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Clima estranho de Saturno e Júpiter pode explicar o que há sob suas nuvens

by Fesouza
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O clima estranho nos polos de Júpiter e Saturno pode ajudar cientistas a entender o que existe no interior desses planetas gigantes. Um estudo recente mostra que o tipo de tempestade visto na superfície está ligado à densidade do material que fica abaixo das nuvens.

Júpiter e Saturno são parecidos em tamanho e composição básica (ambos são formados, em grande parte, por hidrogênio e hélio). Mesmo assim, os dois exibem padrões de clima completamente diferentes nos polos. E isso intrigava pesquisadores há anos.

Tipo de tempestade indica se o interior do planeta é mais leve ou mais denso, segundo estudo

No polo norte de Júpiter, há um vórtice central cercado por oito tempestades menores. Cada uma delas tem cerca de 4,8 mil quilômetros de diâmetro (para você ter ideia, é quase metade do tamanho da Terra). Já em Saturno, existe apenas um vórtice gigante, com formato hexagonal, cuja largura chega a 29 mil quilômetros.

Montagem com projeções de tempestades nos polos de Júpiter e Saturno
No polo norte de Júpiter (esq.), há um vórtice central cercado por oito tempestades menores; no de Saturno (dir.) apenas um vórtice gigante (Imagem: NASA/JPL-Caltech/SwRI/ASI/INAF/JIRAM – NASA/JPL-Caltech/SSI/Hampton University)

Para entender essa diferença, cientistas do MIT rodaram simulações que reproduzem a formação de tempestades em planetas gasosos. Eles variaram fatores como rotação do planeta, aquecimento interno e, principalmente, a “maciez” ou “dureza” da base do vórtice, que depende do quão pesado é o gás que fica abaixo da atmosfera visível do planeta.

Quando a base do vórtice é feita de gás mais leve, a tempestade cresce pouco. Isso permite que vários vórtices menores coexistam, como acontece em Júpiter. Já quando a base é composta por material mais denso, o vórtice consegue crescer muito mais. Assim, engole os outros e forma uma estrutura estável. É o caso de Saturno.

Na prática, isso indica que Saturno deve ter um interior mais pesado e enriquecido em materiais condensáveis, enquanto Júpiter parece ter camadas internas mais leves. Com essa relação, os cientistas passam a usar o clima visível na superfície como uma pista para investigar as profundezas dos planetas, onde nenhuma sonda consegue chegar.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences na terça-feira (20).

(Essa matéria também usou informações do MIT.)

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