Beats Fit Pro: muito (muito mesmo) além do Studio Buds | Review

Aos poucos a Beats aumenta sua ainda pequena quantidade de fones de ouvido completamente sem fios, os TWS. O Beats Fit Pro é o modelo mais recente e ele oferece um visual feito para ficar mais firme na orelha, enquanto entrega recursos encontrados só nos AirPods Pro da Apple.

Isso significa a presença de um chip H1 para ajudar no pareamento e integração com produtos da Apple, junto de suporte para o áudio espacial, cancelamento ativo de ruído, proteção contra suor da pele e até chuva leve, com autonomia para algumas boas horas de música, ou em uma chamada de voz.

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Ele custa menos que os AirPods Pro e funciona bem até mesmo para quem tem um Android, mas será que vale a pena? Ele é melhor que os Studio Buds lançados anteriormente? É uma boa alternativa aos AirPods Pro? Eu sou André Fogaça e passei as últimas semanas com os Beats Fit Pro no ouvido, para te contar minha experiência nos próximos parágrafos e dizer se vale a ou não o investimento do seu rico dinheirinho nesse produto.

Review do Beats Fit Pro em vídeo

Design e estojo

Não tem como falar dos Beats Fit Pro sem lembrar e associar em algum momento com os Studio Buds. Ambos são fones de ouvido completamente sem fios, criados pela própria empresa e que compartilham muitas coisas, como isolamento ativo de ruído e a entrada USB-C para recarga do estojo.

A dupla também encaixa na orelha com ajuda de uma borracha do formato intra-auricular, mas a primeira diferença aparece por aqui e ela está em uma alça para cima. Ela é utilizada pelos fones para poder prender melhor cada lado, principalmente quando você corre ou pratica algum exercício.

Beats Fit Pro (Imagem: Mario Kurth/Olhar Digital)

Para além dessas alças, tudo que estava no Studio Buds continua por aqui e o visual é praticamente idêntico. Isso está longe de ser ruim, já que a dupla é bastante confortável no ouvido. Eu não tive qualquer dificuldade de manter os Fit Pro bem firmes no canal auditivo, mas saiba que a alça que reforça esse contato não pode ser trocada por um modelo diferente.

Por sorte ela é maleável o suficiente para que fique firme nos formatos mais distintos de orelha. Na minha experiência o conforto foi ótimo logo de cara, mas borrachas de diferentes tamanho acompanham o fone e podem ajudar na hora de isolar mecanicamente o ruído externo.

A proteção contra suor e uma chuva leve é garantida pela certificação IPX4 e o controle das músicas ou chamada de voz é feito com um único botão físico. Ele está em toda parte externa, então basta procurar o fone com o dedo e apertar. Nesse momento você também acaba pressionando mais os Beats Fit Pro para dentro do canal auditivo, então isso ajuda ainda mais na firmeza do conjunto.

Beats Fit Pro (Imagem: Mario Kurth/Olhar Digital)

Só me incomodou o barulho de “clique” que passa para dentro. É chato e nos Fit Pro me parece mais alto que nos Studio Buds. Ao menos existe esse barulho como resposta para ação de apertar o botão, sem aquela incerteza gerada por superfícies sensíveis ao toque.

O estojo é maior que nos Studio Buds, muito maior do que o dos AirPods Pro, mas ainda é confortável para ficar em uma bolsa ou no bolso mesmo – no último exemplo ele vai marcar o local, claro. Uma coisa que me irritava bastante nos Powerbeats Pro era o encaixe dos fones dentro do case, que muitas vezes não era perfeito e a recarga não acontecia.

Beats Fit Pro (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Neste modelo, durante todos os dias de uso, eu não passei pelo mesmo dilema. Muito provavelmente a Beats alinhou os imãs que puxam os fones pro local certo, ao ponto de sempre encaixar da forma necessária para energia poder ser enviada. Mandaram bem, mas…por outro lado, a parte de cima no lado interno me passa a sensação de que o estojo poderia ser menor.

Recursos e conexão

Com ele, o estojo, você faz a conexão com iPhone ou Android de forma rápida. No lado da Apple o chip H1 facilita esse processo e ele permite até mesmo mudar de iPhone para um iPad ou Mac de forma automática, desde que todos estejam com a mesma Apple ID. Isso acontece com os dados que ficam dentro do iCloud, algo inexistente para quem tem Android, mas que não tá tão desamparado.

Beats Fit Pro (Imagem: Mario Kurth/Olhar Digital)

Por aqui basta abrir o case e apertar o único botão dele para um card aparecer. Seria melhor se esse fone fosse compatível com o Google Fast Pair, algo que os Studio Buds são. Se fosse, essa parte de apertar o botão não seria necessária.

Voltando pro pessoal da Apple, como o chip H1 está presente, o Beats Fit Pro entra automaticamente na rede Find My e a Siri vem integrada por padrão, lendo suas mensagens, notificações e atendendo aos comandos por voz.

Toda a parte de configurações, que no Android é feita por um app separado, no iOS vai direto no sistema operacional. Essa integração, além do próprio chip H1, também está presente nos AirPods Pro.

Música e isolamento de ruído

Olhando para música, eu senti que a qualidade sonora segue a mudança recente da Beats nos últimos anos e continuo adorando tudo isso. De forma resumida, desde que a Apple comprou a marca, a fabricante resolveu mudar a equalização dos fones, que sempre reforçavam os graves para atender muito bem quem ama música eletrônica…que sempre foi o público dos Beats.

