIVULGAÇÃO

Como a distância entre a Lua e a Terra é de 384.400 km (em média, já que ela eventualmente se aproxima e se distancia no decorrer de sua órbita), a espaçonave chegará a cerca de 448.400 km do nosso planeta.

De acordo com a agência, os níveis de radiação do ambiente do espaço profundo ao redor da Lua são muito mais intensos do que os encontrados na órbita baixa da Terra, onde fica a Estação Espacial Internacional (ISS). Sendo assim, a NASA precisará coletar dados sobre a capacidade da cápsula Orion de manter os astronautas seguros e saudáveis durante toda a missão.

Além de verificar os sistemas de suporte à vida da tripulação, o voo Artemis 2 será usado para testar o quão bem a Orion pode manobrar no espaço sob controle humano. 

Assim que a espaçonave atingir a órbita elevada da Terra, quase 24 horas após o lançamento, ela vai se separar de seu Estágio de Propulsão Criogênica Interina (ICPS), essencialmente o segundo estágio do SLS.

Uma vez que tenha se separado do ICPS, a tripulação usará os controles e câmeras a bordo da Orion para se alinhar com o propulsor de segundo estágio descartado, a fim de testar as qualidades de manuseio da cápsula e os sistemas relacionados.

Após esse procedimento, a espaçonave usará seu Módulo de Serviço Europeu (ESM) construído pela Airbus para executar a chamada queima de injeção translunar (TLI), uma manobra propulsiva que a colocará em uma rota em direção ao nosso satélite natural.

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A cápsula Orion e sua tripulação então viajarão 10.300 quilômetros até o lado oculto da Lua antes de embarcar em uma viagem de retorno de quatro dias à Terra.

Apesar de chegar perto, Artemis 2 ainda não pousará na Lua porque muitos dos sistemas de hardware e software, manobras e procedimentos envolvidos nas futuras missões lunares planejadas pela NASA nunca foram testados antes.

Após a Artemis 2, o que vem a seguir

Bom, depois da Artemis 2 é quando o programa deve atingir seu auge. A Artemis 3 deve colocar humanos na Lua novamente após mais de 50 anos, em um momento histórico. Atualmente, a missão está prevista para 2027, mas como mencionamos, essa é uma estimativa bastante ousada, ainda mais levando em conta os adiamentos recentes.

A SpaceX venceu um contrato com a NASA para oferecer o Starship como módulo de pouso lunar da missão Artemis 3, em 2026. Crédito: SpaceX

Essa missão contará ainda com a ajuda da SpaceX, que usará a Starship como módulo de pouso na Lua. Ou seja, a missão pode contar com a decolagem de dois dos maiores foguetes já construídos. Mas isso é assunto para outra hora, o que podemos garantir que a exploração espacial vai ter muita emoção nos próximos anos.

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