A China deve apresentar nesta semana como pretende impulsionar a próxima fase de sua corrida tecnológica com o Ocidente e transformar avanços recentes em inteligência artificial (IA), espaço e robótica em ganhos industriais em larga escala e dinamismo no mercado de capitais.
As diretrizes serão divulgadas na sessão de abertura do Congresso Nacional do Povo (NPC, na sigla em inglês), o parlamento chinês, marcada para quinta-feira (5). Na ocasião, a liderança do país publicará o relatório anual de trabalho do governo, os planos orçamentários e o esboço do 15º Plano Quinquenal para 2026–2030, documento que define as prioridades da política industrial.
Esses relatórios indicam as prioridades de Pequim e quais setores deverão receber financiamento generoso e apoio político. No ano passado, modelos de IA foram mencionados pela primeira vez no documento, enquanto a chamada “inteligência incorporada” — tecnologia que sustenta robôs humanoides — também ganhou destaque.
IA: depois do “choque”, o que vem para a China?
- O NPC ocorre poucas semanas antes de uma reunião planejada entre o presidente da China, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevista para acontecer de 31 de março a 2 de abril;
- Controles de tecnologia e cadeias de suprimentos devem ocupar lugar central nas discussões, aponta a Reuters;
- O encontro também marca um ano desde que desenvolvedores chineses de IA chamaram a atenção global por avanços repentinos em capacidade, apesar das restrições impostas pelos EUA ao acesso a chips avançados e equipamentos de fabricação de semicondutores;
- A DeepSeek, startup chinesa que chacoalhou o mercado tecnológico no ano passado com seu modelo de IA, desencadeou venda global de ações de tecnologia e reformulou percepções sobre a competitividade tecnológica da China em relação aos EUA, é amplamente esperada para apresentar um modelo de próxima geração nos próximos dias.
“O choque acabou”, afirmou Alfredo Montufar-Helu, diretor-gerente da Ankura Consulting em Pequim. “Agora há uma expectativa sobre o que a China pode apresentar em seguida.”
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O desafio para Pequim é transformar avanços individuais em ganhos sistemáticos e em larga escala nos setores de manufatura, logística e energia.
Segundo Shujing He, analista sênior da consultoria Plenum China, os formuladores de políticas devem promover a estratégia de “IA + manufatura”, utilizando grandes empresas estatais como adotantes-âncora e puxando startups e fornecedores especializados para a implementação no mundo real.
Essa estratégia, no entanto, deve remodelar a estrutura industrial chinesa. Shin Nakamura, presidente da fabricante japonesa Daiwa Steel Tube Industries, afirmou que o impulso da China em IA tende a favorecer grandes produtores intensivos em capital, capazes de absorver os custos de implantação, enquanto empresas menores enfrentam restrições estruturais.
“A diferença entre grandes empresas e PMEs na China vai aumentar e a consolidação será acelerada”, disse.
E os planos para o espaço e humanoides?
O plano quinquenal também deve reforçar o foco em inteligência incorporada. No mês passado, o país exibiu seus avanços ao colocar robôs humanoides fabricados na China no centro das atenções da Gala do Festival da Primavera da CCTV, o programa de TV mais assistido do país, onde realizaram apresentações de dança e artes marciais. Grandes avanços em tecnologia de hardware sustentam a confiança chinesa no setor de robótica, explica a Reuters.
Ao detalhar sua próxima estratégia industrial, Pequim deve indicar como pretende converter avanços tecnológicos de alto perfil em escala industrial e impulso financeiro, em meio à intensificação da competição tecnológica com o Ocidente.
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