A OpenAI ampliou sua estratégia internacional para acelerar a adoção da inteligência artificial por governos e reduzir a distância entre países que já utilizam a tecnologia em larga escala e aqueles que ainda estão nos estágios iniciais.
A iniciativa, batizada de OpenAI for Countries, combina investimentos em infraestrutura, estímulo ao uso de IA em serviços públicos e programas específicos voltados à educação, saúde e gestão de riscos climáticos.
OpenAI for Countries: expansão global e foco em infraestrutura
Segundo a OpenAI, um dos pilares do programa é incentivar governos a ampliar a capacidade de data centers e criar condições para que sistemas de IA sejam usados de forma mais intensiva. A empresa avalia que muitos países ainda exploram apenas uma fração do potencial das ferramentas disponíveis. Em um relatório compartilhado com a agência Reuters, a companhia afirmou que existe um “excesso de capacidade” – a diferença entre o que a IA já consegue fazer e como ela é efetivamente utilizada no dia a dia.
A iniciativa começou no ano passado e ganhou força com a nomeação do ex-ministro das Finanças do Reino Unido, George Osborne, para liderar o projeto. Ao lado de Chris Lehane, diretor de assuntos globais da OpenAI, Osborne vem apresentando o programa a autoridades governamentais durante encontros internacionais, incluindo o Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta semana.
Até agora, 11 países aderiram ao OpenAI for Countries, com acordos adaptados às necessidades locais. Na Noruega e nos Emirados Árabes Unidos, por exemplo, a OpenAI atua em parceria com outras empresas para viabilizar data centers, tornando-se a primeira cliente dessas estruturas. Já na Coreia do Sul, a empresa estuda um sistema de monitoramento e resposta em tempo real para desastres hídricos associados às mudanças climáticas.
Educação no centro da IA
Dentro do OpenAI for Countries, a desenvolvedora lançou um novo programa chamado Educação para Países da OpenAI, voltado à integração da IA em sistemas educacionais. A empresa defende que, até 2030, cerca de 40% das competências essenciais do mercado de trabalho devem mudar, impulsionadas principalmente pela inteligência artificial.
O programa prevê parcerias com ministérios da Educação, universidades e consórcios acadêmicos para incorporar ferramentas de IA ao ensino, reduzir tarefas burocráticas e preparar estudantes para um mercado cada vez mais pautado pela tecnologia.
O grupo inicial do Educação para Países da OpenAI inclui sete países (Estônia, Grécia, Jordânia, Cazaquistão, Eslováquia, Trinidad e Tobago e Emirados Árabes Unidos) e uma entidade acadêmica (a Conferência de Reitores Universitários da Itália).
A empresa deu exemplos de implementação prática do programa: na Estônia, o ChatGPT Edu está em uso em universidades públicas e escolas de ensino médio, chegando a mais de 30 mil estudantes, professores e pesquisadores em um ano. Já na Universidade de Tartu e na Universidade Stanford, uma pesquisa está acompanhando cerca de 20 mil estudantes ao longo do tempo para avaliar os impactos da IA a edução.
Diminuir desigualdade no uso de IA
O relatório da OpenAI aponta disparidades no uso da IA, tanto entre países quanto dentro de um mesmo território:
- Usuários considerados “avançados” recorrem a recursos sofisticados de raciocínio até sete vezes mais do que usuários médios;
- Em Singapura, por exemplo, as interações relacionadas à programação superam em mais de três vezes a média global.
- Para a empresa, reduzir essas diferenças é essencial para garantir que os ganhos econômicos e sociais da IA não fiquem restritos a poucos mercados.
Para isso, a OpenAI aposta em uma abordagem gradual. No caso do “Educação para Países”, o projeto começa com a capacitação de educadores, avançando para projetos-piloto com alunos, especialmente no ensino médio.
A companhia defende que a missão do OpenAI for Countries é garantir que a inteligência artificial avançada beneficie o maior número possível de pessoas, apoiando desde a educação e a saúde até a resposta a desastres e o aumento da produtividade. A expectativa é anunciar uma nova leva de países participantes ainda em 2026.
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