Cientistas descobrem a gravação de baleia mais antiga do mundo; ouça

O que parecia ser apenas mais um item empoeirado nos arquivos da Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI) revelou-se um tesouro acústico. Pesquisadores identificaram o que é, provavelmente, o registro mais antigo de um canto de baleia já encontrado, datado de 7 de março de 1949.

A descoberta aconteceu quando funcionários da WHOI tropeçaram em um disco de audógrafo, segundo o IFLScience. O áudio foi capturado por cientistas a bordo do navio de pesquisa R/V Atlantis, que na época realizavam experimentos acústicos para a Marinha dos Estados Unidos, envolvendo testes de sonar e explosivos.

Confira abaixo o registro histórico capturado há quase 80 anos:

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Um mistério de 80 anos decifrado

Inicialmente, não se sabia ao certo o que havia no disco. Para solucionar o enigma, a WHOI colaborou com a Ocean Alliance, comparando o áudio com um acervo de mais de 2.400 gravações feitas entre as décadas de 50 e 90. A análise confirmou: tratava-se do canto de uma baleia-jubarte, gravado próximo às Bermudas.

Diferente das fitas cassete, que se degradam rapidamente, o audógrafo Gray gravava o som em discos de plástico, utilizando um dispositivo rudimentar conhecido como a “maleta” da WHOI. Como os pesquisadores da época não compreenderam o que haviam gravado, o material ficou esquecido por quase oito décadas.

O oceano é muito mais barulhento agora, com aumentos tanto no número quanto nos tipos de fontes sonoras. Esta gravação pode fornecer insights sobre como os sons das baleias-jubarte mudaram ao longo do tempo, além de servir como uma linha de base para medir como a atividade humana molda a paisagem sonora do oceano.

Laela Sayigh, bioacústica marinha e especialista sênior de pesquisa na WHOI

Por que estas gravações importam hoje?

A importância da descoberta vai além da nostalgia. Entender como as baleias se comunicavam há 80 anos ajuda a proteger as populações atuais. Estudos recentes mostram que baleias cachalotes usam algo semelhante a um “alfabeto fonético” e que baleias-azuis ajustam suas frequências para se esconderem de predadores.

Ashley Jester, Diretora de Dados de Pesquisa e Serviços de Biblioteca na WHOI, destacou a resiliência do material:

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