A Amazon fechou um acordo para se tornar a primeira cliente da Nuton Technologies, empresa que obtém cobre usando um processo envolvendo microorganismos como bactérias. O minério será usado para abastecer indiretamente os data centers da big tech.
A parceria acontece em meio à pressão das companhias de tecnologia para garantir demanda por poder computacional e seguir competindo na corrida de IA.
Cobre extraído usando bactérias
A Nuton Technologies é o braço tecnológico da mineradora Rio Tinto. Com o acordo, a Amazon Web Services, divisão em nuvem da Amazon, se torna a primeira cliente comercial da empresa.
O diferencial da companhia é o método de biolixiviação, que extrai cobre de minérios de baixa qualidade – que seriam muito caros de produzir de outras formas – usando microorganismos naturais, como bactérias e ácido. Além disso, o processo reduz o consumo de água e as emissões de carbono em comparação com técnicas tradicionais de mineração.
O cobre destinado à Amazon virá da mina Johnson Camp, localizada a leste de Tucson, que foi reativada após anos de inatividade. O local funciona como campo de testes para a tecnologia da Nuton e, em dezembro, produziu seus primeiros cátodos de cobre utilizando esse método biológico. A estratégia permite recuperar metal de camadas de minério anteriormente consideradas economicamente inviáveis, acelerando a produção sem a necessidade de abrir novas minas – um processo que costuma levar décadas.
Amazon reforça seus data centers
Segundo o The Wall Street Journal, o cobre extraído da mina será usado indiretamente nos data centers da Amazon Web Services.
Em troca, a AWS o acordo prevê que a Amazon ofereça à Rio Tinto serviços de computação em nuvem e análise de dados. O objetivo é otimizar o desempenho do processo de extração e ampliar as taxas de recuperação do metal, ajudando a mineradora a escalar a tecnologia para outras operações nas Américas.
A parceria vem em meio à crescente pressão sobre a cadeia global de suprimentos causada pela expansão acelerada da IA e dos data centers. Na prática, cada big tech está encontrando formas de manter suas operações seguras, mesmo diante da escassez.
Cobre não dará conta das necessidades da Amazon
- O volume produzido pela Nuton para a Amazon é apenas uma fração das necessidades da empresa, já que os data centers consomem dezenas de milhares de toneladas de cobre em cabos, placas eletrônicas, transformadores e sistemas elétricos;
- A expectativa de produção é de cerca de 14 mil toneladas métricas de cátodos ao longo de quatro anos, o que não deve ser suficiente para abastecer uma única instalação de grande porte;
- Ainda assim, o movimento reflete uma tendência mais ampla de empresas de tecnologia buscando garantir acesso antecipado a matérias-primas críticas;
- A demanda por cobre vem sendo impulsionada não apenas pela expansão dos data centers, mas também pela modernização das redes elétricas, pela eletrificação dos transportes e pelo avanço das fontes renováveis de energia.
O post As IAs da Amazon serão abastecidas por… bactérias! Ou quase isso apareceu primeiro em Olhar Digital.