A Adobe está trocando o comando depois de quase duas décadas. O CEO da empresa pelos últimos 19 anos, Shantanu Narayen, anunciou nesta quinta-feira (12) que deixará o cargo logo que um sucessor foi confirmado.
Narayen entrou na empresa em 1988 já no cargo de vice-presidente e gerente geral e se tornou CEO em 2007. Ele foi o responsável pela principal transição recente da Adobe: a consolidação como uma empresa de software-como-serviço (SaaS) e a comercialização de programas por um modelo de assinatura, como no caso do pacote Creative Cloud.
Na carta aos funcionários divulgada no site da Adobe, o agora ex-CEO diz que “o melhor está por vir“. Ele ainda confirma que vai assumir o cargo de presidente do conselho, em especial para ajudar durante o momento de transição e adaptação do sucessor.
Nascido na Índia em 1963, ele se mudou para os Estados Unidos para obter o mestrado em Ciência da Computação. Ele trabalhou na Apple em cargos de gerência e na Silicon Graphics antes da ida para a Adobe, além de manter uma posição no conselho da farmecêutica Pfizer.
Por que as ações da Adobe estão caindo?
O motivo da saída de Narayen não foi informado, mas os últimos anos foram de altos e baixos para a companhia inclusive por novos rumos no mercado digital.
- Por um lado, a Adobe entrou de vez no aquecido mercado da inteligência artificial (IA) com a ferramenta generativa Firefly, já integrada aos programas da empresa;
- Além disso, os resultados do primeiro trimestre do atual ano fiscal, que terminou no fim de fevereiro de 2026, foram positivos: receita em alta totalizando US$ 6,4 bilhões (ou cerca de R$ 33 bilhões) e renda triplicando nos produtos de IA;
- Ao todo, ela registrou 850 milhões de usuários mensais nos produtos da marca, em uma alta de 17% em comparação com o mesmo período do ano anterior;
- Por outro lado, investidores estão preocupados com o crescimento de outras ferramentas de IA generativa e como elas podem afetar os negócios de companhias de software como a Adobe, que talvez não cresça no ritmo esperado;
- A receita anual recorrente, métrica chave para o mercado, cresceu 10,9% — sendo que a expectativa era de um número ainda mais alto;
- Outro problema recente foi não conseguir adquirir a rival Figma, que também tem investido em IA e ainda recebeu uma multa de US$ 1 bilhão como indenização pelas negociações inconclusivas.
Nos últimos 12 meses, as ações da Adobe caíram cerca de 35% pela volatilidade do setor e a transição dos interesses para negócios de IA. A própria saída do CEO gerou uma queda de 7% nas ações da Adobe no período pré-negociações, algo que pode ser amenizado durante as negociações desta sexta-feira (13).