Com o objetivo de se firmar como fornecedora plena de Inteligência Artificial (IA) na China, a Baidu vem acelerando investimentos para fortalecer toda a sua infraestrutura tecnológica. A empresa desenvolve seus próprios chips, amplia centros de dados e busca ocupar o espaço deixado pelos chips avançados da Nvidia, que continuam fora do mercado chinês devido a restrições dos EUA e a políticas locais.
Mais conhecida pela ferramenta e busca, a Baidu diversificou suas áreas de atuação e hoje disputa espaço diretamente com a Huawei na corrida pela autossuficiência tecnológica da China. Uma das apostas é a divisão Kunlunxin, responsável pelos chips Kunlun AI, enquanto a subsidiária Apollo Go busca expandir serviços de robotáxi no país e no exterior.
Em resumo:
- Baidu acelera investimentos para dominar infraestrutura nacional de IA na China;
- A empresa amplia negócios e desenvolve chips próprios, disputando espaço com a Huawei;
- Seu plano quinquenal prevê novos modelos M100 e M300 fortalecendo operações;
- Venda de chips e serviços de nuvem sustentam expansão tecnológica;
- Demanda crescente da Kunlunxin contrasta com limitações técnicas enfrentadas nacionalmente.
Baidu se destaca como fornecedora “full-stack”
No fim de 2024, a Baidu apresentou um plano de cinco anos para a evolução de seus chips. O primeiro modelo da nova geração, o M100, está previsto para o início de 2026, seguido pelo M300, esperado para 2027. Hoje, a empresa usa uma combinação de chips próprios e unidades da Nvidia em seus data centers para operar seus modelos de IA, como o Ernie.
A estratégia, no entanto, vai além do uso interno. A Baidu vende seus chips para outras empresas e oferece poder computacional em sua plataforma de nuvem. Com isso, tenta se consolidar como uma fornecedora “full-stack”, entregando desde o hardware – chips, servidores e data centers – até modelos de IA e aplicações prontas para uso.
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Os resultados já começaram a aparecer. Em agosto, a Kunlunxin recebeu mais de 1 bilhão de yuans (cerca de US$140 milhões, o que correspone a aproximadamente R$748 milhões) em pedidos de fornecedores ligados à China Mobile, uma das maiores operadoras de telecomunicações do país. Analistas estimam que, até 2026, as vendas dos chips Kunlun possam crescer seis vezes, chegando a 8 bilhões de yuans (US$1,1 bilhão ou R$5,87 bilhões).
A unidade de chips da Baidu também tem recebido avaliações positivas do mercado. De acordo com a revista Exame, a consultoria Macquarie calcula que o braço de semicondutores da empresa já vale cerca de US$28 bilhões (R$149,5 bilhões), posicionando a companhia entre os principais players do setor na China.
Além da Baidu e da Huawei, empresas como a Alibaba e a startup Cambricon também correm para ampliar suas soluções de infraestrutura em IA. Todas enfrentam desafios comuns: falta de chips, alta demanda global, restrições aos produtos da Nvidia e limitações da SMIC, principal fabricante local, que ainda luta para competir com a taiwanesa TSMC, líder mundial no segmento.
EUA estudam liberar exportação de chips de IA avançados para China
Em maio, o presidente Donald Trump proibiu que tecnologias de IA desenvolvidas nos EUA fossem vendidas a grupos chineses, medida criada para conter o avanço de Pequim no setor de semicondutores.
Agora, no entanto, a Casa Branca considera ajustar essa diretriz e permitir a venda dos chips H200 da Nvidia. Segundo a Reuters, o Departamento de Comércio analisa a mudança. A empresa não comentou diretamente, mas ressalta que as regras atuais a deixam fora de um dos maiores mercados do mundo. Saiba mais detalhes aqui.
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