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As 10 cobras mais peçonhentas do mundo (e quais vivem no Brasil)

by Fesouza
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Se você der de cara com uma serpente na trilha, a primeira pergunta que vem à cabeça costuma ser: “será que ela é venenosa?”. Mas, para a ciência, a pergunta certa deveria ser outra: “ela é peçonhenta?”.

Embora pareça apenas um detalhe linguístico, essa diferença muda tudo na hora do perigo. Para os biólogos, a regra é clara:

  • Cobra peçonhenta (a que “ataca”): é aquela que possui a “ferramenta” completa. Ela não só produz o veneno, mas tem presas especializadas para injetar a toxina ativamente na vítima. É o caso da Jararaca, da Cascavel e da Naja.
  • Cobra venenosa (a “passiva”): ela tem toxinas no corpo, mas não possui dentes para inocular. Ela só fará mal se você tentar comê-la ou tocar em suas secreções. Ou seja: toda peçonhenta é venenosa, mas nem toda venenosa consegue te picar de verdade.

Agora que você já sabe que o perigo real mora nas presas, o Olhar Digital preparou um ranking definitivo (e assustador) com as espécies que possuem os venenos mais potentes do mundo — e quais delas você precisa evitar aqui no Brasil.

Você sabia?
Cobra ou Serpente? Cientificamente, o termo correto para todo o grupo é serpente. Mas, no Brasil, “cobra” virou o nome popular para todas elas. Na nossa lista, usamos os dois!

Ranking de cobras por letalidade, segundo o índice DL50

Para definir qual cobra é “mais venenosa”, a ciência não usa o “medômetro”, mas sim o DL50 (Dose Letal Mediana). Esse índice mede a quantidade mínima de veneno (em miligramas por quilo) necessária para matar 50% de uma população de cobaias em laboratório.

A regra aqui é inversa: quanto menor o número, mais potente é o veneno. Isso significa que uma cobra com DL50 de 0,02 mg/kg precisa de uma gotinha minúscula para causar um estrago fatal.

Mas atenção: números de laboratório não são tudo.

Embora as serpentes australianas dominem o topo químico absoluto, outras espécies matam muito mais pessoas no mundo real devido à agressividade, quantidade de veneno injetado ou proximidade com áreas urbanas.

Por isso, o ranking do Olhar Digital traz as campeãs da toxicidade (DL50) e também as lendas da periculosidade que você precisa conhecer!

1. Taipan-do-interior (Oxyuranus microlepidotus)

Taipan-do-interior (Oxyuranus microlepidotus)
Taipan-do-interior (Oxyuranus microlepidotus). Imagem: Ken Griffiths / Shutterstock
  • DL50: 0,025 mg/kg (a menor dose letal conhecida na ciência).
  • Onde vive: regiões semiáridas e remotas do centro-leste da Austrália (o “Sertão Australiano”).
  • Ação do veneno: complexa e devastadora. Possui neurotoxinas (paralisia), hemotoxinas (afetam o sangue) e enzimas que aumentam a absorção do veneno pelo corpo.
  • Dentição: proteróglifa (presas fixas e curtas na parte anterior da boca).
  • Soro antiofídico específico: Taipan Antivenom (produzido pela CSL na Austrália).
  • Tempo de socorro: crítico. Sem tratamento, a morte pode ocorrer em menos de 45 minutos.

Taipan-do-interior é a campeã absoluta. Estima-se que uma única picada carregue veneno suficiente para matar cerca de 100 humanos adultos ou 250 mil ratos. Seu veneno é neurotóxico e age ultra-rápido.

Apesar de ser uma “arma biológica” ambulante, ela é extremamente tímida e rara. Não há registros confirmados de mortes humanas porque ela vive longe de tudo (e o soro é eficaz).

2. Cobra-marrom-oriental (Pseudonaja textilis)

Cobra-marrom-oriental (Pseudonaja textilis)
Cobra-marrom-oriental (Pseudonaja textilis). Imagem: Ken Griffiths / Shutterstock
  • DL50: 0,053 mg/kg.
  • Onde vive: costa leste da Austrália (justamente onde está a maior parte da população humana).
  • Ação do veneno: principalmente hematológica. Causa uma coagulopatia de consumo rápida (o sangue perde a capacidade de coagular), levando a hemorragias internas severas e falência renal. Também possui neurotoxinas.
  • Dentição: proteróglifa (presas muito pequenas, o que faz a picada ser muitas vezes indolor e ignorada no início).
  • Soro antiofídico específico: Brown Snake Antivenom.
  • Tempo de socorro: imediato. O colapso (desmaio ou parada cardíaca) pode acontecer em poucos minutos após a picada devido à queda brusca de pressão.

A medalha de prata também é australiana. Seu veneno causa coagulopatia (o sangue vira uma gelatina ou perde a capacidade de coagular, causando hemorragias) e paralisia.

