Astrônomos conseguiram confirmar pela primeira vez a existência de um planeta errante ao determinar com precisão sua distância e massa. O objeto, com tamanho próximo ao de Saturno, está localizado a cerca de 10 mil anos-luz da Terra, na direção do centro da Via Láctea, e não orbita nenhuma estrela.
Planetas desse tipo ainda são pouco compreendidos pela ciência. Diferentemente dos mundos ligados a estrelas, eles vagam sozinhos pelo espaço. A nova detecção representa um avanço importante porque, até agora, observações desse tipo não permitiam confirmar se esses corpos eram realmente planetas ou objetos mais massivos, como anãs marrons.
Os detalhes da descoberta foram publicados em 1º de janeiro na revista científica Science.
O que é um planeta errante?
Planetas costumam ser encontrados orbitando uma ou mais estrelas, mas evidências da existência de mundos solitários começaram a surgir em 2000. Em 2024, astrônomos identificaram um objeto que distorcia a luz de uma estrela distante, observado simultaneamente da Terra e do espaço, com apoio de observatórios terrestres e do telescópio Gaia, da Agência Espacial Europeia, já aposentado.
A partir desses dados, os pesquisadores estimaram que o corpo está a cerca de 9.950 anos-luz da Terra e tem uma massa equivalente a aproximadamente 70 vezes a da Terra. Para comparação, Saturno possui cerca de 95 massas terrestres. A combinação de observações permitiu confirmar que se trata, de fato, de um planeta errante.

Como a descoberta foi possível?
Esses planetas são extremamente difíceis de detectar porque não emitem luz suficiente para serem observados diretamente com os telescópios atuais. Por isso, os cientistas recorrem ao fenômeno conhecido como microlente gravitacional.
Quando um planeta errante passa à frente de uma estrela, seu campo gravitacional funciona como uma lente, amplificando temporariamente o brilho da estrela ao fundo. Até hoje, cerca de uma dúzia de candidatos a planetas errantes foram identificados dessa forma, mas sem informações precisas sobre distância e massa.

No novo estudo, os astrônomos observaram o evento a partir de dois pontos diferentes, o que permitiu triangular a posição do planeta. Com a distância estimada, foi possível calcular sua massa com base no tempo em que a luz da estrela permaneceu distorcida. O evento recebeu as designações KMT-2024-BLG-0792 e OGLE-2024-BLG-0516.
Por que esses planetas podem ser comuns?
Segundo os pesquisadores, planetas errantes podem ser mais numerosos na galáxia do que se imaginava. Estudos teóricos indicam que interações caóticas em sistemas planetários jovens podem expulsar mundos de suas órbitas originais. A passagem de estrelas próximas também pode desestabilizar sistemas, lançando planetas para o espaço interestelar.
Há ainda a possibilidade de alguns desses objetos se formarem de maneira isolada, a partir das mesmas nuvens de gás e poeira que dão origem às estrelas. Para Andrzej Udalski, da Universidade de Varsóvia, esse tipo de planeta pode existir em número até maior que o de estrelas na Via Láctea, conforme declarou ao site Space.com.
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Próximos passos na busca por planetas errantes
A expectativa é que novos telescópios espaciais ampliem significativamente esse tipo de descoberta. O Nancy Grace Roman Space Telescope, da NASA, com lançamento previsto para 2026, deverá varrer grandes áreas do céu em infravermelho com uma velocidade muito superior à do Hubble.
Outro projeto citado pelos cientistas é o satélite chinês Earth 2.0, planejado para 2028, que também buscará planetas errantes. Segundo Subo Dong, professor da Universidade de Pequim, a confirmação desse novo objeto reforça a ideia de que a galáxia pode estar repleta desses mundos solitários.
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