A robótica impulsionada por inteligência artificial (IA) pode representar uma das maiores janelas de crescimento para a Europa nas próximas décadas. A avaliação foi feita por Jensen Huang, CEO da Nvidia, durante sua participação no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na última quarta-feira, ao destacar o peso da base industrial do continente como um diferencial estratégico para esse movimento.
Segundo o executivo, a combinação entre capacidade industrial, manufatura avançada e inteligência artificial abre caminho para o que ele chamou de “IA física”, um conceito que conecta algoritmos diretamente a máquinas e sistemas robóticos no mundo real. Para Huang, esse cenário cria uma chance de a Europa “pular” a fase dominada pelo software, historicamente liderada pelos Estados Unidos, e se posicionar em uma nova etapa da transformação tecnológica.

Robótica com IA ganha espaço na indústria e no setor de tecnologia
Nos últimos meses, a atenção de empresas industriais e de tecnologia tem se voltado cada vez mais para a robótica autônoma, impulsionada por avanços recentes em modelos de IA capazes de lidar com tarefas mais complexas. Grupos europeus como Siemens, Mercedes-Benz Group, Volvo e Schaeffler anunciaram projetos e parcerias com companhias especializadas em robótica ao longo do último ano, sinalizando um movimento coordenado para integrar inteligência artificial às linhas de produção.
Do lado das grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos, o interesse também se intensificou. Em setembro, Elon Musk afirmou que 80% do valor da Tesla viria de seus robôs humanoides Optimus. Já a divisão de IA do Google, a DeepMind, divulgou modelos voltados para aplicações em robótica em 2025. A Nvidia, por sua vez, anunciou em março parcerias com a Alphabet para o desenvolvimento de soluções em IA física.

O fluxo de investimentos acompanha essa tendência. De acordo com a plataforma Dealroom, empresas que constroem tecnologias de robótica levantaram US$ 26,5 bilhões em 2025, o maior volume já registrado para o setor.
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Energia e infraestrutura no centro da estratégia europeia
Apesar do cenário promissor, Huang ressaltou que a Europa precisa enfrentar um desafio estrutural para aproveitar plenamente o potencial da inteligência artificial: o custo e a disponibilidade de energia. Durante o evento em Davos, o CEO da Nvidia afirmou que o continente deve “levar a sério” o aumento da oferta energética para conseguir investir na camada de infraestrutura necessária a um ecossistema robusto de IA.
A preocupação é compartilhada por outros líderes do setor. Satya Nadella, CEO da Microsoft, afirmou que os custos de energia serão determinantes para o sucesso dos países na corrida global por inteligência artificial. A região, que já enfrenta alguns dos preços de eletricidade mais altos do mundo, também lida com acesso limitado a fontes energéticas enquanto grandes provedores de nuvem planejam expandir rapidamente suas estruturas para suportar aplicações de IA.

Para Huang, essa expansão está apenas no início. Ele descreveu o atual momento como o início da “maior construção de infraestrutura da história da humanidade”, destacando que centenas de bilhões de dólares já foram investidos e que ainda há trilhões a serem aplicados para sustentar o crescimento das tecnologias baseadas em inteligência artificial na Europa e no restante do mundo.
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