Esqueça o uivo aleatório! Uma nova pesquisa publicada na revista científica Current Biology revelou que cães de raças antigas, como a Samieda, possuem uma capacidade surpreendente de ajustar o tom de suas vozes para “cantar” junto com a música. O comportamento, observado em experimentos com sucessos pop e música clássica, sugere que a habilidade de coordenar o tom vocal em grupo surgiu muito antes do que a ciência imaginava.
O experimento: de Lady Gaga a Handel
Segundo o IFLScience, pesquisadores das universidades de Tufts e Harvard utilizaram uma abordagem de “ciência cidadã”, convidando tutores de raças de cães consideradas “antigas” – aquelas que guardam maior proximidade genética com os lobos – para registrar as reações de seus animais a estímulos sonoros.
Os cientistas selecionaram músicas que comprovadamente induziam os cães ao uivo e criaram versões transpostas: o tom original foi deslocado para cima e para baixo em 3 semitons. Entre as faixas utilizadas no teste estavam:
- “Shallow”, de Lady Gaga e Bradley Cooper;
- “Believer”, do Imagine Dragons;
- “Grapevine”, do DJ Tiësto;
- “Let the Bright Seraphim”, de G.F. Handel.
Samiedas no tom, Shibas nem tanto
A análise acústica focou em três pilares: a frequência fundamental (correlata ao tom), o centroide espectral (que determina o timbre ou “cor” do som) e a duração do uivo.
Os resultados mostraram uma distinção clara entre as raças:
- Samiedas: todos os quatro cães desta raça alteraram significativamente o tom de seus uivos conforme a música subia ou descia de frequência.
- Controle seletivo: três deles conseguiram mudar o tom sem alterar o timbre (centroide espectral), o que demonstra um controle vocal refinado e independente.
- Shiba Inus: embora tenham participado, não apresentaram mudanças significativas no tom em resposta às variações da música.
Como a duração dos uivos não mudou entre as condições, os cientistas descartaram que o ajuste de tom fosse apenas uma reação ao estresse ou ao nível de agitação.
Herança dos lobos e a origem da música
Para os autores do estudo, essa flexibilidade vocal evoluiu independentemente do aprendizado vocal complexo que nós, humanos, possuímos. A explicação pode estar na ancestralidade: lobos costumam “desafinar” ou ajustar seus uivos em exibições territoriais para fazer a alcateia parecer maior e mais forte.
Essa descoberta levanta a possibilidade de que, na evolução humana, a regulação de tom em grupo tenha sido um precursor da musicalidade, servindo para fortalecer laços sociais antes mesmo de desenvolvermos a fala complexa.
“Nossas descobertas ilustram como a pesquisa com cães pode ajudar a iluminar as fundações evolutivas da musicalidade”, afirmam os pesquisadores no artigo Current Biology.
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