De lá pra cá o som ficou mais equilibrado, mas sem abandonar o reforço dos graves. Olhando pros AirPods Pro, eu senti basicamente a mesma qualidade sonora, mas com menos graves.

Eu senti muito bem os agudos presentes, os médios também. Na música Dark All Day, de Gunship, todos os instrumentos e os sons eletrônicos dos sintetizadores estão marcados. Isso inclui os graves também. Em Los Angeles, do The Midnight, o começo com aquela cara de anos 80 e sons bem médios ficou ótimo.

Beats Fit Pro (Imagem: Mario Kurth/Olhar Digital)

De forma bem resumida: a Beats conseguiu manter um equilíbrio para que praticamente todas as frequências fiquem muito bem representadas, sem uma sobressair a outra e…ainda assim, tem aquela assinatura de graves fortes para você não esquecer que tá com um Beats no ouvido.

O suporte pro Dolby Atmos é bacana, mas faz mais sentido em um filme, já que nas músicas eu ainda sinto que é depreciar a qualidade sonora. Funcionou bem em alguns conteúdos. O áudio espacial também está presente por aqui, mas é um recurso limitado ao macOS, iPadOS e iOS. Nada de Android, infelizmente.

O isolamento ativo de ruído me passou uma sensação boa. Eu ainda acho a solução da Apple com os AirPods Pro melhor, mas a Beats claramente evoluiu a ferramenta que colocou nos Studio Buds. Agora eu sinto um isolamento muito mais competente.

O Beats Fit Pro é ótimo em isolar sons mais graves. Isso significa que se você ligar um ventilador ou ar condicionado no mesmo ambiente, praticamente não vai escutar nenhum ruído, mas ainda conseguirá distinguir vozes nas conversas.

No metrô, onde sons mais agudos do motor elétrico dos vagões estão presentes, o isolamento é menos eficiente. Isso não significa que você não escuta, mas sim que o recurso faz algo importantíssimo: ressaltar toda a música para cima do barulho, permitindo até que você diminua o volume dos fones para escutar a canção…seus ouvidos agradecem.

Beats Fit Pro (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Além do isolamento por si, outra evolução muito interessante nos Beats Fit Pro é o controle do modo ambiente. Nos Studio Buds eu me perdia constantemente nas três opções feitas ao tocar nos fones, que é com o recurso ativado, desligado ou com o modo ambiente acionado.

Por aqui são apenas duas opções: isolamento ligado ou modo ambiente, sem nenhum no meio e com um resultado intermediário. É oito ou oitenta, dá para sentir a diferença e o modo ambiente continua dando aquela sensação de ganhar uma audição superior ao que seus ouvidos conseguem naturalmente escutar. O melhor de tudo é que as vozes soam naturais, sem atrasos ou som metálico.

Já sua voz no microfone continua parecendo um rádio de pilha velho. Esse poderia ser um problema só desse modelo, mas eu comparei os Beats Fit Pro com os AirPods Pro e o resultado é muito parecido. Ah, claro, essa parte do review você tá ouvindo com o som capturado pelo microfone dos fones.

Por mais que seja um problema não exclusivo dos Beats Fit Pro, ainda fico decepcionado com a qualidade. Ela é ruim até mesmo no gravador de som, ou quando ele é usado como microfone na filmagem de um iPhone. Eu sei que não é limitação do Bluetooth, é limitação da Beats.

Bom, para atender uma ligação até dá para aceitar, já que a própria chamada já derruba a qualidade da sua voz em qualquer momento.

Beats Fit Pro (Imagem: Mario Kurth/Olhar Digital)

Fechando o review, a autonomia de bateria é prometida em seis horas de som com cancelamento de ruído ativado, ou sete com ele desligado. Nos testes que fiz por essas semanas, eu passei de sete horas fácil, mas não cheguei em oito e nesse tempo o cancelamento de ruído sempre estava funcionando.

O estojo oferece mais cargas pros fones e ele recebe energia por um cabo USB-C, o que deixa claro o desejo da Beats em também atender o público do Android, mas infelizmente os Beats Fit Pro, assim como os Beats Studio Buds, não recebem carga por indução. Essa falta poderia ser aceitável, mas não nesse patamar de preço alto.

Vale a pena?

Sim, bastante. O Beats Fit Pro é uma evolução natural dos Powerbeats Pro, já que o foco está em quem pratica exercícios. Eu já vejo esses novos fones como modelos resolvendo problemas dos Studio Buds, praticamente todos eles.

Beats Fit Pro (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Por aqui o Fit Pro tem isolamento de ruído mais competente, o som continua muito bom, o controle do modo ambiente foi aprimorado e a qualidade sonora me passou a sensação de também ser maior. Não é à toa que os Studio Buds custam quase R$ 1 mil a menos.

De fato, os Beats Fit Pro são a melhor alternativa para quem quer os AirPods Pro, mas tem um Android. Ou mesmo para quem tem um iPhone, já que os recursos serão exatamente os mesmos, só que com autonomia de bateria maior e som mais encorpado, preenchendo os graves que faltam no lado da maçã.

Eu ainda sinto que a qualidade de captação de áudio pelo microfone poderia ser muito melhor, já que tem gente que poderia usar esses fones como microfones de lapela. Também acho que o carregamento por indução deveria estar aqui, ele faz muita falta em um fone que custa R$ 2,6 mil.

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