Cientistas da Nasa revelam que desertos já foram florestas tropicais e podem voltar a ser

O ciclo verde do Saara é um dos fenômenos climáticos mais fascinantes da história geológica da Terra. Estudos indicam que o maior deserto quente do mundo já foi um ambiente repleto de vegetação exuberante e rios caudalosos. Essa transformação radical ocorre periodicamente devido a variações na órbita terrestre que alteram o regime de chuvas na África. Compreender esse processo ajuda a prever as futuras mudanças ambientais em nosso planeta em escala milenar.

Como funciona o ciclo verde do Saara ao longo dos milênios?

De acordo com um estudo publicado pela NASA, o Saara alterna entre deserto e savana a cada 21 mil anos. Essas mudanças são impulsionadas pela precessão da Terra, que altera a inclinação do eixo do planeta e, consequentemente, a intensidade das monções africanas no hemisfério norte.

A evidência geológica sugere que, durante esses períodos úmidos, a região era habitada por grandes mamíferos e humanos, deixando para trás pinturas rupestres que retratam a vida selvagem. Esse ritmo cíclico é uma prova da resiliência e da constante mudança dos ecossistemas terrestres diante de forças astronômicas.

🌿 15.000 anos atrás: O Ápice Verde: O Saara era coberto por savanas, lagos gigantescos e chuvas abundantes que sustentavam vida diversa.

☀️ 5.000 anos atrás: A Transição Árida: Mudanças na órbita terrestre reduziram as monções, iniciando o processo de desertificação acelerada.

🔄 Futuro (12.000 anos): O Retorno da Floresta: O ciclo se completará, trazendo novamente a umidade e transformando as areias em solo fértil.

Quais evidências comprovam que o deserto já foi uma floresta?

Arqueólogos e geólogos encontraram sedimentos marinhos e fósseis de peixes em áreas que hoje são dunas de areia escaldantes. Essas descobertas indicam a presença de megagos, como o antigo Lago Chade, que era significativamente maior do que sua extensão atual e conectava diversas bacias hidrográficas.

Além disso, imagens de satélite de alta precisão revelaram redes de rios enterrados sob as areias, que fluíam livremente há milhares de anos. Esses cursos de água sustentavam uma biodiversidade que rivalizava com as atuais florestas tropicais da África Central, servindo como corredores migratórios.

  • Presença de fósseis de animais aquáticos em áreas desérticas.
  • Pinturas rupestres que retratam girafas, crocodilos e caçadores.
  • Poeira rica em fósforo que viaja até a Amazônia brasileira.
  • Depósitos de pólen de plantas tropicais em camadas profundas do solo.
Fósseis e redes de rios enterrados comprovam a existência de megagos no deserto – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Quando ocorrerá o próximo ciclo verde do Saara na Terra?

Cientistas estimam que a próxima transição significativa para uma fase úmida deve ocorrer em aproximadamente 12 mil anos. Embora o aquecimento global atual possa interferir nos padrões climáticos imediatos, a força orbital da Terra continua sendo o principal motor desse mecanismo natural de longo prazo.

A análise de isótopos em cavernas e depósitos oceânicos permite mapear com precisão os picos de umidade ocorridos no passado. A tabela abaixo resume as principais diferenças entre as fases áridas e as fases de vegetação abundante observadas no norte da África durante as transições climáticas.

Característica Fase Árida (Atual) Fase Úmida (Verde)
Vegetação Principal Dunas e arbustos raros Savanas e florestas abertas
Fauna Dominante Répteis e dromedários Hipopótamos e crocodilos
Padrão de Chuva Escassa e irregular Monções fortes e constantes

Por que a órbita do planeta influencia tanto as chuvas africanas?

O fenômeno conhecido como precessão orbital faz com que a Terra sofra uma oscilação em seu eixo, mudando o ângulo em que a luz solar atinge o hemisfério norte. Isso cria um gradiente térmico intenso que atrai massas de ar carregadas de umidade do oceano para o interior do continente africano.

Quando o verão no hemisfério norte coincide com o ponto em que a Terra está mais próxima do Sol (periélio), as monções tornam-se extremamente poderosas. Esse influxo massivo de umidade é o que permite que as gramíneas e árvores colonizem rapidamente o solo que antes era apenas areia seca.

Como o fim do período úmido transformou a vida na região?

O declínio gradual das chuvas há cerca de 5 mil anos forçou as populações humanas a migrarem em direção ao Vale do Nilo, impulsionando o surgimento da civilização egípcia. A desertificação progressiva isolou comunidades e alterou permanentemente o ecossistema local, transformando o “Celeiro da África” em um deserto.

Esse processo de secagem foi rápido em termos geológicos, transformando vastas pastagens em dunas em um intervalo de poucos séculos. Hoje, o Saara atua como um regulador climático global, enviando poeira rica em minerais que atravessa o Atlântico para fertilizar a floresta amazônica na América do Sul.

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