Astronautas em perigo na volta à Lua? NASA evita detalhar riscos da missão Artemis 2

Conforme noticiado pelo Olhar Digital, em uma coletiva de imprensa concedida nesta quinta-feira (12), a NASA confirmou que a missão Artemis 2 deve decolar na primeira semana de abril, enviando quatro astronautas para uma viagem de 10 dias ao redor da Lua. No encontro, um dos temas discutidos foi a segurança e o real nível de risco que a tripulação vai enfrentar durante a jornada.

Missões espaciais tripuladas sempre envolvem riscos. Mesmo com décadas de experiência e avanços tecnológicos, levar pessoas ao espaço continua sendo uma tarefa complexa. Cada lançamento exige anos de preparação, testes rigorosos e análises detalhadas de segurança.

Em resumo:

  • NASA concede entrevista coletiva sobre a missão Artemis 2;
  • Lançamento está previsto para início de abril; 
  • Na ocasião, quatro astronautas viajarão ao redor da Lua;
  • Viagem durará cerca de dez dias;
  • Agência evita divulgar números exatos de risco;
  • Histórico mostra que a exploração espacial ainda envolve variedade de perigos.
Foguete SLS na plataforma de lançamento, pronto para decolar com os astronautas da missão Artemis 2, da NASA, rumo à Lua. Crédito: NASA

Cálculo precisa dos riscos da missão Artemis 2 é impossível

No caso da Artemis 2, os especialistas da NASA reconhecem que ainda existe um grau maior de incerteza, já que o programa Artemis está apenas no começo e conta com apenas um número pequeno de missões realizadas até agora. Durante a coletiva de imprensa, foi explicado que não é possível apresentar um número exato para o risco da missão, uma vez que estimativas confiáveis dependem de mais dados e mais lançamentos realizados.

A avaliação é de Lori Glaze, administradora associada interina responsável pela área de desenvolvimento de sistemas de exploração da agência. Para ela, divulgar probabilidades muito específicas neste momento poderia criar uma falsa impressão de precisão.

A coletiva ocorreu após a chamada revisão de prontidão de voo, etapa em que engenheiros e gestores analisam todos os sistemas envolvidos na missão. Nesse processo são avaliados desde o foguete até os equipamentos que garantirão a segurança da tripulação.

Os quatro membros da missão Artemis 2 entraram juntos na cápsula Orion durante um treinamento feito em 31 de julho de 2025, no Centro Espacial Kennedy, da NASA, na Flórida. Crédito: NASA/Rad Sinyak

NASA usa dados históricos para estimar perigo

Mesmo com a conclusão dessa revisão, jornalistas pressionaram os responsáveis pela missão para que apresentassem números mais concretos sobre os riscos. Um dos participantes da entrevista, John Honeycutt, presidente da equipe de gerenciamento da Artemis 2, explicou que alguns dados históricos podem ajudar a entender o contexto. Segundo ele, foguetes totalmente novos costumam ter cerca de 50% de chance de sucesso em seu primeiro lançamento.

Esse poderia ter sido o cenário enfrentado pela missão Artemis 1, realizada no final de 2022. Na ocasião, o complexo veicular Space Launch System (SLS) do programa levou uma cápsula Orion não tripulada para uma viagem ao redor da Lua, em um voo considerado bem-sucedido. A nave completou a trajetória planejada ao redor do satélite natural da Terra e retornou em segurança, permitindo que engenheiros testassem sistemas importantes.

Em programas espaciais com lançamentos frequentes, as estatísticas costumam melhorar com o tempo. Após os primeiros voos, a taxa média de falhas pode cair para cerca de dois por cento, o que significa, em média, um problema a cada cinquenta missões. No entanto, esse tipo de cálculo não se aplica perfeitamente ao programa Artemis, que possui um ritmo de missões mais lento.

Entre a primeira missão e a Artemis 2 há um intervalo de cerca de três anos e meio. Esse período mais longo dificulta a criação de estimativas estatísticas confiáveis. Por causa disso, Honeycutt afirmou que a equipe prefere evitar divulgar probabilidades exatas. Segundo ele, qualquer número apresentado agora poderia levar a interpretações equivocadas sobre o verdadeiro nível de risco.

Tripulação da missão Artemis 2, formada pelo canadense Jeremy Hansen (primeiro, da esq. para a direita), Victor Glover, Reid Wiseman e Christina Koch. Crédito: James Blair/NASA

Missão de pouso na Lua tem pouco mais de 3% de risco de falhar

Um relatório recente do Escritório do Inspetor Geral (OIG) da agência espacial também analisou os riscos associados às futuras missões do programa. De acordo com o documento, uma missão tripulada rumo à superfície da Lua pode apresentar risco aproximado de uma falha a cada trinta missões (ou seja, em torno de 3,33%).

Durante as operações próximas ao satélite natural da Terra, o risco estimado seria de cerca de uma falha a cada quarenta missões. Esses números são maiores do que os registrados em missões atuais que levam astronautas até a Estação Espacial Internacional.

No passado, os riscos eram ainda mais altos. Durante o programa Apollo, que levou os primeiros seres humanos à Lua entre 1969 e 1972, o risco estimado de perda de tripulação era de aproximadamente uma missão em cada dez.

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Situação parecida ocorreu no programa dos ônibus espaciais dos EUA. Durante anos acreditou-se que o risco de morte da tripulação era de uma missão em cada cem. No entanto, estudos posteriores indicaram que, nos primeiros voos desse programa, o número real também estava próximo de uma missão em cada dez.

Esse histórico ajuda a explicar a cautela atual da agência ao divulgar números sobre segurança. Estimativas feitas com poucos dados podem mudar bastante conforme novas missões são realizadas.

Outro desafio é que os perigos no espaço são variados. Entre eles estão falhas técnicas, impactos de micrometeoros e fragmentos de lixo espacial que circulam ao redor da Terra em alta velocidade.

Honeycutt lembrou ainda que os acidentes mais conhecidos da história da exploração espacial ocorreram em momentos diferentes do voo. Ele citou os desastres dos ônibus espaciais Challenger e Columbia, que resultaram na morte de quatorze astronautas.

Esses episódios mostram que a exploração espacial continua sendo uma atividade arriscada, mesmo com tecnologia avançada e protocolos de segurança rigorosos. Ainda assim, especialistas afirmam que cada nova missão permite aprimorar os sistemas e tornar as próximas viagens espaciais gradualmente mais seguras. 

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