A participação feminina na astronomia voltou ao centro das atenções no programa Olhar Espacial exibido na sexta-feira (6). O episódio encerrou a série anual dedicada às mulheres na ciência. Para fechar a sequência, o programa recebeu duas convidadas brasileiras que tiveram seus nomes dados a asteroides.
Marcelo Zurita recebeu a educadora científica Silvana Copceski e a jovem astrônoma Nicole Oliveira Semião, conhecida como Nicolinha. As duas foram homenageadas com asteroides batizados com seus nomes, um reconhecimento raro concedido a pesquisadores e divulgadores que contribuem para o avanço do estudo desses corpos celestes. O episódio destacou como a pesquisa de asteroides também depende de iniciativas educacionais e de ciência cidadã.
Asteroides batizados em homenagem a brasileiras
O asteroide 550832 Silvanacopceski foi descoberto em 7 de julho de 2007 pelo astrônomo amador Robert Holmes no Observatório de Charleston, nos Estados Unidos. O objeto foi inicialmente registrado como 2012 TZ235 e recebeu oficialmente o nome da educadora brasileira em 25 de setembro de 2023. A homenagem reconhece o trabalho de Silvana na popularização da ciência e na formação de novos observadores de asteroides no Brasil.
Outro objeto do Sistema Solar também ganhou um nome brasileiro. O asteroide (292352) Nicolinha foi identificado inicialmente como 2006 SU218 e teve o nome oficializado em 11 de agosto de 2025. A homenagem faz referência a Nicole Oliveira Semião, jovem astrônoma conhecida internacionalmente por suas contribuições à divulgação científica e à participação em projetos de ciência cidadã voltados à detecção de asteroides.
Durante o programa, Silvana comentou a emoção de ver seu nome ligado a um objeto do Sistema Solar. “É muito emocionante assim você poder falar, né, que você batizou um asteroides”. A homenagem representa também um reconhecimento à importância das iniciativas educacionais que aproximam estudantes da pesquisa astronômica.
Ciência cidadã na busca por asteroides
Silvana Copceski atua desde 2011 na popularização da ciência e coordena no Brasil o programa Caça Asteroides, iniciativa que envolve estudantes e cidadãos na análise de imagens astronômicas para identificar possíveis novos objetos próximos da Terra. O projeto integra a rede internacional do International Astronomical Search Collaboration, organização que promove a participação pública na pesquisa espacial.
Segundo Silvana, o processo de identificação de novos asteroides exige análise cuidadosa e monitoramento contínuo. “Ao encontrar um objeto desse, que a gente chama de uma detecção de um de um possível novo asteroide, esse objeto ele é catalogado, ele é monitorado, ele é rastreado.” O acompanhamento permite confirmar se o objeto realmente se trata de um novo asteroide ainda não registrado em catálogos astronômicos.
A educadora destaca que a ciência cidadã amplia o alcance das pesquisas ao permitir a participação de pessoas fora do ambiente acadêmico. “A gente costuma dizer assim de uma forma bem clara que a ciência cidadã ela é uma ciência que todos conseguem fazer.” O modelo permite que estudantes, professores e entusiastas contribuam com análises reais utilizadas por pesquisadores.
Jovem astrônoma brasileira ganha destaque internacional
Nicole Oliveira Semião, a Nicolinha, representa uma nova geração de jovens envolvidos com a astronomia. Aos 13 anos, ela já participou da detecção de mais de 90 asteroides e atua como treinadora oficial do International Astronomical Search Collaboration. A jovem também exerce o papel de embaixadora do Asteroid Day, iniciativa internacional dedicada à conscientização sobre o estudo e o monitoramento desses objetos espaciais.
Reconhecida pela imprensa internacional como uma das astrônomas mais jovens do mundo, Nicolinha também recebeu duas vezes o prêmio Criança Prodígio da Astronomia Mundial. Ela participa de projetos educacionais e criou o Clube STEAM Nicolinha Kids, iniciativa voltada ao incentivo de crianças e adolescentes nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática.
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Para Silvana Copceski, exemplos como o de Nicolinha mostram que qualquer pessoa pode participar da construção do conhecimento científico. “Então é, foi assim, isso é ciência cidadã, é fazer ciência na prática, não importa a idade, não importa quem você é, qualquer pessoa pode fazer.”
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