Diferente da Taipan, esta espécie é “nervosinha” e vive perto de gente, sendo responsável pela maioria das mortes por picada na Austrália.

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3. Mamba-negra (Dendroaspis polylepis)

Mamba-negra (Dendroaspis polylepis)
Mamba-negra (Dendroaspis polylepis). Imagem: Karel Bartik / Shutterstock
  • DL50: 0,28 mg/kg (extremamente potente).
  • Onde vive: savanas e colinas rochosas da África Subsaariana.
  • Ação do veneno: neurotóxico potente. A “mordida do beijo” causa paralisia respiratória completa em 45 minutos a algumas horas.
  • Dentição: proteróglifa.
  • Soro antiofídico específico: Polyvalent Antivenom (SAIMR).
  • Tempo de socorro: imediato. Sem soro, a taxa de letalidade é de 100%.

Além do veneno, ela ganha no quesito velocidade e agressividade. Pode se mover a até 20 km/h e, quando acuada, desfere múltiplos botes seguidos. O nome “negra” vem da cor do interior da boca, que ela abre para ameaçar.

4. Cobra-real (Ophiophagus hannah)

Cobra-real (Ophiophagus hannah)
Cobra-real (Ophiophagus hannah). Imagem: Kurit afshen / Shutterstock
  • DL50: 1,7 mg/kg (menos potente que as Taipans, mas ganha na quantidade).
  • Onde vive: florestas da Índia e Sudeste Asiático.
  • Ação do veneno: neurotóxico e cardiotóxico. Como ela injeta uma quantidade massiva de veneno (até 7 ml) por ser gigante, pode matar um elefante adulto.
  • Dentição: proteróglifa.
  • Soro antiofídico específico: King Cobra Antivenom (produzido principalmente pela Cruz Vermelha Tailandesa).
  • Tempo de socorro: Urgente. A falência respiratória pode ocorrer em 30 minutos.

É a maior cobra peçonhenta do mundo, chegando a 5,5 metros. Seu nome científico (Ophiophagus) significa “comedora de serpentes”, pois sua dieta base é… outras cobras!

5. Víbora-de-Russell (Daboia russelii)

Víbora-de-Russell (Daboia russelii)
Víbora-de-Russell (Daboia russelii). Imagem: Lauren Suryanata / Shutterstock
  • DL50: 0,75 mg/kg.
  • Onde vive: Índia, China e Sudeste Asiático (muito comum em plantações de arroz).
  • Ação do veneno: Hemotóxico devastador. Causa necrose, sangramento espontâneo pela gengiva e urina e falência renal aguda.
  • Dentição: solenóglifa (presas móveis e longas, igual à nossa Jararaca).
  • Soro antiofídico específico: soros polivalentes produzidos na Índia ou Tailândia (o soro brasileiro não funciona para esta espécie).
  • Tempo de socorro: rápido, mas a morte pode ser lenta e dolorosa (dias) devido à falência dos rins.

Enquanto a Taipan é tímida, a Víbora-de-Russell é agressiva e vive onde os humanos trabalham. É responsável por mais mortes humanas na Ásia do que qualquer outra serpente.

As 5 mais peçonhentas do Brasil

Embora a medalha de ouro da toxicidade absoluta (DL50) tenha ficado com a Austrália, o Brasil não deixa a desejar quando o assunto é “poder de fogo” biológico.

Nossa fauna abriga uma diversidade impressionante de serpentes, desde aquelas com venenos neurotóxicos que competem com as Najas, até as que causam necrose severa. Mas aqui, o ranking tem uma pegadinha: a cobra mais venenosa do país (a Coral) quase não causa acidentes, enquanto a “quarta colocada” em potência é a responsável por lotar os hospitais.

Do Oiapoque ao Chuí (e em uma ilha proibida no litoral paulista), estas são as 5 espécies nacionais que exigem atenção máxima!

6. Cobra-coral-verdadeira (Micrurus)

Cobra-coral-verdadeira (Micrurus)
Cobra-coral-verdadeira (Micrurus). Imagem: Vaclav Sebek / Shutterstock
  • DL50: altíssima toxicidade, comparável às Najas.
  • Onde vive: todo o território brasileiro.
  • Ação do veneno: neurotóxico. Causa visão turva, pálpebras caídas (“cara de bêbado”) e paralisia respiratória rápida.
  • Dentição: proteróglifa (presas pequenas e fixas na frente). Exige que a cobra “mastigue” para inocular bem.
  • Soro antiofídico: Soro antielapídico.
  • Tempo de socorro: Urgente, devido ao risco de parada respiratória.

É a nossa representante no pódio da toxicidade. Seu veneno é tão letal quanto o de uma Naja, atacando o sistema nervoso quase imediatamente. Porém, diferentemente da Jararaca, a Coral é tímida e possui uma boca pequena com presas fixas, o que torna difícil para ela inocular o veneno em um ataque rápido. A maioria dos acidentes acontece quando pessoas tentam manusear o animal, ignorando o aviso de suas cores vibrantes.

