Um par de asteroides com as órbitas mais rápidas já observadas no Sistema Solar pode estar prestes a provocar uma chuva de meteoros em Vênus. A conclusão vem de um estudo liderado pelo Instituto Nacional de Astrofísica (INAF) da Itália e publicado na revista Icarus.
Na Terra, o exemplo mais conhecido disso é a chuva de meteoros Geminídeas, que é causada por fragmentos do asteroide Faetonte. Já em Vênus, nenhum estudo havia proposto uma conexão convincente com asteroides. A hipótese dominante era que todas as possíveis chuvas de meteoros venusianas fossem alimentadas exclusivamente por cometas, como o Halley.
Em resumo:
- Um estudo sugere que os asteroides mais velozes do Sistema Solar podem gerar meteoros em Vênus;
- São duas rochas que orbitam o Sol ao longo de 115 dias;
- Os objetos apresentam órbitas e composições muito semelhantes entre si;
- Fragmentação provável causada por calor extremo e efeito Yorp;
- Milhares de fragmentos minúsculos ainda podem atingir a atmosfera venusiana;
- Próximo evento ocorrerá em julho.
Asteroides mais velozes do Sistema Solar têm mesma origem
Os asteroides em questão são 2021 PH27 e 2025 GN1. Eles completam uma volta ao redor do Sol em apenas 115 dias – muito mais rápido que a Terra, que leva um ano. Esses corpos pertencem ao grupo Atira, formado por objetos que circulam totalmente dentro da órbita da Terra. Entre todos os asteroides conhecidos, esses são os que têm o período orbital mais curto.
Suas órbitas são quase idênticas, além das composições semelhantes. Essa coincidência é considerada improvável do ponto de vista dinâmico, o que levou os cientistas a sugerirem um progenitor comum. O corpo original teria se fragmentado relativamente há pouco tempo em termos astronômicos, gerando não apenas os dois asteroides principais, mas também pequenos detritos capazes de atingir Vênus.
Para investigar essa possibilidade, os pesquisadores simularam a evolução das órbitas do par ao longo do passado. “Considerando que suas órbitas passam muito perto de Vênus, é natural questionar se fragmentos muito pequenos, da ordem de um milímetro, gerados pela fragmentação do corpo original, ainda poderiam estar em órbita ao redor do Sol”, disse Albino Carbognani , pesquisador do INAF e principal autor do estudo, em um comunicado. “Nossas simulações confirmam que isso é de fato possível”.
Os resultados também mostraram o que não provocou a quebra do asteroide original. Segundo a pesquisa, a fragmentação não pode ter sido causada pelas marés exercidas por Vênus, mesmo considerando múltiplas passagens próximas ao longo do tempo. Tampouco as marés solares teriam sido suficientes para desencadear o processo, já que as distâncias mínimas nunca chegaram ao limite crítico.
Calor extremo fragmentou asteroide-mãe
O mecanismo mais plausível envolve o calor extremo. O asteroide progenitor teria mantido um periélio muito baixo, chegando a menos de 15 milhões de quilômetros do Sol durante milhares de anos. Nessas condições, o aumento de temperatura poderia causar fraturas térmicas e acelerar gradualmente o giro do asteroide graças ao efeito Yorp, fenômeno no qual a luz solar absorvida e reemitida faz o corpo girar cada vez mais rápido. Em determinado ponto, a rotação pode exceder o limite estrutural do objeto, levando à ruptura.
A fragmentação teria ocorrido entre 17 mil e 21 mil anos atrás, um intervalo pequeno demais para que Vênus tivesse alterado significativamente as órbitas dos dois asteroides. Nesse evento, inúmeros fragmentos milimétricos teriam sido lançados no espaço, e parte deles pode ainda estar na região, já que a radiação solar não teve tempo de removê-los totalmente.
Como a órbita da dupla passa a apenas dois milhões de quilômetros de Vênus, esses fragmentos podem atingir a atmosfera do planeta e produzir meteoros, como no caso das Geminídeas na Terra.
Chuva de meteoros em Vênus é difícil de ver da Terra
A próxima data em que esse encontro orbital se torna mais favorável é 5 de julho de 2026. No entanto, observar meteoros em Vênus é um desafio. Apenas aqueles extremamente brilhantes, com luminosidade comparável à da Lua cheia, poderiam ser detectados da Terra.
Embora 2021 PH27 e 2025 GN1 não representem qualquer ameaça ao nosso planeta, eles são monitorados porque ajudam a revelar como processos vistos em nosso céu podem ter equivalentes em outros mundos.
Além dos pesquisadores do INAF, o trabalho teve a participação de membros do Centro de Coordenação de NEOs da Agência Espacial Europeia (ESA), de universidades da Espanha e do Observatório Nacional de Astronomia Óptica e de Raios‑X da Fundação Nacional de Ciências dos EUA (NSF NoirLab), no Havaí.
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