Com planos de abrir capital ainda neste ano, a SpaceX prepara uma nova fase de expansão para a Starlink. Fontes familiarizadas com o negócio, que falaram à agência Reuters em anonimato, revelaram que a empresa avalia ampliar o alcance da constelação de satélites com iniciativas que incluem um possível celular próprio, serviços de internet direta para dispositivos móveis e um novo sistema de rastreamento espacial.
As apostas acontecem em um momento de altas expectativas para a SpaceX, que controla a Starlink. A companhia aeroespacial quer acelerar o lançamento de seus foguetes descartáveis, como a Starship, e instalar data centers na órbita da Terra.
Entre os planos em discussão está o desenvolvimento de um dispositivo móvel próprio, conectado diretamente à rede Starlink. A ideia de Elon Musk, dono das empresas, é competir com smartphones tradicionais.
Ainda não há detalhes sobre design ou cronograma desse produto, mas as fontes afirmam que a companhia discute telefonia móvel há anos. Na semana passada, Musk reforçou essa possibilidade ao responder um usuário no X. Segundo ele, a ideia “não está descartada em nenhum momento”.
Caso saia do papel, o aparelho teria uma proposta diferente dos celulares atuais. De acordo com o executivo, seria um produto “otimizado exclusivamente para executar redes neurais com desempenho máximo por watt”, em referência a aplicações de inteligência artificial.
Celular da Starlink pode enfrentar desafios práticos
A SpaceX já atua em conectividade móvel por meio de parcerias, como o acordo com a T-Mobile para oferecer internet Starlink diretamente a celulares da operadora.
No caso do celular próprio, há outros desafios. Para Armand Musey, presidente do Summit Ridge Group, à Reuters, entrar no mercado de smartphones é complicado e poderia afastar operadoras parceiras. “Seria como a GM fabricar pneus e tentar vendê-los para outras montadoras”, avaliou.
Mesmo assim, a Starlink, peça central nas finanças da SpaceX, já tem se movimentado no ramo de telefonia móvel:
- Atualmente, cerca de 650 satélites da empresa em órbita foram projetados para o negócio emergente de comunicação direta com dispositivos;
- A companhia também tem reforçado seus movimentos regulatórios e tecnológicos. Em outubro, solicitou o registro da marca “Starlink Mobile”;
- Neste ano, registrou patentes voltadas a melhorar a conexão do Starlink com dispositivos pequenos e móveis, além dos terminais tradicionais.
Rastreamento espacial entra no portfólio
Além da conectividade, a SpaceX anunciou recentemente o Stargaze, um serviço de rastreamento espacial que aproveita as câmeras já instaladas nos satélites Starlink. A proposta é monitorar o tráfego crescente nas órbitas mais baixas da Terra, região que ainda carece de padrões internacionais para gestão de satélites.
A empresa informou que parte dos dados será disponibilizada gratuitamente para operadores, mas o serviço também pode atrair interesse do governo dos Estados Unidos, que vem ampliando suas capacidades de rastreamento orbital por meio do Pentágono e do Escritório de Comércio Espacial.
Ainda assim, o avanço do Stargaze desperta preocupações no setor, que teme uma dependência excessiva de um único fornecedor.
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