7. Surucucu-pico-de-jaca (Lachesis muta)

Surucucu-pico-de-jaca (Lachesis muta)
Surucucu-pico-de-jaca (Lachesis muta). Imagem reptiles4all / Shutterstock
  • DL50: moderado, mas injeta uma quantidade absurda de veneno (até 6ml).
  • Onde vive: Florestas densas (Amazônia e resquícios de Mata Atlântica no Nordeste).
  • Ação do veneno: Proteolítico (necrose), Hemorrágico e Neurotóxico (causa diarreia e bradicardia/coração lento, algo único dela).
  • Dentição: Solenóglifa (presas móveis e grandes, como agulhas hipodérmicas).
  • Soro antiofídico: O soro puro (Antilaquético) é raro. O mais comum no SUS é o Soro Antibotrópico-laquético (que serve para Jararaca e Surucucu).
  • Tempo de socorro: Rápido. É o acidente mais grave em termos de sintomas.

Além de ser a maior cobra peçonhenta das Américas (chegando a 3,5 metros), a Surucucu possui escamas cônicas na cauda que lembram a casca de uma jaca. Seu ataque é devastador não apenas pela força da picada, mas pelo volume de veneno injetado. Ela é a única cobra da lista cujo veneno causa efeitos vagais, como redução dos batimentos cardíacos e diarreia, podendo levar a vítima ao choque rapidamente.

8. Cascavel (Crotalus durissus)

Cascavel (Crotalus durissus)
Cascavel (Crotalus durissus). Imagem: sostenespelegrini / Shutterstock
  • DL50: alta toxicidade.
  • Onde vive: Cerrado, áreas abertas e secas. Não gosta muito de floresta densa.
  • Ação do veneno: Miotóxico (destrói os músculos, deixando a urina escura) e Neurotóxico (“fácies miastênica” – o olho não abre). Não costuma causar necrose local (ferida feia) como a Jararaca.
  • Dentição: Solenóglifa.
  • Soro antiofídico: Soro anticrotálico.
  • Tempo de socorro: Urgente para evitar insuficiência renal aguda (o rim para de funcionar por causa dos músculos destruídos).

Facilmente reconhecida pelo guizo na ponta da cauda, a Cascavel tem um veneno “silencioso” no local da picada: quase não dói e não incha. O perigo real é interno. As toxinas destroem as fibras musculares, liberando mioglobina no sangue, o que pode entupir os rins e causar falência renal grave. Diferente da Jararaca, que ataca por camuflagem, a Cascavel costuma avisar com seu chocalho antes de dar o bote.

9. Jararaca (Bothrops jararaca)

Jararaca (Bothrops jararaca)
Jararaca (Bothrops jararaca). Imagem: reptiles4all / Shutterstock
  • DL50: moderado.
  • Onde vive: Mata Atlântica, áreas rurais e periferias de cidades.
  • Ação do veneno: Proteolítico (apodrece a carne ao redor da picada), Hemorrágico e Coagulante.
  • Dentição: Solenóglifa (presas frontais articuladas).
  • Soro antiofídico: Soro antibotrópico.
  • Tempo de socorro: Quanto antes, melhor para evitar amputações e sequelas locais.

Se a Coral vence na química, a Jararaca vence na estatística: ela é responsável por cerca de 90% dos acidentes ofídicos no Brasil. O motivo? Sua camuflagem perfeita e adaptação a ambientes degradados, o que a coloca em contato constante com humanos e animais domésticos. Seu veneno é famoso por causar muita dor, inchaço e necrose local, podendo levar à amputação do membro atingido se o soro não for aplicado a tempo.

10. Jararaca-ilhoa (Bothrops insularis)

Jararaca-ilhoa (Bothrops insularis)
Jararaca-ilhoa (Bothrops insularis). Imagem: Badrudin15 / Shutterstock
  • DL50: estima-se que seja 5x mais potente que a jararaca comum (adaptou-se para matar aves na hora).
  • Onde vive: Exclusivamente na Ilha da Queimada Grande (SP).
  • Ação do veneno: Similar à jararaca comum, mas muito mais rápido e potente.
  • Dentição: Solenóglifa.
  • Soro antiofídico: Soro antibotrópico (ou o combinado Antibotrópico-laquético, amplamente utilizado no SUS).
  • Curiosidade: É uma das cobras mais raras do mundo.

Ela é o pesadelo e o sonho dos biólogos. Isolada na Ilha da Queimada Grande há milhares de anos, esta espécie evoluiu de forma única. Como não havia roedores no chão, ela precisou subir nas árvores e desenvolver um veneno muito mais potente para matar aves migratórias instantaneamente antes que elas voassem. Por viver em uma área restrita e proibida para turistas, não há registros oficiais de acidentes, mas sua potência é lendária.

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