O Brasil vai precisar de energia equivalente a quase três Itaipus para evitar instabilidades e blecautes, segundo levantamento da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Será necessário contratar 35 GW adicionais até 2035 para garantir segurança ao fornecimento nacional de eletricidade e evitar apagões nas horas de maior demanda.
O estudo foi elaborado pela Academia Nacional de Engenharia e pelo CIGRE-Brasil, sendo posteriormente encaminhado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Segundo a Folha de São Paulo, que noticiou o estudo, o governo federal já contratou cerca de 19 GW de energia elétrica de fontes térmicas e hidráulicas — as chamadas “fontes despacháveis” — para reforçar o abastecimento em momentos de escassez. Esse volume supera a capacidade instalada da Usina Hidrelétrica de Itaipu, estimada em 14 GW.
Localizada na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, Itaipu é uma das maiores fontes de energia limpa do mundo e responde por cerca de 9% do consumo de energia elétrica brasileiro, segundo a Agência Brasil.
A usina também funciona como uma espécie de “bateria natural” do Sistema Interligado Nacional (SIN), sendo capaz de aumentar a geração sob demanda. Em momentos de maior consumo, pode cobrir parte significativa da necessidade, chegando a contribuir com até 30% do atendimento.
De acordo com o estudo, além dos 35 GW adicionais de fontes despacháveis, será necessário integrar melhor as usinas de geração intermitente — como eólicas e solares — ao SIN, o que exige investimentos em armazenamento, distribuição e transmissão.
Conforme aponta o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o SIN atingiu capacidade instalada de 246.762 MW no segundo semestre de 2025 para atender uma demanda de até 104.732 MW. Esse cenário contribui para sobrecargas na rede atual.
Curtailment é recorrente
O ONS afirma que recorre com mais frequência ao curtailment, medida utilizada para equilibrar oferta e demanda que consiste na interrupção da geração de energia. A prática evita que a produção exceda a capacidade de consumo, o que poderia resultar em apagões.
A Volt Robotics, empresa de consultoria, avaliou que o sistema elétrico operou próximo ao limite de segurança em ao menos 16 dias de 2025 devido ao excesso de oferta. Os momentos de maior risco ocorrem aos finais de semana, quando a atividade econômica diminui e o consumo cai.
Investir em armazenamento é uma das soluções
Uma das soluções apontadas é a ampliação dos sistemas de armazenamento de energia, reduzindo a sobrecarga da rede e evitando desperdícios. Em novembro de 2025, o Ministério de Minas e Energia promoveu um webinar para tratar das diretrizes da consulta pública do leilão de baterias de 2026.
Outro ponto recomendado pelo estudo é o investimento em reservatórios de regularização para hidrelétricas. Isso ajudaria a equilibrar o sistema em momentos de pico ou baixa geração.
A energia armazenada dos períodos de maior produção também poderia ser utilizada para bombear a água de volta aos reservatórios. Dessa forma, as usinas se tornariam baterias naturais do sistema de energia.
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